terça-feira, 16 de agosto de 2016

5 anos do dia 16 de agosto de 2011

Interessante como o passar dos anos nos torna reféns de uma postura difícil de sustentar. Não demonstro fraqueza perto de mamãe e irmãozinho, por exemplo. Ou pelo menos evito ao máximo. Quando na verdade eu queria mandar deus tomar no cu, não o faço porque, né, quero protegê-los dos meus devaneios impuros, das minhas vulnerabilidades. De certa forma eles precisam do meu abrigo, mesmo que eu não me veja como um abrigo sólido o suficiente para proteger tamanha preciosidade.

E é nesse ponto que me dói. É esse ponto que só a poesia explica. É aí que meu choro contido aparece, entre uma música e outra. É quando eu tenho pesadelos e acordo com medo e não reclamo, não choro, só procuro no escuro a força dele que ficou em mim. O passado é cheio de lembranças com medos, choros, reclamações, como desculpas para um abraço, palavras de consolo, um abrigo.


Interessante como amor emoldura lembranças que o tempo tenta desbotar enquanto eu luto para mantê-las intactas. Dessa forma cada vez mais atribuo bons preceitos ao meu pai, mas não tenho mais certeza que todos são provenientes dele. Tudo (ou grande parte) que vejo de bom em mim, associo a ele. Nos defeitos, claro, fujo da comparação. Por exemplo, procurar a própria parcela de culpa em qualquer problema para assumir responsabilidades afim de aprender ao invés de procurar justificativas e desculpas, era uma característica do meu pai? Não dá mais pra ter certeza. 

E é nesse ponto que me dói. É esse ponto que só a poesia explica. É aí que de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua, que vai ficando num caminho iluminado pela beleza do que aconteceu até cinco anos atrás.

Os 16 de agosto são meus dias miúdos.

(texto com vários trechos da belíssima canção “Poema”, letra de Cazuza e música de Frejat na voz de Ney Matogrosso, uma dessas que evito ouvir)


meu sogro e meu pai em momento de descontração (junho de 2011)

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