segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

This Must Be The Place

Ontem vi um filme sobre um desajustado que num certo momento da vida resolveu seus problemas psicológicos e decidiu deixar a felicidade entrar. Basicamente, o protagonista deixa de ser uma criança deprimida, que vive preso no passado, e transforma-se num adulto responsável e feliz. O ponto chave da história é o encontro e desabafo com David Byrne, líder do fantástico Talking Heads. O nome do filme é o título de uma música da banda, This Must Be The Place, que numa tradução livre poderia ser Este Deve Ser O Lugar ou Este É O Meu Lugar.

O filme nem é tão bom, pelo contrário, na verdade o filme é fraco, mas me fez pensar na música e nas mudanças que a vida nos acomete. E aí eu percebi a besteira que venho fazendo desde o falecimento do meu querido Ninão. Confundi - e ainda confundo - a dor filha da puta pela ausência do meu pai com uma impossibilidade de ser plenamente feliz. Num exemplo prático, estou defronte ao Coliseu em Roma e penso “como posso estar tão feliz aqui se meu pai faleceu”. Noutro exemplo, Palmeiras campeão na minha frente e eu penso “como posso estar tão feliz aqui se meu pai faleceu”.

Não é fácil viver com isso em mente. É um erro brutal, pois acabo culpando meu pai. E, definitivamente, ele não tem culpa se eu fico com frescura evitando ser feliz demais. Preciso mudar um pouco, como fez o tal protagonista do filme, pra sentir a dádiva da felicidade plena. Afinal de contas, é provável que um dia eu tenha um filho, o neto dos meus pais, e seria extremamente injusto - com todo mundo - deixar de ser feliz pra caraleo.

16 de fevereiro de 2013, um ano e meio sem meu pai.




Let’s Rock! David Byrne - This Must Be The Place

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