sábado, 27 de setembro de 2014

Eu, jogador de futebol (parte 2)

Do colegial em Jales, do ‘quase’ no Atlético-PR às quadras de futebol society.

(para ler "Eu, jogador de futebol (parte 1)", clique aqui)


Em 1997, já no colegial, fui estudar em Jales, na Cooperjales Objetivo, onde eu realmente teria que estudar. Deixei de lado o futebol de campo em Urânia e o ginásio da nova escola ainda não estava pronto. Foi um primeiro semestre de pouco futebol. Apenas um campeonato rápido na reinauguração do campinho do Clube dos Cem, em Urânia. E só. Lembro que joguei no gol e ficamos em terceiro. Nas semi-finais fechei o gol, lembro bem dessa partida. Perdemos de 1 a 0 numa bola que desviou no zagueiro quando eu defendia o gol perto da quadra.

Em 1998, o ginásio com quadra poliesportiva da escola já estava pronto. As tabelas de acrílico provocaram boas partidas de basquete. O campinho, ao lado do ginásio, também ficou pronto. E então as atividades esportivas ganharam destaque na escola. Logo rolou uma competição interclasses no fenomenal gramado do campinho. 1º Colegial A, 1º Colegial B, 2º Colegial A e 2º Colegial B. Cada time jogava duas vezes, com adversários sorteados, pra definir as semi-finais. A direção do colégio Objetivo instituiu um ranking para definir as salas. Apesar de não ter notas exemplares, ainda entrei no 2º colegial A, a sala com melhores notas e por consequência piores jogadores hahaha. Eu era o camisa 10 do time. No gol, o outro jogador do time com alguma qualidade técnica, o Fernando Gaúcho. O time era Gaúcho, eu, Carretero, Claytão (esses dois, justiça seja feita, também jogavam direitinho), Dárcio, Zupão e mais alguns que não me lembro eram suplentes.

(Campo bem conservado até hoje. No fundo, o ginásio)

Enfrentamos o favorito ao título logo de cara, o temido 2º B. O time deles tinha Bala, Thiaguinho, Cirim, Paulinho, entre outras feras que eu não lembro agora. Eram amplamente favoritos. Jogamos retrancados, pra evitar perder de goleada. No segundo tempo, o Clayton bateu uma falta com força, que explodiu na trave, a bola foi pras alturas e o goleiro, caído, tentou se levantar, mas eu pulei mais alto que os adversários (1,90m né!) e meti pra dentro de cabeça. Vibrei como nunca. Os nerds vencendo os boleiros. Saímos de campo sob aplausos. Com certeza momento top 5 da minha curta carreira haha. No jogo seguinte, jogamos contra o 1ºA, só lembro do Diego ‘Jason’, de Urânia, e do goleiro Léo no time adversário. Perdemos de 2 x 1 porquê o o Léo fechou o gol. Lembro de chutar umas três bolas difíceis e o Léo defender. Além disso, o nosso goleiro Gaúcho, apesar das frquentes grandes atuações, foi enganado pelo quique da bola e frangueou.

Na semi-final encontramos o 1ºB - lembro do palmeirense Viqueira e do Guilherminho que jogavam bem -, o único time que, achávamos, poderia fazer frente aos favoritos. E motivados por duas boas atuações, nosso time endureceu o jogo, o Gaúcho fechou o gol de novo e levamos a decisão pras penalidades após um empate sem gols. Lembro que atuei no sacrifício, havia levado um tombo feio em Urânia e estava com o pulso imobilizado. Meu pai só permitiu que eu jogasse porque o médico disse "deixa o moleque jogar, Ninão!". Nos penaltis, fui o primeiro a bater. Bola prum lado, goleiro pro outro e eu pro chão. Escorreguei na hora do chute e coloquei o peso do corpo no pulso machucado. Quase chorei de dor, mas vibrei com o gol. Os penaltis seguiram empatados até o Zupão bater e meter na trave. Perdemos felizes.

Na outra semi-final, o 1ºA surpreendeu, venceu o favorito 2ºB e foi pra final. Surpresa geral. Os dois 1ºs colegiais na final e os dois 2ºs na disputa pelo terceiro. Jogamos contra os reservas do 2ºB, porque a maioria dos titulares do ex-favorito abandonou o campeonato. Vencemos por 3 x 1 e ficamos em terceiro no campeonato, mas essa parte deve ter sido deletada do meu HD. Quem me contou foi o goleiro Fernando Gaúcho, não lembro de nada. Lembro que o Paulinho ganhou o prêmio de melhor jogador do torneio. O campeão foi o time do Viqueira e do Guilherminho.

Já em 1999, o ano do vestibular e da mudança pra Curitiba, houve um campeonato interclasses de futsal. Com a mesma base do ano anterior, não resistimos e perdemos todos os jogos, infelizmente. O primeiro jogo do campeonato foi entre o 3ºB (Bala, Cirim, Thiaguinho, Paulinho) contra o 2ºA - que era 1ºA em 98 - e por muito pouco não saiu briga, rivalidade forte entre os dois melhores times.

(ginásio da Cooperativa em evento recente)

No jogo seguinte, enfrentamos o 2ºA com o time do 3ºB torcendo pra gente. Pressão total, jogo nervoso, e até jogamos bem, mas no final levamos um gol de contra-ataque quando tentávamos empatar. Nesse jogo fiz a jogada mais bonita da minha vida futebolística. Recebi uma bola pingando do goleiro Gaúcho e dei de chaleira pra tentar driblar o adversário e sem querer a bola veio pra minha cabeça e ia querendo fugir, indo pra frente. Acompanhei a bola com a cabeça e corri pela lateral da quadra até o lado adversário, meio que equilibrando a pelota com mini-cabeçadas. Anos depois um jogador do Cruzeiro ganhou o apelido de Kérlon Foquinha por IMITAR minha jogada.

Ainda em 1999, entre novembro e dezembro, montamos uma seleçãozinha da Cooperjales Objetivo pra jogar o intercolégios da cidade no campão, tamanho oficial, grama natural, aquela coisa bonita. O time era Bala, Cirim, Thiaguinho, Paulinho, Viqueira, Guilherminho, eu, goleiros Gaúcho e Léo, entre outros que o tempo não me deixa lembrar.

Perdemos o primeiro jogo por 1x0, foi no campo do Paraíso, perto do colégio. Quem jogou no gol foi o Léo porque o Gaúcho estava se recuperando de uma luxação na mão. Meu companheiro de zaga era o Viqueira. Nosso time era de respeito, mas o adversário também. Lembro que no finalzinho do jogo o Thiaguinho cobrou uma falta na minha direção, eu estava totalmente livre e poderíamos empatar, mas a bola foi um pouco alta e não alcancei por pura falta de tempo de bola, uma pena.

No segundo jogo eu não fui, não lembro porque, Gaúcho voltou pro time e vencemos por 1x0. Portanto teríamos chances de classificação no último jogo do grupo, que seria no estádio municipal de Jales. A promessa era de jogaço, todo mundo empolgado durante a semana, mas era muito no final do ano, véspera de vestibulares para alguns, quase natal, e no sábado, dia do jogo, todos os caras de Urânia não foram jogar. Inclusive eu. Lembro que não fui porque meus tios de Curitiba chegaram naquele dia. Também lembro que o saudoso Nicão jogou no meu lugar (ele faleceu meses depois). Lembranças dos últimos tempos de colégio.

EM CURITIBA

Bom, menos de 15 dias depois eu estava de mudança para Curitiba. E no primeiro semestre de 2000, descobri uma peneira do Coritiba no campo do Capão Raso, um time amador. Eu estava com 17 anos e fui pra lá com meu pai. Recém chegados na cidade, lembro que nos perdemos pra encontrar o estádio no bairro Novo Mundo.

Chegamos lá e havia no mínimo 500 moleques. A imensa maioria das escolinhas de futebol da cidade, com treinadores e pais ao lado, aparentemente bem preparados. E eu lá, magrelão, 1,90m, vindo do interior com fome de bola, com meu pai do lado e explodindo de vontade de jogar no Palmeiras.


(campo do Capão Raso no Novo Mundo)

Apresentei RG, disse meu nome de jogo (Marcelo Urânia, claro) e minha posição de zagueiro central. Eu acreditava que jogar de zagueiro seria mais fácil pra VINGAR. E aí, aos poucos, todos foram chamados pra jogar. Várias partidas! Umas 15, pelo menos. Achei bem profissional, os treinadores pareciam atentos ao jogo e se o desempenho de algum moleque fosse abaixo do esperado, já o sacavam impiedosamente com 10 min de jogo e colocavam outro. Ao final de cada partida, escolhiam uns 3 ou 4 para continuar. Os outros apenas iam pra casa.

Acho que, principalmente pelo meu tamanho, atraí a atenção. Joguei uma partida e fiquei. Joguei mais umas 3 ou 4 e fui ficando. Na última partida do dia, quase 18h, eu estava morto de cansaço, mas com o peito estufado e empolgado pelo brilho orgulhoso no olhar do meu pai.

Lembro bem desse último jogo. Nem começou e o lateral-direito adversário avançou pela ponta do gramado para cruzar até a área. Quando o levantamento aconteceu, já me posicionei, pulei como um jogador de basquete e dei uma puta cabeçada na bola, no melhor estilo zagueirão, alçando a pelota para fora da área. Foi a glória, aquela sensação de AGORA VAI! Dei uma olhada rápida para o meu pai, que estava naquela vibração contida, encantado com o desempenho do pimpolho.

Eu estava cansado, exausto, exaurido, mas cheio de garra. No minuto seguinte à espetacular cabeçada, um contra-ataque do adversário. O mesmo filho da puta do lateral-direito pequenino e ligeiro, driblou o nosso lateral e avançou para a área, fiz a cobertura até do quarto-zagueiro (que tinha ficado no meio-campo, andando) e avancei para a marcação daquele peste ligeiro de 1,60m, no máximo.

Do mesmo jeito que cheguei para a marcação, fiquei. Levei um drible da vaca tão humilhante que, somado ao meu desgaste físico, não permitiu reação. O lazarento, após o drible, fingiu que ia cruzar e chutou para o gol, enganando ao goleiro. 1 à 0. Perdemos. Foda. E no final escolheram dois jogadores que, eu acho, foram chamados para um período de testes no CT do Coxa.

Depois disso, em 2001, treinei quase um ano numa escolinha pré-juniores do Atlético-PR, na parte de campo da Top Sports, que hoje virou um condomínio de prédios. Nesse período cheguei a pensar que talvez pudesse virar jogador profissional. Todos os jogadores pagavam uma mensalidade, mas eu não, fui chamado pra treinar porque me viram jogar society com meu primo Omar. E o treinador explicou logo no primeiro treino que, no final daquele ano, o olheiro (que aparecia de vez em quando pra analisar os treinos) chamaria pelo menos uns 6 jogadores para um treino no CT do Caju, onde treinam os profissionais, para observarem de perto e saber quem seria convocado para um período de testes.


(antiga entrada da Top Sports, quando havia campo oficial)

Esse olheiro, o Magrão, várias vezes veio perguntar coisas pra mim, num nível qual a profissão dos pais, onde estudei, time do coração etc. Eu estava achando que poderia pelo menos ser selecionado para o treino no CT principal. Mas a porra do Atlético-PR resolveu ser campeão brasileiro justamente naquele ano e o 'super teste' não aconteceu porque o elenco profissional estava em concentração total para as finais. Uma pena. Depois disso não havia mais chances de nada, já estava pra completar 19 anos e resolvi me dedicar integralmente a faculdade. haha

FUTEBOL PARA SEMPRE

Depois dessa ducha de água fria, me converti ao amadorismo por completo. Fiquei um bom tempo procurando camaradas pra brincar de futebol nas inúmeras quadras de society em Curitiba. Joguei por um bom tempo com os amigos do meu primo Omar, joguei também com um grupo do IRC (a primeira rede social?) e com o pessoal da Induscril, empresa que eu trabalhei.

E, depois de um tempão sem jogar, o Wilco (sim, a banda) me aproximou dos amigos Felipe e Edu, e assim começamos a jogar juntos com Nagueva, Alê, Sauro e outras feras. Esse grupo do society, chamado Futebol dos Broders, joga junto desde 2008, pouco depois do lançamento do Sky Blue Sky (disco do Wilco). Já faz tempo...

Hoje em dia, além de jogar no Futebol dos Broders religiosamente toda terça, disputo anualmente
a Copa CCPR, um campeonato do Clube de Criação do Paraná para integração dos designers. Não sou publicitário, mas entro como fornecedor pela empresa.
Magulitos, Copa CCPR 2012.

Aos 32, durante o sono ainda me vejo jogando no Palestra Itália.

Futebol, gosto de repetir, é a maior invenção do homem.

♪♫ OOOOEEEEEAAAAAA ♪♫