quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dia 2: Toledo, quando encontramos a Idade Média.

textos das aventuras pelo velho continente, dia a dia, cidade por cidade.
pra não esquecer dos detalhes e quem sabe ser útil para viajantes.

DIA 02 (22/12/2012)

Em nosso segundo dia no velho continente, fizemos um bate-volta até Toledo, cidadezinha medieval absolutamente encantadora que dista apenas 40 minutos (pouco mais de 70km) de Madrid em um trem super confortável. Toledo mantém preservada a “cidade murada” (centro antigo) aos pés de uma fortaleza do século III (Alcázar de Toledo) e cercada de três lados por uma curva do Rio Tejo. Toledo foi capital da Espanha durante o período visigodo (séc VI) e conhecida como a “cidade das três culturas” (séc VIII), por abrigar comunidades de judeus, muçulmanos e cristãos.

 
As colinas às margens do Rio Tejo.

Pois bem, acordamos bem cedo no hotel de Madrid e vazamos pra Atocha, a principal estação de trens da capital espanhola. Obviamente sofremos um pouco pra encontrar qual o local de embarque para outros municípios (por isso foi bom chegar com antecedência), mas o posto de informações turísticas da Renfe nos salvou. Depois da conversa em portunhol descobrimos várias placas indicativas. Dentro do trem, a sensação é de estar no futuro hahaha confortável e bem organizado, fica nítido que em 50 anos não teremos nada parecido no nosso Brasilzão véio-de-guerra. A viagem é mesmo rápida, e a paisagem ainda ajuda a passar o tempo. Chegamos na estação de Toledo debaixo de chuva fina ladeados por uma multidão de orientais.

Estação Atocha em Madrid, indo pra Toledo.

Um bus turístico e alguns táxis estavam na porta para atrair os turistas mais preguiçosos e ricos, mas eu e Juju pesquisamos e sabíamos que um ônibus de linha por €2 também nos deixaria na praça principal do centro histórico. Quando o ônibus atravessa a ponte sobre o Rio Tejo nos levando à parte antiga, dá pra ver perfeitamente o muro acompanhando a geografia acidentada da montanha com a fortaleza na parte mais alta. Por um momento tive a sensação de estar nos quadrinhos do Groo, o Errante hahaha

A "cidade murada", com a fortaleza no alto.


Desembarcamos na praça Zocodóver, marco central da cidade velha, onde está o mercado Zocodóver. Ficamos uns bons minutos apenas sem saber pra que lado ir. Tínhamos um mapa pequeno e desbotado impresso no Brasil com o nome dos lugares a visitar e esperávamos um mapa grátis da cidade, porém na praça os feirantes queriam faturar uns trocados em cima dos turistas e obviamente não gastamos com um mero mapinha e vazamos sem rumo pelas ruelas históricas da cidade.

Primeiro fomos ver o palácio fortificado Alcázar de Toledo, que era mais fácil de achar, mas tinha que pagar pra entrar e ficamos de fora apreciando a MORRUDEZ do local. Caminhamos até o mirante, na ponta da montanha, onde dava pra ver lá embaixo o Rio Tejo e do outro lado a Academia de Infantaria, formando um visual apenas do caraleo. Ignoramos o frio próximo de zero grau e o horário (nem 10h da manhã) pra saborear um chopp e apreciar a vista.

chopp maroto avistando a Academia da Infantaria de Toledo.


Completamente perdidos, caminhavámos de volta à Praça Zocodover observando as vitrines das lojas de espadas (!) quando observamos a torre da Catedral de Toledo entre as ruas (foto aqui). Coisa linda. Como não sabíamos pra onde ir, rumamos em direção à torre. Encontramos pelo caminho uma paróquia chamada San Miguel. Massa, né. Na sequência um mercado de peixes gigante e de repente surge em nossa frente aquela construção portentosa, estupenda, quase voluptuosa que a igreja católica costuma fazer. A lindíssima Catedral de Toledo, igreja primaz da Espanha. Entramos pela porta lateral (porta dos Leões), onde os moradores da cidade fazem orações e não precisa pagar, então ficamos num cercadinho minúsculo, olhamos a igreja por dentro até o guarda pedir pra gente sair.

Saímos de lá e começamos a caminhar ao léu. Pra ver no que dá. Pra contemplar mesmo, pirar errado vendo tudo aquilo. Pois Toledo era conhecida por sua tolerância religiosa e a mistura de culturas nos permite ver vários tipos de sinagogas, mesquitas e igrejas. E fica o registro de uma curiosidade histórica: quando os muçulmanos e judeus foram expulsos da cidade, os templos não foram destruídos e os cristãos começaram a usar as mesquitas e sinagogas como igrejas (mas não cheguei a ver cruz fincada em abóbada hahaha).


Conseguimos um mapa!
Em uma parte da cidade que não sabemos onde - estávamos perdidos -, finalmente encontramos um ponto de informações turísticas e conseguimos alguns mapas grátis. Peguei os mapas e disse aí fechô, lacrô, é nóis. Saímos de lá e fomos ver a Igreja de San Tomé, onde a Juju diz que viu o famoso quadro El entierro del Conde de Orgaz, do pintor radicado espanhol El Greco. Infelizmente eu não percebi tal obra haha. Depois entramos em outra igrejinha que deu até medo, de tão sombria e caindo aos pedaços. Apenas não sei qual o nome dessa igreja. Chorando de sede e com a fome começando a apertar, compramos fanta laranja num mercadinho com duas crianças orientais pulando em cima do freezer de sorvetes. hahaha Bizarro!

Já era do almoço e, aproveitando o tamanico da cidade murada, voltamos à Praça Zocodóver. Não conseguimos achar um restaurante decente (mas tem sim, nós é que bobeamos) e comemos num café meio mequetrefe. Logo depois voltamos a caminhar e desbravar os becos de Toledo. Encontramos o Palacio Arzobispal de Toledo que, governado pelas três culturas da cidade em diferentes épocas, foi crescendo e sofrendo interferência na arquitetura de cada um dos povos e é uma mistureba interessante.

Juju e o arco do Palacio Arzobispal.

Já de olho no relógio pra não perder o trem de volta à Madrid, rumamos para ver a Ponte de Alcantara, bem perto da fortaleza. Então cortamos a cidade murada pela Calle Comercio, cheia de lojas de todas as grandes marcas do mundo, até a praça Zocodóver e descemos a colina às margens do Rio Tejo. Do outro lado da ponte, na margem esquerda do Rio Tejo e já fora do centro histórico está o Castelo de San Servando, que já foi fortaleza mas hoje é um albergue da juventude e fica ao lado da Academia de Infantaria que citei durante o texto. Aos pés do castelo podemos admirar toda a beleza de Toledo, as colinas e o rio que emolduram o velho centro da cidade. Um visual que me fez lembrar os quebra-cabeças de mil peças. Fascinante.

Estava próximo da hora de voltar e após horas e horas de caminhada, queríamos descansar os pés. Então voltamos pra praça Zocodóver pra comer e beber. No caminho encontramos uma estátua de Miguel de Cervantes (autor de Dom Quixote), pois - como assim não falei disso ainda! - Toledo é a capital de La Mancha e, embora não tenha os famosos moinhos de vento celebrizados na obra de Cervantes, faz parte oficialmente da rota de D. Quixote.

Eu e o Miguel de Cervantes.

Já na praça Zocodóver, hora de descansar e tomar uma gelada. Então Juju foi atrás de uma comida típica da região, um tal de marzipã, um doce de origem árabe feito com amêndoas meio estranho que mordisquei e de pronto ignorei. haha Ficamos jacarezando na praça, olhando os turistas sentados num banquinho e esperando o ônibus. E quase perdemos o horário. Nosso trem partia pra Madrid às 18h30, mas o último buzão pra estação era bem antes, às 17h15. Por sorte fomos caminhar pra descobrir o local exato do ponto de ônibus e vimos o último horário. Muita sorte!

Como o chegamos na estação de Toledo muito antes do horário, tentamos antecipar o trem, mas sem sucesso fomos obrigados a esperar bastante. Cansados, mas felizes, era hora de voltar à Madrid e continuar nossa saga com uma certeza em mente: Toledo é legal pra caraleo!

Mais sobre a viagem:
Dias 1 e 3: Madrid, quando pisamos na Europa.
Dia 2: Toledo, quando encontramos a Idade Média.

Let’s Rock! Manic Street Preachers - Your Love Alone Is Not Enough (tocou em alguma loja quando perambulávamos pela cidade e eu pensei “tá tocando manics, pô, q massa”)

2 comentários:

juju disse...

cadêlhe as fotos?????

Rômulo Viel disse...

Ué, não são essas daí??