segunda-feira, 8 de julho de 2013

11 de maio de 2012, depois das 18h.

Apesar de totalmente esgotado por turistar durante todo o dia pela cidade mais legal do universo e o banho quente quase me desfalecer em cansaço, eu estava decidido em não repetir o fracasso da noite anterior (quando fiquei dormindo!) e, bravamente, fui bater perna pra aproveitar os famosos pubs de Londres.

♪♫ “London loves / The way you just don’t stand a chance” ♪♫ 

O destino final seria o Koko, emblemático bar na parte sul de Candem Town, mas ainda era cedo e a força de vontade para entrar em todos os pubs do caminho e experimentar todas as cervejas do mundo era ATERRADORA.


embarcando no the ship :P
Saí do hotel e me aproximei do primeiro aglomerado ébrio que avistei. Era o THE SHIP, um típico pub inglês, com todos os clichês que os bares brasileiros tentam reproduzir. Pequeno, rústico, quase tudo de madeira, um monte de penduricalho pelas paredes, uma boa diversidade de chopp, som ambiente de primeira qualidade, uns véião botequeiro e muita gente com cara de acabei-de-sair-do-trabalho tomando cerveja de pé em copos grandes e falando alto. E eu ali, encostado no balcão, ouvindo aquela profusão de sotaque inglês e me deliciando com pensamentos de “o rock inglês aqui é só rock” e "óia ondeu tô". Tomei uns quatro ou cinco chopps dos rótulos mais vendidos na Inglaterra (lembro da Carling, por exemplo), perguntei pro garçom qual o melhor horário pra entrar no Koko, consegui entender a resposta e fui conhecer o próximo bar.

♪♫ “I drunk myself blind to the sound of old T-Rex and Who’s Next” ♪♫ 

Pra escrever esse texto, descobri que o The Ship fica na divisa entre os bairros Marylebone e Fitzrovia, região tradicionalmente boêmia e infestada de bares. Procê ver como sou sortudo.



kings arms lotado
E o bairro fez juz a fama e, próximo dali - muito próximo mesmo, nem 200 metros -, entrei num bar ainda menor e muito muito cheio, o KINGS ARMS. Com raça, no meio daquele aperto, cheguei ao balcão e pedi um chopp. Saboreei calmamente observando a inglesada e o estilão clássico do pub. Não tinha muito espaço pra se movimentar mas tomei outro chopp antes de sair. Descobri depois que em Londres existem uns duzentos bares de diferentes origens chamados Kings Arms e outros vários com nome The Ship, só não sei bem o porquê.

Ainda era cedo pra ir até Camden Town e curtir o Koko, então andei até o próximo ponto de cerveja. Um bar de esquina, muito perto do Kings Arms e um pouco mais espaçoso chamado THE CROWN E SCEPTRE (curti o nome). Me aproximei do portentoso balcão, tomei um chopp da marca mais obscura, achei que estava gastando muito e ficando bêbado rápido demais, pedi uma água e fui embora.


♪♫ “Let's drink to the hard working people / Let's drink to the lowly of birth / Raise your glass to the good and the evil” ♪♫

Com a ajuda do imensurável Google Maps, caminhei um tanto quanto BORRACHO até a Portland Street (perto do All Souls Church) pra pegar um ônibus pros arredores do Koko. Morrendo de medo de me perder bêbado, desci logo depois do Regent’s Park e caminhei cerca de um quilômetro até o Koko. Fiquei deslumbrado quando avistei o luminoso roxo do KOKO. Coisa linda. Uns dez minutos na fila e logo apresentei meu passaporte pra entrar, quando o segurança constatou minha brasilidade disse rindo aos berros O QUÊ VC TÁ FAZENDO PERDIDO AQUI, MAN? Quase morri de susto com tão efusiva interação, demorei uns 5 segundos pra entender o sotaque e caí na gargalhada junto do inglês de “dois de altura por três de largura”. Depois de fazer amizade na porta, entrei pra me divertir.


 

O tal do Koko é lindo de morrer, é disparado o bar/casa de show mais bonito que já entrei. A estrutura é de um antigo teatro e dá pra ver o palco de praticamente todos os lugares. Fiquei uma meia hora andando pelo lugar ainda bem vazio. E foi enchendo, enchendo... até ficar completamente lotado. Obviamente mantive minha embriaguez ao sabor de algumas beras (dessa vez long necks).


A discotecagem até a entrada das bandas estava meio coxinha com uns clássicos do rock alternativo muito batidos (tocou até Last Nite e Take Me Out, aff). A noite era Club NME, com duas bandas novas: abertura com White Arrows e depois a sensação islandesa Retro Stefson. A primeira banda foi um saco, uma das milhares de cópias do Arctic Monkeys que assolam a Inglaterra. Depois de um intervalo curto entrou o Retro Stefson, banda que eu escutei uma música, meio doentia, chamada KIMBA. E o show surpreendeu positivamente, apesar da semelhança do vocalista com o jogador Dentinho, ex-curintia. O som é uma mistura de power/synth pop com uma certa afro-latinidade. Sim, é um tanto bizarro, principalmente pela origem nórdica. A presença de palco é alucinante e logo ganharam o público (eu incluído). Gostei bastante, aplaudi, aprovei e elogiei.



Depois do show, mais discotecagem indie rock alternas na vibe Wonka/James e inferninhos paulistanos. Eu já estava mais trôpego do que deveria e a sensação de ninguém-me-conhece-nessa-porra tomava conta, então apenas caí na gandaia! Dancei até exalar o álcool do corpo haha, fiz uns movimentos RÁRRAY pra rir sozinho e evocar um Urânia feelings. Realmente me diverti bastante.

Na volta, fiquei num ponto de ônibus cheio de jovens embriagados esperando o busão que me deixou bem próximo do hotel. Cheguei na minha cama absolutamente entregue ao sono e ao cansaço. Dormi com a roupa do corpo, de tênis e completamente extasiado.

E hoje apenas não tenho condições de evitar o elogio rasgado, uma certa apologia e quiçá até um louvor: Londres é a melhor cidade do mundo.

♪♫ “I’m lonely in London without fear / “i’m wandering round and round, nowhere to go / (...) I just happen to be here, and it’s ok.” ♪♫


eis o mapa da epopéia rock-etílica.

Trechos de “London Loves” (Blur), “You Better You Bet” (The Who), “Salt Of The Earth” (Rolling Stones) e da óbvia “London London” (Caê).

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