segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Hoje, 7 graus na capital paranaense"

O primeiro inverno em Curitiba a gente não esquece. Entramos de mala-e-cuia na capital mais fria do país no final de 1999. E quando chegamos em maio houve boatos de será o pior inverno desde 1975. E a gente ainda não sabia que os jornais do Paraná sempre falam em meados de maio que este ano será o pior inverno desde 1975. Estávamos assustados, de verdade.

Largo da Ordem em 1975.
Praça Santos Andrade e prédio da UFPR em 1975.

E num belo dia amanhecemos com temperatura de um dígito. Obviamente, nessa condição quase sub-humana meu pai foi me levar na faculdade. E um ritual se estabeleceu quando observamos um termômetro de rua marcando sete graus. Eu disse empostando a voz como um radialista: “agora, 7ºC na capital paranaense”. E rimos dentro do carro daquela temperatura congelante, numa auto-ironia pra enfrentar os pés gelados e as orelhas trincando. Repetimos essa frase por muitos e muitos anos quando avistávamos uma temperatura atroz. O recorde foi -2,5ºC, num exagerado termômetro exposto ao vento.

Hoje acordei sem camisa e vesti apenas uma blusa pra enfrentar os sete graus de Curitiba. Acostumei, acho. Mas quando avistei um termômetro, disse em voz alta, sozinho no carro, lembrando das nossas frases: “agora, 7ºC na capital paranaense”.

Saudade.

♪♫“Duvido alguém que não chore pela dor de uma saudade. Quero ver quem que não chora quando ama de verdade.” ♪♫ Trecho de “Rio de Lágrimas", autoria de Tião Carreiro, Piraci e Lourival dos Santos.