sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aquela vez que encontramos o Wilco

Quinta-feira pré-feriado e a gente no aeroporto pra ficar 3 dias na Flórida. Na sexta-feira de manhã, 1º de maio de 2015, aportávamos em Miami, bitches, e ainda tínhamos ~apenas~ 500km de carro até chegar a St Augustine, cidadezinha de 13mil habitantes próxima a capital Jacksonville, no norte do estado, onde aconteceria a abertura do tradicional festival de folk Gamble Rogers Music com show da turnê dos 20 anos do Wilco.

Pegar um carro, dirigir por Miami e toda a costa leste da Flórida - com minha mina ao lado e curtindo uns rock maroto rsrs - já seria suficiente pra ir embora. Em quatro horas de viagem, eu já estava satisfeito, no lucro, essa é a verdade. Minha experiência nas famosas estradas americanas mostrou exatamente o quê todo mundo diz: incrivelmente largas, com muitas faixas, sem buracos, super bem sinalizadas, os motoristas se respeitando. Incrível pra quem gosta de dirigir. Coloquei no piloto automático e fiquei tomando café e comendo bolinho enquanto dirigia. E o melhor ainda estava por vir.




Se a Interstate 95 Highway não fosse deveras impressionante, ao chegar no hotel em St Augustine veio a grande surpresa: convites para conhecer os Wilco! Eu havia mandado algumas mensagens aos produtores e membros do Wilco contando a saga para ver o show e - os caras são muito gente boa! - resolveram nos presentear com dois after show passes para conhecermos os integrantes da banda, conversar um pouco, pegar uns autógrafos e tirar umas fotos. Quando recebi a notificação do Wilco na minha rede social preferida (te amo, twitter!) não tive outra reação além de um sonoro “puta que o pariu!”.

A intenção inicial era sair rápido do hotel pra conhecer um pouco da cidade antes do show. St Augustine tem um enorme potencial turístico e é conhecida por ser o mais-antigo-povoado-continuamente-ocupado dos Estados Unidos. Fundada por espanhóis em 1565, há castelos, fortes e prédios clássicos pela cidade, às margens do Atlântico. Fera demais. Porém, arrebatados pela mensagem do Wilco, passamos rapidinho pelo centro histórico sem descer do carro e fomos direto para o local do show.


Já no anfiteatro, os portões estavam fechados e cinco pessoas estavam na fila. Adentramos ao recinto pouco tempo depois de garantir nossos estimados after passesNuma espécie de praça antes das arquibancadas, fomos recepcionados por algumas lojinhas, bancas com comida, torneiras de vários estilos de chopp e uma jovem banda de bluegrass. Obviamente tomei um chopp mais que depressa, afim de dar tempo ao corpo para digerir o álcool e eu poder dirigir sóbrio quando o show acabar. Medo da polícia norte-americana, sim, nós temos!




Devidamente posicionados em nossas cadeiras, deu vontade de ter comprado o ingresso pra ver o show perto do palco. Estávamos beeeem longe, mas quando compramos o ingresso não havia local melhor disponível. Porém, convenhamos, estar ali já era PHODA (desses phodas com ph!). Antes do Wilco, quem tocou foi a banda de metal Royal Thunder. Não consegui curtir. Esperamos o tempo passar com selfies rsrsrs


O show

(em detalhes, muitos detalhes)


Depois de passarem por Texas, Louisiana e outras cidades na Flórida, chegou a vez do Wilco subir ao palco do incrível anfiteatro municipal de St Augustine. Estranhamente, poucas cadeiras estavam ocupadas enquanto o público bem a vontade continuava ao redor dos bares e lojinhas. A banda, ainda mais a vontade que a platéia, percebe os quase 4000 lugares sendo preenchidos sem pressa durante a primeira música - Via Chicago.




Os menores de quarenta anos eram exceção e a maioria trajava garbosos chinelos e inseparáveis frascos de draft beer. Público e banda prazerosos por desfrutar o sol que insistiu para ver Handshake Drugs, I Am Trying To Break Your Heart - uma das minhas preferidas, desde sempre - e One Wing, antes do entardecer apresentar Hummingbird, quando Jeff Tweedy solta o violão para cantar que um “cheap sunset” pode nos perturbar, mas não deveria (coincidência, sim ou não?). Confesso que eu ainda estava meio perturbado com tudo aquilo acontecendo.

Somente as luzes do palco mostravam Jeff cantando Panthers, raríssima ao vivo. A ótima Pot Kettle Black em versão sem violões, mais suingada. Antes de Cars Can’t Escape, Jeff Tweedy repete várias vezes “good to be back” e explica que vão tocar a música mais pedida em alguma votação online que, infelizmente, nem fiquei sabendo e não participamos. O público delira.




Na música seguinte eis o motivo da banda se sentir tão a vontade com a cidade. Jeff dedica Secret Of Sea a Stetson Kennedy - escritor, ativista e folklorista amigo de Woody Guthrie -, casado com uma moradora de St Augustine (Sandra Parks). Pra terem uma ideia do ativismo de Stetson Kennedy, ele se infiltrou na Ku Klux Kan nos anos 40 pra repassar informações às autoridades. O público aplaudiu demais. Tweedy e John Stirrat sorriam com os aplausos do público à citação. Ficamos meio boiando, mas a homenagem foi bonita.

Após o momento de comoção para os locais, duas canções para cantar junto e soltar uns pulinhos. Eu e Juju havíamos mudado de lugar nas arquibancadas algumas vezes, buscando um ponto bom para ver o palco e livres para eventuais dancinhas. Calhou que nesse momento encontramos o local ideal e, sim, “unlock my body and move myself to dance” em Heavy Metal Drummer e I’m The Man Who Loves You, dois super clássicos do disco preferido aqui de casa, o incrível Yankee Hotel Foxtrot.

Pra gente recuperar o fôlego, veio (Was I) In Your Dreams e algumas palavras desconexas de Jeff enquanto arrumava as guitarras para uma versão mais jazzy-soul de Jesus Etc, bem mais lenta que a original, com o público atento aos detalhes de harmonia. Apenas foda. Born Alone veio bem fiel ao disco, com o final anárquico, guitarrado, reverb alto, Glenn Kotche destroçando a bateria com direito a Pat Sansone emular por alguns segundos o movimento clássico de Pete Townshend. Finado este alvoroço, tocaram outra raríssima ao vivo, Dark Neon - um b-side de 2009.

E aí surgiu o momento que a banda engata a terceira marcha e não para mais de acelerar. Ou quando o time vai pro abafa no segundo tempo (posso fazer várias analogias rsrs). Daí pra frente soltamos a franga em dancinhas descoordenadas, movimentos estranhos, caras e bocas, air guitars, aquela sensação de TÔ VENDO O WILCO, JESUZAMADO.

Impossible Germany, por anos essa música foi o toque do meu celular, por anos imaginei esse solo ao vivo. E de repente estávamos lá. A banda, ciente que a canção é 100% Nels Cline, vira-se para o guitarrista e toca toda a música num tom mais abaixo, com destaque total para a guitarra. Foi o maior air guitar coletivo que já vi. Absolutamente todos a minha volta estavam tocando guitarra imaginária. Eu não sabia se fechava olhos pra tocar ‘minha’ guitarra ou mantinha-os bem abertos pra ver Nels Cline. De arrepiar.



trecho de Nels Cline e Wilco em St Augustine tocando Impossible Germany

Na sequência tocaram Poor Places e seu final estrondoso, depois a dançante Art Of Almost começa com “I can't be so far away from my wasteland”, sendo que dias antes Curitiba foi devastada pelo governador mandando a polícia bater em professores. Tocaram Airline To Heaven, Box Full Of Letters e Camera em sequência. Pra mim, a melhor sequência de três músicas de todo o show. Eu sempre quis cantar o refrão de Box Full..., usei como subtítulo dese blog por muito tempo: "I just can't find the time / 
To write my mind / The way I want it to read". Antes de Camera, Tweedy agradece ao público com um singelo “I don’t need a teleprompter, I need you, I got you, I’m learning to read your lips”. Com o público alucinado, começam uma versão hard rock para a música, descrita por um local que interagiu comigo diante da minha empolgação como high energy. Eu concordei totalmente. O nível de detalhes da minha memória pra estes momentos é esse mesmo, eu lembro da fala das pessoas. hahaha

Dawned On Me (a música do clipe do Popeye) veio em seguida com um reverb super alto enquanto Jeff entoava os versos iniciais, só depois vieram os acordes normais. No meu ouvido era a mais pura sinfonia. “I've been taken by the sound”. O reverb contínuo deu início de A Shot in the Arm até entrar o ritmo mais dançante. Apesar da letra tensa, a vibe continuava animadíssima e praticamente todos a nossa volta estavam dançando. A música tem bastante teclado e Mikael Jorgensen teve certo destaque no final catártico junto da guitarra de Nels Cline, enquanto a banda se despedia do palco.

Bateu um desespero, na dúvida se havia terminado ou não, mas acreditávamos que o show não terminaria antes da banda voltar ao palco pelo menos uma vez e ficamos uns três minutos gritando wilcowilcowilco. Voltaram descansados e o que já estava muito animado e dançante alcançou os ~píncaros da glória~ com a bateria forte e marcada do começo de Monday. A entrada da guitarra após o one-two-three-pow me fez acionar o air guitar novamente. Música de cantar gritando, nós e o Jeff, com muitos “Yeah, Alright”. Emendaram Hoodoo Voodoo e o roadie maluco da banda saca um sino e começa a dançar no palco, requebrando, sem camisa, suado, uma zoera haha Todo o público se anima ainda mais. O solo se estende muito, típico de final de show. Incrível, ambiente fantástico.

A banda sai do palco de novo e o público fica aplaudindo por uns três ou quatro minutos, naquele mesmo questionamento, sem saber o quê fazer. Alguns começam a abandonar as cadeiras e então eu e Juju, esperançosos, nos aproximamos ainda mais do palco. E eles voltam, para nóóóóóssa alegria. Quase três horas de show e os caras ainda animados.

No palco, a banda se posiciona de forma diferente, alguns sentados. Percebo somente instrumentos acústicos. Pat está com um bandolim (não um ukelele). Mikael com escaleta, Nels com uma steel guitar. John e Jeff, com violões, no mesmo microfone. Prevejo música caipira (country, folk ou como você quiser chamar). Estávamos bem próximos do palco. E começam California Stars. Apesar de estarmos na Flórida, tentei olhar pras estrelas rsrsrs Essa música é bem sentimental, é daquele disco com o Billy Bragg, é bem mais Stirrat que Tweedy. Acho fantástica.




trecho de California Stars ao vivo em St Augustine

Jeff introduziu as próximas duas músicas dizendo que tinham sido tocadas por ele e John Stirrat no último show do Uncle Tupelo, banda anterior ao Wilco, exatamente 21 anos atrás, ou seja, 1 de maio de 1994. E o show que era especial pra Juju e eu, tornava-se especial para a banda também. Tocaram We’ve Been Had (do próprio Uncle Tupelo) e Give Back The Key To My Heart, cover de Doug Sahm gravada pelo Uncle Tupelo. Começaram Misunderstood antes dos aplausos diminuírem, com voz e bandolim dedilhado até o instrumental crescer dentro da música. E a banda esticou o final instrumental, com toda cara que acabaria de vez o show. Juju e eu nos olhávamos, estricnados de alegria, contentamento, aquela sensação de meter 4x0 no Curintia em final de campeonato. Puta que o pariu. Meu caralho. É pra externar momentos assim que existem os palavrões.

Dificilmente verei um show melhor na minha vida.


OBS: como curiosidade, músicas do show por álbum: Yankee Hotel Foxtrot (6), Mermaid Avenue (4), Being There (3), The Whole Love (3), Australian EP (2), Summerteeth (2), A Ghost Is Born (2), A.M. (1), Wilco The Album (1), Sky Blue Sky (1), Outros (7).


After Show



Após quase três horas do show da vida, a adrenalina deveria baixar, mas os AFTER SHOW PASSES no meu bolso eram a porta de entrada para fortes emoções. Grudamos felizes os adesivos na roupa pra nos deixarem entrar no reservado e lá fomos nós.

Ficamos alguns minutos à frente do portão que dá acesso aos camarins. Naquela expectativa. Alguns com o adesivo do after show e vários sem o adesivo. Aglomeração típica. Uma senhora veio me perguntar como consegui e resumi dizendo “twitter”, pra parecer que houvera algum sorteio, pois não iria perder tempo explicando toda a saga. Ela fez uma cara triste de quem não usava twitter. Sorry! Eu e Juju com caras de VIP, nos sentindo VIP, sendo VIP. hahaha. Eis que o portão abriu e os seguranças só permitiram a entrada de umas quinze pessoas. E ~nóis~ no meio.

No começo foi phoda, entramos numa sala grande com bebidas, quitutes, geladeiras. E ficamos completamente deslocados sem saber como agir, pois, logo de cara, estava ali DE BOUAS, John Stirrat. Foda, véi. O cara ali, de bonézinho "Falcão" (Stallone, caminhoneiro que fazia queda de braço, lembra?), tomando um drink qualquer, conversando com umas pessoas. Porém, eu e Juju ainda ficamos, pelo menos, uns 5min parados num canto exalando timidez, rindo e pensando 'precisamos dar um jeito de falar com eles'.



deslocado, será? / shyness :D

O quê nos deixou um pouco mais a vontade é que os convidados estavam todos super civilizados, sem histerismo, sem idolatria exacerbada. E os Wilco, como já esperado, sem estrelismo, pessoas normais num bate-papo informal, como se estivéssemos no bar perto da minha casa.

Obviamente, nesses 5 minutos sem entrosamentos, notamos a falta de Jeff Tweedy no recinto. O líder da banda não costuma frequentar os after show e, convenhamos, é fácil entender o motivo. Eu mesmo não sei como lidaria com Tweedão na minha frente. E eu sou trintão, um cara sereno. Agora, imagine quantas pessoas bizarras devem aporrinhá-lo. É normal estar de saco meio cheio disso.

Enfim, estávamos com o pôster - que compramos na chegada - em mãos, porém sem canetas para pedir autógrafo. Até que um outro cara descolou uma caneta para o pôster dele e eu fiquei andando atrás. Quando ele fazia o approach, eu ia no embalo. Chegamos primeiro no Nels Cline. Achei engraçado que ao falar que éramos do Brasil, ele meio que abandonou o cara da caneta e ficou falando com a gente! Disse que esteve no Brasil, num show dentro de um hotel, etc. E eu disse que fiquei sabendo do show, acompanhei a repercussão, mas que não morava em São Paulo e não consegui ir vê-lo tocar. Dae já emendei que o Wilco não vem ao Brasil há quase 10 anos. E ele respondeu "Foi no Tim Festival né?" hahaha Sensacional ele lembrar. Quando mostrei o cartão “Is Wilco Coming To Brazil?” (alô, Mariana Neri!), perguntei se ele já tinha visto e ele respondeu entusiasmado “meu deus, é claro que sim. vocês trabalham tão duro... isso é tão especial". Um dos grandes guitarristas de todos os tempos (segundo a revista Rolling Stone, não sou só eu que acho) ali, sendo gentil, super simpático com a gente. Eu fiquei realmente boquiaberto com a recepção. Depois dessa rápida conversa pedi pra ele autografar nosso poster.




Nels é puro tamanho e gentileza. / Nels: height and kindness

O próximo Wilco que nosso amigo dono da caneta se aproximou foi o baterista Glenn Kotche. E o Glenn é aquela coisa, o Wilco galã. Juju, por exemplo, sempre confundiu Glenn e Pat (o multi-intrumentista, falaremos dele depois), nunca lembrava qual era qual, mas desde esse dia do show ela sabe que o baterista é o "bonito" (hahaha fazer o que, né). Quando falei que éramos do Brasil, Glenn apenas me abraçou. HAHA Agradeci por eles terem nos recebido e ele disse algo do tipo "vocês são incríveis por viajarem até aqui". Quando falei sobre shows no Brasil ele, super amigável, mandou “é claro que queremos, muito, mas ¯\_(ツ)_/¯” (Ele fez essa cara e gestos, de verdade). Na sequência falei mais algumas baboseiras que não me lembro e pedi pra ele autografar nosso poster.




glenn!

Depois fui pra perto do John Stirrat porque eu queria falar com ele. Ele é o John Stirrat, oras! Super ativo no twitter e eu tinha certeza que ele era um dos responsáveis por nossos after passes. Não lembro direito o quê conversamos porque... conversamos muito! Sério! Ele falou um monte de coisa! Juju veio me elogiar porque eu super conversei, consegui entender e responder, mas na verdade eu entendi no máximo uns 40% do que ele falou hehe mas como estava eufórico demais, conseguia dar sequência na conversa, emendei vários assuntos e a conversa foi fluindo. Lembro que ao falar que éramos brasileiros ele respondeu “você é o cara brasileiro!? lembro das suas mensagens”. Depois ele perguntou, por exemplo, quantos dias iríamos ficar nos EUA, se já tínhamos ido pros EUA outras vezes, disse que precisávamos conhecer St Augustine com calma porque a cidade é fantástica, falou que o downtown é incrível, que a cidade é antiga e etc. Ele é natural de New Orleans, não muito longe de St Augustine, e tem um carinho especial pela cidade. Percebi que ele fez questão de explicar que o turismo ali poderia ser bom pra gente. Quando eu disse que não teríamos tempo porque a viagem era curta e programamos visitas aos parques de Orlando, notei uma certa decepção, mas na sequência ele ficou falando pra aproveitarmos os after passes, beber um pouco com eles. Queria falar que eu não poderia beber porque estava dirigindo, que eu gostava muito do A.M, que eu gosto do Autumm Defense, mas fiquei receoso do meu inglês não dar conta. E a conversa já tinha sido épica, melhor parar por ali.


John Stirrat sendo meu amigo / John being my friend

Logo depois, o tour manager, o grande Eric Frankhouser (grande mesmo, ele é maior que eu), veio falar comigo "Você é o cara brasileiro? Tenho um poster autografado por toda banda pra você" (!!!!!!!!!!!) Chocado, eu agradeci com grande entusiasmo, meio sem entender, olhando pra Juju com aquela cara de PUTA QUE O PARIU!

Depois desse épico com John e o poster de presente, fomos falar com Mikael Jorgensen (tecladista). Foi muito rápido, basicamente tiramos foto. Ele é bem mais calado que os demais
. Achei legal que todos perguntaram qual era nossa cidade no Brasil. Não sei se é um padrão, uma forma de puxar conversa com um estranho, mas curti o interesse, expliquei tudo abusando do meu inglês arcaico.



mikael!

Aí chegou a vez de falar com o Pat Sansone (guitarra, baixo, teclado… enfim, multi-instrumentista) e foi um caso a parte! A irmã dele estava lá. E mais alguns familiares. Eles são da região, de New Orleans também, ou de St Augustine mesmo, não tenho certeza. Dias antes, Pat postou várias fotos no instagram com "good to be back" e etc. Ele deve conhecer a cidade de outros tempos, certeza. Um dos primos dele ficou falando com a gente um tempão! Disse que quando aposentar vai viajar só com uma faca e um cartão de crédito e que gostaria muito de conhecer o Brasil e a Costa Rica. Bizarro! hahaha Eu não entendia muito o quê ele falava, tinha um sotaque estranho, Juju entendeu bem e me contou depois, mas fiz cara de quem entendia e respondi algumas coisas hahaha Pat olhava com cara de quem não curtia muito aquele primo e depois também perguntou de onde éramos, falamos dos quase dez anos do show no Brasil e ele disse que tem toda a vontade de vir pra cá. Ele adorou ver o cartão do “Is Wilco Coming…” com a foto dele, foi todo pimpão mostrar pra irmã! Felizaço mesmo, gargalhando. A irmã surtou de rir, achou incrível. Ele quis tirar foto com o cartão! Figuraça.



Depois do êxtase de conversarmos com os caras dos meus discos favoritos, percebemos o nível de cansaço que estávamos e, ainda super deslocados, começamos a pensar em ir embora pro hotel. Fui lá me despedir do Wilco mais próximo, Glenn Kotche. A confiança na fluência do meu inglês estava altíssima e cheguei agradecendo de novo pela recepção, pedi pra ele agradecer o Tony Margherita (o managerzão que conseguiu tudo. Thank you, Mr Margherita!) por ter enviado os after passes. Falei mais algumas coisas que soaram como completamente desconexas, fiquei com vergonha, foi um pouco embaraçoso porque tenho certeza que soltei uma frase sem sentido, usando palavras erradas, mas enfim, pedi desculpas, falei tchau e fomos descansar.

No caminho, um veado (aqueles do trenó do papai noel), atravessou a rodovia saltando na frente do carro e quase morremos de susto. Imaginem um acidente na madrugada, em terra estrangeira, com um veado? Sorte que consegui frear, o bicho se assustou e correu pro mato.

Um final emocionante para um dia inesquecível.


Agradecimentos / Thanks:

(Mariana Neri - a @nananeri -, fica aqui registrado o meu mais sincero OBRIGADO por suas preciosas dicas. Sem tua ajuda esse after não teria acontecido. E o reconhecimento dos Wilco ao teu empenho é notório. Wilco is coming!)


(Tony Margherita, Eric Frankhouser, Nels, Glenn, John, Pat, Mikael and Jeffthanks a lot for your enthusiasm, kindness, simpathy, attention and patience. And records, of course.)

(Juju Perrella, é só você que me fascina, é só você que me ilumina, é só você que me faz delirar. S2)