quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Meu pai e a rivalidade Brasil vs Argentina

Na próxima segunda-feira meu pai completaria 63 anos de vida e o Argentina vs Brasil de hoje me fez lembrar do último superclássico que assistimos juntos, em 2009, também válido pelas Eliminatórias. Eu estava em Urânia para um feriado e foi uma das poucas vezes que vi meu pai vibrar de verdade com a seleção brasileira.

Meu pai sempre teve uma relação de amor e ódio com a seleção. Amor nos 30 segundos vibrando com os gols, ódio em todos os outros momentos. Sabem como é o futebol. E naquele jogo de 2009 era impossível não odiar a seleção: Julio César; Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luis Fabiano; treinador era o Dunga. PQP! Para pensar o quanto esse time era detestável, tirando os insípidos Luisão e Gilberto Silva, os outros jogadores eu odeio até hoje (tenho certeza que meu pai ainda odiaria todos).

Resumindo o clima do jogo de 2009, se o Brasil vencesse estaria classificado pra Copa de 2010 e a Argentina ficaria em situação complicada, quase fora. O jogo não seria no Monumental de Nuñez, seria em Rosario, estádio menor, torcida próxima do campo pra criar mais pressão, aquela velha história da catimba argentina.

Quando o jogo começou, em 30 minutos estava 2x0 pro Brasil. Tranquilos, nem lembrávamos do ódio em nossos corações. E aí a Argentina começou a pressionar muito, catimbando, Maradona de treinador sendo filmado de 5 em 5 minutos, torcida não parava de apoiar, todo aquele cenário de um time desesperado tentando
 a virada. No começo do segundo tempo os argentinos fizeram um gol, golaço, petardo de fora da área e o estádio praticamente veio abaixo. Uma loucura nas arquibancadas. 2x1.

Nos olhamos como quem diz “agora ferrou”. E o ódio voltou: “esse Dunga é retranqueiro”, “Brasil jogando como time pequeno”, “agora a Argentina vai massacrar” e alguns xingamentos. Mas aí, em menos de 5 minutos, o porra do Kaká (um dos jogadores mais odiados de todos os tempos) meteu uma bola em profundidade, daquelas impossíveis, nas costas do zagueiro, pro Luis Fabiano (outro que detestamos ad eternum) ganhar na velocidade e encobrir o goleiro. Quando a bola saiu dos pés do Kaká a gente já sabia. Levantamos do sofá, naquela expectativa típica, e o toque magistral do Luis Fabiano nos fez explodir em gritos, gestos e risadas. Golaço-aço-aço! Brasil classificado.

A vibração daquele gol demorou mais que os 30 segundos habituais e se tornou ainda mais especial depois de agosto de 2011. :(


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Tibagi e Miltinho - O Relógio (porque não paras relógio / detém o tempo eu te peço)