sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dias 4, 5 e 6: Barcelona, quando descobrimos a melhor cidade da viagem

Para viajar é preciso criar expectativas. Nas cidades anteriores, já esperávamos a sobriedade de Madrid enquanto Toledo, que criou expectativa pequena, nos surpreendeu de forma muito positiva. Portanto, na equação expectativa vs experiência, estávamos no lucro.

E agora em Barcelona, a capital da Catalunha seria capaz de superar nossa expectativa? Na pesquisa e elaboração do roteiro, lemos e ouvimos inúmeros elogios de várias pessoas e publicações diferentes. O quê criou uma expectativa gigantesca e, consequentemente, difícil de alcançar.


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DIA 04 (24/12/2012)

Sair de Madrid em direção a Barcelona não foi segredo pois estávamos manjando tudo sobre a grandiosa estação Atocha, onde embarcamos para Toledo dois dias antes. E, assim como o bate-e-volta à cidadezinha medieval, a viagem até a estação Sants em Barcelona é num trem futurista (ao menos pra nós brasileiros). São 600km em menos de 3 horas.

Era véspera de natal, data muito importante no calendário da família pois é também conhecida como aniversário da Juju, e - em deleite total e irrestrito - seguimos de metrô da estação Sants para a estação Universitat, super próxima ao belíssimo, modernoso e muito bem localizado Hotel JazzJá passava do meio-dia e, sedentos por comer e beber, entramos no hotel, fizemos cara de nossinhora pro conforto do quarto, jogamos as malas e vazamos pra matar a fome no fastfood do outro lado da rua, onde faturamos um óbvio sanduíchão de jámon com a cerveja mais ‘da casa’ possível.

Nessa altura do campeonato, Barcelona mais parecia literatura fantástica: o povo falando algo bizarro entre o espanhol e o francês e - o mais impossível - um metrô limpo, barato e fácil de usar!

Pois bem, devidamente saciados e muito impressionados com a perfeição da cidade, caminhamos até o Quarteirão da Discórdia, onde ficam três casas desenhadas por arquitetos rivais para três famílias rivais no começo do século passado: Casa Lleó Morera (Domènech I Montaner), Casa Amatller (Puig I Cadafalch) e a Casa Batlló (Antoni Gaudi). Uma mais bonita, doentia e frescurenta que a outra. haha Não entramos nas casas porquê o tempo era curto, apenas olhamos por fora.



Quarteirão da discórdia

Alguns quarteirões a frente, ainda na mesma avenida Passeig de Gràcia, entramos na Casa Milá (La Pedrera), um edifício construído por Gaudi no começo dos anos 1900, onde sabíamos que valeria mais a pena uma visita detalhada. Juju tirou uma quadrilhão de fotos, absolutamente assombrada com a demência criativa do arquiteto. Por 13€/pessoa (a guria cobrou errado e paguei 3€!) vasculhamos todos os cômodos da casa que, entre outras características, não possui quaisquer linhas retas na construção e o terraço ostenta chaminés esculpidas com referência ao movimento das marés. Insanidade e genialidade lado-a-lado! Do terraço da Casa Milá avistamos pela primeira vez o principal ponto turístico da cidade, a fenomenal igreja Sagrada Família (outra obra de Gaudi). De chorar de tão lindo!


Casa Mila, La Pedrera.

Já estávamos próximos das 17h, a noite começava a encobrir o sol e o frio aumentava VERTIGINOSAMENTE, então, como forma de comemorar o aniversário da Juju, escolhemos o mais amigável dos vários barzinhos com mesas na calçada do Passeig de Gràcia. Obviamente nos demos mal (quem não pesquisa sempre se fode), gastamos os tufos e ainda tivemos que aguentar a sempre desagradável fumaça de cigarro. Mas nada poderia estragar nosso dia, então decidimos ir embora depois do segundo chopp e pesquisar um bom lugar para comer bem no dia seguinte. Rumamos para o hotel e fizemos uma parada estratégica no gigantesco El Corte Inglês (um misto de Carrefour, CeA e Fnac) pra comprar vinho, milka galetitas e queijo de cabra a preços módicos (sério, muito barato), salvar o aniversário da Juju e saborear a nossa ceia de natal catalã dentro do hotel quentinho.

DIA 05 (25/12/2012)



Eis que o dia 25 amanhece e as pessoas no café da manhã estavam desejando Feliz Natal, Feliz Navidad, Merry Christmas e Bon Nadal enquanto o som ambiente do querido Hotel Jazz tocava Aimee Mann. Não tínhamos dúvida que seria um dia especial. 

A programação iniciava-se com a visita à Igreja Sagrada Familia, apenas a obra-prima de Antoni Gaudí no dia mais religioso do ano. O arquiteto trabalhou nos últimos 40 anos de vida (os últimos 15 de forma exclusiva!) na Sagrada Família. É sem dúvida o local mais excêntrico que visitamos. Tudo impressiona, desde a riqueza de detalhes na construção até o tamanho da obra como um todo. Apesar do meu lado religioso ser ínfimo, fiquei muito emocionado de estar lá e obviamente chorei lembrando meu pai e minha família. Juju também se arrepiou diante de uma construção que começou há 130 anos e deve demorar pelo menos mais 15 pra terminar. Visitamos todas as partes da igreja, incluindo um museu e o local de trabalho dos arquitetos. Clique aqui para ler o artigo na wikipedia, é bem completo, curioso e informativo. Esse vídeo aqui é rapidinho e ilustra bem a magnitude e beleza da obra.


Juju no museu, nós com a Sagrada Família ao fundo e na parte interna da igreja.

Infelizmente o tempo era curto e tivemos que sair da Sagrada Familia antes do almoço pra continuar nossas andanças. Então caminhamos um pouco e usamos ônibus para ir ao Parc Guell, pois o parque fica no pé de um morro e por metrô acabaríamos caminhando demais. Estávamos nos sentindo em casa quando chegamos ao parque, é impressionante como o transporte público funciona e como é fácil encontrar os trajetos em vários meios de pesquisa (celular, computador, livros, placas e mapas pela cidade…). Eu apenas não errei em nada e sabia tudo sobre Barcelona (~~orgulho~~). 

O Parc Guell, outra excentricidade de Gaudi (sempre ele), dessa vez patrocinada por um empresário chamado Eusebi Guell, possui logo na entrada uma fonte com um lagarto muitcho loko cuspindo água ladeado por duas casas que parecem retiradas da história do homem-biscoito (aquele do filme Shrek haha). Um trilhão e oitocentos de fotos. Exploramos toda extensão do parque e caminhamos bastante admirando a arquitetura baseada nas formas da natureza, traço típico de Gaudi. Pra quem tiver curiosidade, sempre vale a pena passar os olhos pelo artigo da wikipedia, simples e objetivo. Para descansar, comemos croassant e tomamos cerveja rodeados por ratos voadores (alguns chamam de pombas - argh!).


é nóis no parque guell

Logo em seguida partimos para o terceiro local do dia: o Parc Montjuic, numa colina próxima ao centro e de frente para o porto, onde estão apenas Fundação Miró, Castelo Montjuic, Palau Nacional, Fonte Mágica e o complexo esportivo das Olímpiadas de 1992. De cair o queixo, essa tar de Barcelona.

Nesse dia, os pontos de turismo eram distantes e usamos bastante o transporte público de Barcelona, não me canso de dizer o quanto funciona bem: saímos do Parc Guell, pegamos ônibus até um metrô qualquer que nos levaria à estação mais próxima ao Montjuic, onde pegaríamos um incrível FUNICULAR (funicuaqui-funiculá) que nos levou da estação até os pés do morro onde poderíamos, enfim, pegar um TELEFÉRICO até o Castelo Montjuic. Apenas sensacional!

curtição no funiculare

Andar no funicular já é divertido pacas, mas depois o teleférico permite uma visão absurda da cidade. Sério, Barcelona é surreal. Neymar tá certinho de jogar lá. Visitamos o Castelo Montjuic e aproveitamos bastante pra descansar do dia cansativo. Apreciamos a vista pro mar Mediterrâneo e o final de dia com um sol maravilhoso e céu azul tomando um vinho e comendo uns biscoitos enquanto refletíamos o quão sortudo somos por viver aquele momento tão sublime.

Castelo Montjuic ("montjuju")

O sol já estava raiando e não visitamos a parte das Olímpiadas nem mais nada do Parc Montjuic, apenas descemos o trajeto do teleférico a pé, apreciando as curvas e a vista linda da cidade. Uma pena não poder visitar tudo, mas o tempo é curto e voltamos pro hotel pra nos prepararmos para o jantar especial de natal e de aniversário da Juju, num restaurante pertinho do hotel, chamado La Tramoia, que havíamos consultado no sempre sensacional TripAdvisor. Faturamos uma paella deliciosa e escolhi um vinho da adega do Andrés Iniesta (jogador do Barcelona que fez o gol do título da Espanha na Copa do Mundo 2010) desejando Feliz Natal pro mundo inteiro.

DIA 06 (26/12/2012)

E chegamos no dia 26, último dia na ~melhor-adjetivo-q-vc-conhece~ Barcelona. Acordamos bem cedo (preguiçoso fica em casa hahaha) e fomos conhecer a parte antiga da cidade: Las Ramblas e Bairro Gótico. Se desse tempo, também iríamos ao Camp Nou, estádio do Barcelona.

Caminhamos por toda extensão das Ramblas - uma espécie de calçadão, onde as ruas ficam nas margens e o principal é a calçada -, desde a Praça Catalunya (próxima do hotel) até o Porto Velho, onde fica a estátua de Cristóvão Colombo apontando pro início da histórica rota até às Américas. Passamos por floriculturas, cafés, lojas, o tradicional mercado municipal La Boqueria e o Grande Teatro do Liceu até chegarmos às margens do Mediterrâneo. Fera demais. Caminhamos um pouco no chamado Porto Velho e entramos no fantástico Bairro Gótico.



Ramblas, Porto Velho e o monumento a Colombo

O Bairro Gótico é a região mais antiga de Barcelona, composta por inúmeras ruelas medievais. Visitamos a Praça São Jaime (palácio do governo e prefeitura) - onde a Juju fez xixi numa patente de 1900 e quase morreu de nojo hahaha -, a Praça Reial - onde havia uma feira de antiguidades só de véio maluco - e a assustadora Catedral de Barcelona, conhecida como Catedral de Santa Eulalia de Barcelona ou Catedral Gótica (por engano, muita gente acha que a catedral da cidade é a Sagrada Família).




feirinha na Praça Reial, o prédio do xixi medieval na Pç São Jaime
ruelas do Bairro Gótico.

E dentro da verdadeira catedral de Barcelona, o quê mais chama a atenção é o quê há ao redor do coro, aquele local privilegiado defronte ao altar principal, onde sentavam os cardeais mais importantes: construíram paredes e uma sequência de cadeiras bem grandes cheias de imagens de dança, jogos e música esculpidas nos apoios braçais e acima do apoio de cabeça. É bem tenso e assustador (quase diabólico hahaha). Bizarro. Andamos bastante pela igreja e também olhamos para as trocentas capelas nas laterais da basílica. Uma mais apavorante que a outra. Na wikipedia da Catedral de Barcelona dá pra ter uma idéia. 


Catedral de Barcelona: medo no Coro Capitular e a bela faxada principal.

Depois de nos perdermos sem rumo pelas ruelas do bairro Gótico, voltamos a caminhar pelas Ramblas no sentido inverso, subindo para o centro da cidade e nos afastando do mar. Tomamos umas cervejas num boteco que parecia bonito mas era feio haha, aquela curtição de turista. Andamos novamente em frente as casas dos arquitetos rivais e almoçamos num Burger King porque eu não aguentava mais comer sanduíche de jámon.

Já era quase duas da tarde e, portanto, havia tempo para visitar o Camp Nou, o estádio do Barcelona, onde joga Messi (e agora Neymar), onde já jogou Romário, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. Um dos maiores times do mundo em todos os tempos. Descrevi em detalhes esta aventura futebolística neste post aqui.

Na volta do estádio, o sol se esconde nas montanhas e o frio vem com força, mas ainda havia resistência e decidimos enfrentar o metrô para apreciar a igrejona Sagrada Família à noite, iluminada, pra fechar nossa estadia com chave de ouro. 


Obrigado, Barcelona!

No outro dia bem cedo, certos que Barcelona é um dos melhores lugares do mundo, fomos para o aeroporto. Chegava o dia de conhecer Paris. P-A-R-I-S.

♪♫ “There's a thing left to say before we go / We will sing that we're all in love with you” ♪♫, trecho de “Barcelona Loves You”, do grupo sueco I'm From Barcelona.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Eu quero o mundo sem sair do meu lugar

adoro essa foto
Se algo me traz caraminholas à cabeça nestes 2 anos e 2 meses é pensar que não convivi diariamente com meu pai nos seus últimos 8 anos de vida. E nunca por brigas ou desavenças, longe disso, apenas por que a vida nos leva por caminhos diferentes.

Óbvio que não há arrependimentos, amo ser quem eu sou.

Porém, o futuro do pretérito, o famoso condicional dos verbos da língua portuguesa, provoca um desassossego implacável: como seria viver ao lado de papai, mamãe e irmãozinho enquanto estive crescendo em Curitiba?

♪♫ “Eu quero a sorte de um chofer de caminhão / Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora / Sem sair do meu lugar”♪♫, trecho de “Lisbela”, autoria de Caetano Veloso e José Almino.