domingo, 8 de dezembro de 2013

Da série “Juju Ensina”: Las Meninas, Velazquez

A maioria das pessoas não estão habituadas à apreciar esculturas, pinturas, quadros em geral. Eu sou assim, por falta de costume, de incentivo, de vontade. Mas às vezes somos acometidos por uma obra de beleza surpreendente e aí, não há como fugir, até o mais chucro observador se entrega ao silencioso auto-questionamento: “será que isso é bonito mesmo?”.

Foi assim quando eu vi Juju parada diante dos três metros de altura do quadro “Las Meninas”, obra-prima do pintor espanhol Diego Velázquez. Eu fiquei ao lado, meio impaciente, mas respeitando a contemplação, olhando a pintura pra decifrar alguma malandragem e fazer uma piadinha. E ela ficou uns dois minutos ali hipnotizada, então acabei esquecendo das gracinhas, achei o quadro interessante, fiz o supracitado auto-questionamento e tentei fazer uma observação inteligente.

Las Meninas no Museu do Prado

“Que legal aquele cara lá atrás”. Esse comentário SIMPRÃO desencadeou uma aula sobre o quadro, como se Juju estivesse louca pra comentar comigo as curiosidades da pintura, mas apenas a admirava, ainda sem saber do meu interesse.

Então, segue abaixo, em tópicos, o quê "Juju Ensina" diante de Las Meninas, de Diego Velazquez:

- aquele cara em pé lá atrás que abre uma porta é um PONTO DE FUGA da pintura e traz luminosidade e, consequentemente, profundidade à cena, além de destacar a menina personagem central da pintura.


- o pintor que aparece no quadro é um auto-retrato de Velazquez.

- Velazquez é um notável retratista (talvez o maior de todos) e trabalhou como principal artista da corte do rei Filipe IV da Espanha (é o rei que aparece no espelho ao fundo).

- há uma estátua de Velazquez na frente da porta principal do Museu do Prado.

- na cena aparece a família do Rei Filipe IV, para conhecer os personagens clique aqui.

- a principal teoria diz que o casal no espelho (Rei Filipe IV e sua esposa Mariana) está entrando na sala, por isso a imagem no espelho é desfocada, como se o casal estivesse em movimento, o quê atrai a atenção de todos na cena. a visão do casal real é muito próxima a do espectador vendo o quadro.

- outra teoria diz que a visão de quem vê o quadro é a mesma do casal real que está posando para Velazquez. e o trabalho do pintor revela-se no espelho lá atrás.


- Velazquez é um pintor barroco e, portanto, historiadores analisam o quadro até hoje procurando mensagens subliminares (há várias teorias mirabolantes clicando aqui).

- Velazquez terminou o quadro em 1656!

- Velazquez resolve com grande habilidade os problemas de composição dos espaços: o ponto de fuga luminoso no fundo, o pequeno espelho, o ambiente virtual (o “ar” da sala) e ainda a luz dourada nas crianças e na anã (sim, há uma anã).


- o cômodo que aparece na pintura é o local de trabalho de Velazquez, dentro do antigo Alcazar de Madrid.

- a história de preservação do quadro é interessante: manteve-se em bom estado após o incêndio que destruiu o Alcazar de Madrid (onde a obra foi produzida), depois manteve-se no Palácio do Oriente (construído no mesmo local do Alcazar) até ser transferido para o Museu do Prado, onde foi restaurado em 1984 e permanece até hoje.



Juju e o Palácio do Oriente construído onde era o Alcazar de Madrid

♫  Jorge Drexler - La Trama Y El Desenlace ♫ 
"Camino por Madrid en tu compañía, / Mi mano en tu cintura, / Copiando a tu mano en la cintura mía (...)

domingo, 10 de novembro de 2013

Sete passos para aproveitar ao máximo uma grande viagem


Pra fazer uma viagem longa (Europa e Estados Unidos, normalmente) é preciso ter consciência do privilégio e não medir esforços para aproveitar ao máximo a raríssima e magnífica oportunidade. É quase uma questão ética deixar a preguiça de lado e valorizar o quê a vida lhe oferece.

Passo 1: Definir onde e porquê, quais cidades e por quais motivos. O quê te traz curiosidade e disposição para gastar os tufos e quase morrer de cansaço em tão poucos dias? Valor histórico, música, esportes, cinema, pontos turísticos clássicos, religião, costumes, gastronomia, arquitetura, geografia, família, romantismo? Pense que a ajuda de um bom agente de viagem pode ser útil nessa fase (procure referências de amigos ou familiares pra definir uma agência).

Passo 2: Na primeira oportunidade após definir quais cidades que você pretende conhecer, abra um arquivo no Word (ou seu editor de texto preferido, online ou offline) e coloque as cidades e as datas da viagem.

Passo 3: Iniciar uma pesquisa detalhada (o mais detalhado possível) de todos os pontos turísticos de todas as cidades: desde programas de turismo da Multishow e Band, sites especializados, revistas, livros, vídeos no Youtube até infos de quem já viveu ou viajou na Europa/EUA. Essa fase é a mais importante pra aproveitar uma viagem.

Passo 4: Anote tudo que vê, lê e ouve nesse arquivo aberto no Word/Google Drive, pra ter condições de avaliar quais os melhores lugares para visitar (tudo não dá, né) nos poucos dias em cada cidade.

Passo 5: A partir da análise, escolher os pontos turísticos que pretende visitar. Sempre atente a possibilidade de aumentar ou diminuir o número de atrações de acordo com a mobilidade de cada cidade.

Passo 6: Com a quantidade de atrações mais-ou-menos definida, partimos para o querido e fantástico Google Maps/Street View afim de montar um roteiro entre os pontos turísticos escolhidos, os hotéis e aeroportos ou estações de trem de cada cidade. Assim, o turista evita desperdício de tempo nos deslocamentos e descobre a melhor maneira de utilizar os ônibus, metrôs, bicicletas ou barcos.

Passo 7: Testar e aprender a usar a maior dádiva que o mundo já viu: TripAdvisor no celular. Apenas mapa com GPS e dicas dos usuários de hotéis, atrações, restaurantes, etc. Tudo offline. Imprescindível para qualquer viagem. É muito importante utilizar a tecnologia pra evitar os desgastes desnecessários de quem viajava antes dos anos 2000. Se vc for rico e puder gastar com internet 3G/4G, dá pra usar o Google Maps ou outras trocentas ferramentas no smartphone.

Divirta-se!


  The Beatles - Magical Mystery Tour  

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dias 4, 5 e 6: Barcelona, quando descobrimos a melhor cidade da viagem

Para viajar é preciso criar expectativas. Nas cidades anteriores, já esperávamos a sobriedade de Madrid enquanto Toledo, que criou expectativa pequena, nos surpreendeu de forma muito positiva. Portanto, na equação expectativa vs experiência, estávamos no lucro.

E agora em Barcelona, a capital da Catalunha seria capaz de superar nossa expectativa? Na pesquisa e elaboração do roteiro, lemos e ouvimos inúmeros elogios de várias pessoas e publicações diferentes. O quê criou uma expectativa gigantesca e, consequentemente, difícil de alcançar.


Clique nas fotos para ampliar

DIA 04 (24/12/2012)

Sair de Madrid em direção a Barcelona não foi segredo pois estávamos manjando tudo sobre a grandiosa estação Atocha, onde embarcamos para Toledo dois dias antes. E, assim como o bate-e-volta à cidadezinha medieval, a viagem até a estação Sants em Barcelona é num trem futurista (ao menos pra nós brasileiros). São 600km em menos de 3 horas.

Era véspera de natal, data muito importante no calendário da família pois é também conhecida como aniversário da Juju, e - em deleite total e irrestrito - seguimos de metrô da estação Sants para a estação Universitat, super próxima ao belíssimo, modernoso e muito bem localizado Hotel JazzJá passava do meio-dia e, sedentos por comer e beber, entramos no hotel, fizemos cara de nossinhora pro conforto do quarto, jogamos as malas e vazamos pra matar a fome no fastfood do outro lado da rua, onde faturamos um óbvio sanduíchão de jámon com a cerveja mais ‘da casa’ possível.

Nessa altura do campeonato, Barcelona mais parecia literatura fantástica: o povo falando algo bizarro entre o espanhol e o francês e - o mais impossível - um metrô limpo, barato e fácil de usar!

Pois bem, devidamente saciados e muito impressionados com a perfeição da cidade, caminhamos até o Quarteirão da Discórdia, onde ficam três casas desenhadas por arquitetos rivais para três famílias rivais no começo do século passado: Casa Lleó Morera (Domènech I Montaner), Casa Amatller (Puig I Cadafalch) e a Casa Batlló (Antoni Gaudi). Uma mais bonita, doentia e frescurenta que a outra. haha Não entramos nas casas porquê o tempo era curto, apenas olhamos por fora.



Quarteirão da discórdia

Alguns quarteirões a frente, ainda na mesma avenida Passeig de Gràcia, entramos na Casa Milá (La Pedrera), um edifício construído por Gaudi no começo dos anos 1900, onde sabíamos que valeria mais a pena uma visita detalhada. Juju tirou uma quadrilhão de fotos, absolutamente assombrada com a demência criativa do arquiteto. Por 13€/pessoa (a guria cobrou errado e paguei 3€!) vasculhamos todos os cômodos da casa que, entre outras características, não possui quaisquer linhas retas na construção e o terraço ostenta chaminés esculpidas com referência ao movimento das marés. Insanidade e genialidade lado-a-lado! Do terraço da Casa Milá avistamos pela primeira vez o principal ponto turístico da cidade, a fenomenal igreja Sagrada Família (outra obra de Gaudi). De chorar de tão lindo!


Casa Mila, La Pedrera.

Já estávamos próximos das 17h, a noite começava a encobrir o sol e o frio aumentava VERTIGINOSAMENTE, então, como forma de comemorar o aniversário da Juju, escolhemos o mais amigável dos vários barzinhos com mesas na calçada do Passeig de Gràcia. Obviamente nos demos mal (quem não pesquisa sempre se fode), gastamos os tufos e ainda tivemos que aguentar a sempre desagradável fumaça de cigarro. Mas nada poderia estragar nosso dia, então decidimos ir embora depois do segundo chopp e pesquisar um bom lugar para comer bem no dia seguinte. Rumamos para o hotel e fizemos uma parada estratégica no gigantesco El Corte Inglês (um misto de Carrefour, CeA e Fnac) pra comprar vinho, milka galetitas e queijo de cabra a preços módicos (sério, muito barato), salvar o aniversário da Juju e saborear a nossa ceia de natal catalã dentro do hotel quentinho.

DIA 05 (25/12/2012)



Eis que o dia 25 amanhece e as pessoas no café da manhã estavam desejando Feliz Natal, Feliz Navidad, Merry Christmas e Bon Nadal enquanto o som ambiente do querido Hotel Jazz tocava Aimee Mann. Não tínhamos dúvida que seria um dia especial. 

A programação iniciava-se com a visita à Igreja Sagrada Familia, apenas a obra-prima de Antoni Gaudí no dia mais religioso do ano. O arquiteto trabalhou nos últimos 40 anos de vida (os últimos 15 de forma exclusiva!) na Sagrada Família. É sem dúvida o local mais excêntrico que visitamos. Tudo impressiona, desde a riqueza de detalhes na construção até o tamanho da obra como um todo. Apesar do meu lado religioso ser ínfimo, fiquei muito emocionado de estar lá e obviamente chorei lembrando meu pai e minha família. Juju também se arrepiou diante de uma construção que começou há 130 anos e deve demorar pelo menos mais 15 pra terminar. Visitamos todas as partes da igreja, incluindo um museu e o local de trabalho dos arquitetos. Clique aqui para ler o artigo na wikipedia, é bem completo, curioso e informativo. Esse vídeo aqui é rapidinho e ilustra bem a magnitude e beleza da obra.


Juju no museu, nós com a Sagrada Família ao fundo e na parte interna da igreja.

Infelizmente o tempo era curto e tivemos que sair da Sagrada Familia antes do almoço pra continuar nossas andanças. Então caminhamos um pouco e usamos ônibus para ir ao Parc Guell, pois o parque fica no pé de um morro e por metrô acabaríamos caminhando demais. Estávamos nos sentindo em casa quando chegamos ao parque, é impressionante como o transporte público funciona e como é fácil encontrar os trajetos em vários meios de pesquisa (celular, computador, livros, placas e mapas pela cidade…). Eu apenas não errei em nada e sabia tudo sobre Barcelona (~~orgulho~~). 

O Parc Guell, outra excentricidade de Gaudi (sempre ele), dessa vez patrocinada por um empresário chamado Eusebi Guell, possui logo na entrada uma fonte com um lagarto muitcho loko cuspindo água ladeado por duas casas que parecem retiradas da história do homem-biscoito (aquele do filme Shrek haha). Um trilhão e oitocentos de fotos. Exploramos toda extensão do parque e caminhamos bastante admirando a arquitetura baseada nas formas da natureza, traço típico de Gaudi. Pra quem tiver curiosidade, sempre vale a pena passar os olhos pelo artigo da wikipedia, simples e objetivo. Para descansar, comemos croassant e tomamos cerveja rodeados por ratos voadores (alguns chamam de pombas - argh!).


é nóis no parque guell

Logo em seguida partimos para o terceiro local do dia: o Parc Montjuic, numa colina próxima ao centro e de frente para o porto, onde estão apenas Fundação Miró, Castelo Montjuic, Palau Nacional, Fonte Mágica e o complexo esportivo das Olímpiadas de 1992. De cair o queixo, essa tar de Barcelona.

Nesse dia, os pontos de turismo eram distantes e usamos bastante o transporte público de Barcelona, não me canso de dizer o quanto funciona bem: saímos do Parc Guell, pegamos ônibus até um metrô qualquer que nos levaria à estação mais próxima ao Montjuic, onde pegaríamos um incrível FUNICULAR (funicuaqui-funiculá) que nos levou da estação até os pés do morro onde poderíamos, enfim, pegar um TELEFÉRICO até o Castelo Montjuic. Apenas sensacional!

curtição no funiculare

Andar no funicular já é divertido pacas, mas depois o teleférico permite uma visão absurda da cidade. Sério, Barcelona é surreal. Neymar tá certinho de jogar lá. Visitamos o Castelo Montjuic e aproveitamos bastante pra descansar do dia cansativo. Apreciamos a vista pro mar Mediterrâneo e o final de dia com um sol maravilhoso e céu azul tomando um vinho e comendo uns biscoitos enquanto refletíamos o quão sortudo somos por viver aquele momento tão sublime.

Castelo Montjuic ("montjuju")

O sol já estava raiando e não visitamos a parte das Olímpiadas nem mais nada do Parc Montjuic, apenas descemos o trajeto do teleférico a pé, apreciando as curvas e a vista linda da cidade. Uma pena não poder visitar tudo, mas o tempo é curto e voltamos pro hotel pra nos prepararmos para o jantar especial de natal e de aniversário da Juju, num restaurante pertinho do hotel, chamado La Tramoia, que havíamos consultado no sempre sensacional TripAdvisor. Faturamos uma paella deliciosa e escolhi um vinho da adega do Andrés Iniesta (jogador do Barcelona que fez o gol do título da Espanha na Copa do Mundo 2010) desejando Feliz Natal pro mundo inteiro.

DIA 06 (26/12/2012)

E chegamos no dia 26, último dia na ~melhor-adjetivo-q-vc-conhece~ Barcelona. Acordamos bem cedo (preguiçoso fica em casa hahaha) e fomos conhecer a parte antiga da cidade: Las Ramblas e Bairro Gótico. Se desse tempo, também iríamos ao Camp Nou, estádio do Barcelona.

Caminhamos por toda extensão das Ramblas - uma espécie de calçadão, onde as ruas ficam nas margens e o principal é a calçada -, desde a Praça Catalunya (próxima do hotel) até o Porto Velho, onde fica a estátua de Cristóvão Colombo apontando pro início da histórica rota até às Américas. Passamos por floriculturas, cafés, lojas, o tradicional mercado municipal La Boqueria e o Grande Teatro do Liceu até chegarmos às margens do Mediterrâneo. Fera demais. Caminhamos um pouco no chamado Porto Velho e entramos no fantástico Bairro Gótico.



Ramblas, Porto Velho e o monumento a Colombo

O Bairro Gótico é a região mais antiga de Barcelona, composta por inúmeras ruelas medievais. Visitamos a Praça São Jaime (palácio do governo e prefeitura) - onde a Juju fez xixi numa patente de 1900 e quase morreu de nojo hahaha -, a Praça Reial - onde havia uma feira de antiguidades só de véio maluco - e a assustadora Catedral de Barcelona, conhecida como Catedral de Santa Eulalia de Barcelona ou Catedral Gótica (por engano, muita gente acha que a catedral da cidade é a Sagrada Família).




feirinha na Praça Reial, o prédio do xixi medieval na Pç São Jaime
ruelas do Bairro Gótico.

E dentro da verdadeira catedral de Barcelona, o quê mais chama a atenção é o quê há ao redor do coro, aquele local privilegiado defronte ao altar principal, onde sentavam os cardeais mais importantes: construíram paredes e uma sequência de cadeiras bem grandes cheias de imagens de dança, jogos e música esculpidas nos apoios braçais e acima do apoio de cabeça. É bem tenso e assustador (quase diabólico hahaha). Bizarro. Andamos bastante pela igreja e também olhamos para as trocentas capelas nas laterais da basílica. Uma mais apavorante que a outra. Na wikipedia da Catedral de Barcelona dá pra ter uma idéia. 


Catedral de Barcelona: medo no Coro Capitular e a bela faxada principal.

Depois de nos perdermos sem rumo pelas ruelas do bairro Gótico, voltamos a caminhar pelas Ramblas no sentido inverso, subindo para o centro da cidade e nos afastando do mar. Tomamos umas cervejas num boteco que parecia bonito mas era feio haha, aquela curtição de turista. Andamos novamente em frente as casas dos arquitetos rivais e almoçamos num Burger King porque eu não aguentava mais comer sanduíche de jámon.

Já era quase duas da tarde e, portanto, havia tempo para visitar o Camp Nou, o estádio do Barcelona, onde joga Messi (e agora Neymar), onde já jogou Romário, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. Um dos maiores times do mundo em todos os tempos. Descrevi em detalhes esta aventura futebolística neste post aqui.

Na volta do estádio, o sol se esconde nas montanhas e o frio vem com força, mas ainda havia resistência e decidimos enfrentar o metrô para apreciar a igrejona Sagrada Família à noite, iluminada, pra fechar nossa estadia com chave de ouro. 


Obrigado, Barcelona!

No outro dia bem cedo, certos que Barcelona é um dos melhores lugares do mundo, fomos para o aeroporto. Chegava o dia de conhecer Paris. P-A-R-I-S.

♪♫ “There's a thing left to say before we go / We will sing that we're all in love with you” ♪♫, trecho de “Barcelona Loves You”, do grupo sueco I'm From Barcelona.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Eu quero o mundo sem sair do meu lugar

adoro essa foto
Se algo me traz caraminholas à cabeça nestes 2 anos e 2 meses é pensar que não convivi diariamente com meu pai nos seus últimos 8 anos de vida. E nunca por brigas ou desavenças, longe disso, apenas por que a vida nos leva por caminhos diferentes.

Óbvio que não há arrependimentos, amo ser quem eu sou.

Porém, o futuro do pretérito, o famoso condicional dos verbos da língua portuguesa, provoca um desassossego implacável: como seria viver ao lado de papai, mamãe e irmãozinho enquanto estive crescendo em Curitiba?

♪♫ “Eu quero a sorte de um chofer de caminhão / Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora / Sem sair do meu lugar”♪♫, trecho de “Lisbela”, autoria de Caetano Veloso e José Almino.

domingo, 22 de setembro de 2013

TOP 5 Cervejas da Viagem

To Beer Or Not To Beer

Tomamos o máximo de cervejas que conseguimos, essa é a verdade. Os vinhos muito baratos e a água que tomamos vez ou outra atrapalharam um consumo maior, mas dá pra dizer que fiquei satisfeito. Então segue abaixo um Top 5 que virou Top 7 e depois virou listagem de todas as cervejas que eu lembro que tomamos.

1 Birra Venezia Bianca: quando vi que era uma cervejaria de Veneza, apenas não resisti. É de trigo e tem sabor frutado, a melhor escolha da viagem! Super parecida com a Hoegaarden.

2 Le Bierre du Demon: tomei andando por Roma. Entrei no mercado, vi o rótulo e gostei de provocar o Vaticano. Amarga pra cacete, densa, marronzona e super forte (12%). Do capeta!

3 G. Menabrea e Figli: só sei que tomei o rótulo de aniversário de 150 anos da cervejaria pra comemorar meu aniversário de 30 anos e curti demais.

4 Birra Venezia Rossa: irmã da melhor cerveja da viagem, então apenas experimentei a versão bock, já que o frio estava próximo de 0ºC. boa demais, mas eu estava meio borracho quando bebi.

5 San Miguel: cerveja normalzona tipo Antarctica, ótimo matar a sede nesse clássico espanhol. E vale também por ter o nome do meu pai.

6 Birra Moretti: um clássico italiano, é a Brahma deles e possui um dos rótulos mais bonitos do mundo. Tomei várias!


7 Estrella Galicia: uma Antarctica nascida na Espanha, curti tomar durante o almoço.


Venezia Rossa à esquerda e Le Bierre Du Demon à direita

8 Peroni: uma Skol nascida na Itália, normalzona. No Vaticano, dei “um gole pro santo” na forma mais literal possível.

9 La Goudale: comprei uma francesa no supermercado e tomei quente porque não consegui esperar. Achei doce, mas cometi um erro brutal, né, cerveja quente é ruim até em Paris.

10 Estrella Damn: não lembro detalhes haha mas não pode ser pior que as outras abaixo.

11 Kronenbourg: tomei uma latona de 500ml perto da Catedral de Notre-Dame. Queria uma pra matar a sede e acertei na mosca. Quase uma sub-zero, só vale na hora certa.

12 Peroni Nastro Azurro: curti pq tomei na Itália, mas é fraca, lembrei da Kaiser.

13 Cruz Campo: a primeira cerveja na viagem, mas não curti, achei terrível, pilsenzona das piores. 


 
Vinho vs Cerveja à esquerda, Gole de Peroni pro Vaticano à direita.

♪♫ "All I want to do is drink beer for breakfast/All I want to eat is them barbecue chips" ♪♫, trecho de “Beer For Breakfast”, do The Replacements.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

TOP 5 Estádios da Europa, 1º lugar: Stamford Bridge

Apenas não poderia perder a oportunidade de conhecer os templos do futebol que devotamente acompanho pela TV praticamente todos os dias. E como eu gosto de fazer listas, surgiu um top 5.

Deixei o Esprit Arena do Fortuna Dusseldorf de fora da lista, apesar de magnífico, pois não fiz a tour completa do estádio, apenas entrei e olhei as arquibancadas. Coloquei o San Siro em quinto, pois - perto dos outros estádios que visitei - está ultrapassado. Entre o quarto, terceiro e segundo, empate técnico entre o Emirates Stadium (Arsenal), Santiago Bernabeu (Real Madrid) e Camp Nou (Barcelona) pois eu sempre tenho vontade de trocar a ordem. E em primeiro...

1 Stamford Bridge, do Chelsea.
Maio/2012, Londres, Inglaterra.


Esse dia foi massa. Havia saído há pouco do Emirates Stadium - novo, grande e moderno, do tradicional e multicampeão Arsenal - e rumado pelos metrôs direto para o Stamford Bridge - estádio menor, construído em 1897 e casa do novo-rico-porém-(ainda)sem-tradição-de-títulos Chelsea.


clique nas fotos para ampliar
E o contraste foi intencional, pra sentir na pele - no verdadeiro país do futebol - a realidade de duas torcidas completamente diferentes. E fiquei fascinado pelo Stamford Bridge. Primeiro porque o bairro parece abraçar o estádio. Quando desci na Fulham Broadway Station, fui guiado por instinto. Na boa, a região exala futebol. Há uma sequência de lojas, prédios, casas e, de repente, um estádio de futebol pra quarenta mil pessoas. Não é como nos outros estádios que avistamos de longe aquele monstro de concreto. O Stamford Bridge faz, naturalmente, parte da paisagem. E segundo porque o estádio parece abraçar o torcedor. O principal portão de acesso pra entrada de torcedores no terreno do estádio (Britannia Gate) deve ter uns 15 metros de largura. É entrar, ver a clássica plaquinha do próximo jogo e... imergir no mundo do Chelsea.

Dei a volta no estádio seguindo as placas de Museum & Stadium Tours e logo avistei a loja oficial. Comprei meu ticket e felizão aguardei bem pouco para formar um pequeno grupo de visitantes. A guia da tour nos reuniu, fez uma saudação calorosa agradecendo a presença de todos e lembrou-nos com absoluta empolgação que estávamos há poucos dias da decisão da Champions League (e o Chelsea ganhou) antes de entrarmos no túnel azul que levava pra fora da loja e entrada no estádio. Sério, legal demais sentir-se bem vindo, recepção nota dez. Os funcionários do Chelsea pareciam realmente felizes com a visita - sem ser forçado. Postura muito interessante.


tapete verde muito perto da arquibancada (foto 1); tiazinha gente boa (foto 2) 

A guia era uma tiazinha torcedora fanática do Chelsea e parecia verdadeiramente satisfeita por estarmos ali. E isso conta muito pro visitante. Ela explicava a história do Chelsea num espontâneo e contagiante entusiasmo. Fruto dos anos sob a grana do Abramovich ou a expectativa pela Champions? Os dois, né. A guia perguntou a origem e o clube de coração de todos os quase 20 visitantes do grupo. Mais da metade da turma era de orientais, mas havia húngaros, tchecos, romenos, alemães, peruanos, portugueses e alguns ingleses do interior. Fui o último a falar, logo depois dos empolgados ingleses e dos peruanos, estufei o peito pra dizer rapidamente o quê já tinha decorado mentalmente: i'm from brasil. my city is urânia in são paulo state, but i live in curitiba, capital of parana state, in south of brazil. and im palmeiras fan.  hahahahahahahahaha Acredite, falei bem próximo disso. E ela respondeu algo como “brazil! palmeiras! nice, thank you”

Visitamos vários lados das arquibancadas e o dia de sol permitiu várias fotos boas. Nos bastidores do estádio visitamos a sala de imprensa e praticamente todos fizeram graça na mesa de entrevistas que o Chelsea mantém há mais de 20 anos no mesmo lugar. 

te cuida, mourinho!

No vestiário, mais um caralhão de fotos, sempre com explicações detalhadas da guia. Em seguida, o ponto alto da visita numa parada estratégica no túnel de entrada para o gramado, onde há alto-falantes para imitar os gritos da torcida antes dos times (no caso, nós visitantes) entrarem em campo. A guia então pede pra formar fila como se fossemos dois times. E pede movimentos de aquecimento e gritos motivacionais como se fossemos jogadores antes de entrar pro jogo. IMAGINE O QUANTO EU SURTEI DE ENTUSIASMO. Entrei no cercadinho à beira do gramado to-ma-do pela insanidade, rindo gargalhadas com os braços erguidos (nesse vídeo a gente vê um grupo em situação parecida, porém sem tanta empolgação). 


túnel pra entrar no campo (foto 1); camisa Ferreira 19 no vestiário (foto 2);
eu no banco de reservas (foto 3) e jóinha no gramado (foto 4).

Depois desse clímax inesquecível, ainda entramos e saímos dos bastidores para outros setores das arquibancadas e ouvimos explicações sobre o gramado, reformas, localização das câmeras de televisão, fatos históricos... Quando terminou a visita ao estádio, partimos pro museu. Com o jogo ganho, o museu parece fantástico, mas na verdade não tem nada de diferente dos outros com alguns touch-screens, cineminha, fotos, homenagens, troféus, camisas, chuteiras, maquetes...

O Stamford Bridge, o Chelsea, o Abramovich e cia ganharam a simpatia deste inveterado palmeirense. Acho que agora tenho um segundo time.

Para conferir o Top 5 sobre estádios europeus, clique aqui.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

TOP 5 Estádios da Europa, 2º lugar: Camp Nou

Apenas não poderia perder a oportunidade de conhecer os templos do futebol que devotamente acompanho pela TV praticamente todos os dias. E como eu gosto da fazer listas... eis aqui o número dois:

2 Camp Nou, do Barcelona
Dezembro/2012, Barcelona, Espanha.


Caminhamos por uma avenida larga entre o metrô e a entrada do estádio. Quando se avista o tamanho das arquibancadas, sempre impressiona. Logo de cara há loja, restaurante e bilheteria, onde comprei o ticket para a Camp Nou Experience 
(23€ adulto, facada). Dessa vez Juju preferiu ficar de fora. Já portando as entradas, tiramos algumas fotos para a posteridade. E entrei feliz da vida.

clique nas fotos para ampliar
Sem guia turístico, o visitante caminha seguindo placas indicativas. Sala para entrevistas coletivas, local para entrevistas pós-jogo, salas de reuniões e vestiários, não pode entrar, é tudo visto de passagem. Até que chegamos no corredor que dá acesso ao campo. Véio, que bonito aquelas arquibancadas altas e o clássico MÉS QUE UN CLUB em letras mais que garrafais. Uma pena que o acesso aos bancos de reservas é fechado e não pude sentar lá pra sentir o gostinho de ser jogador. Obviamente interpelei um gringo pra tirar umas fotos. E aí começamos a subir, acesso super restrito às cadeiras na arquibancada, mas logo chegamos nas cabines de transmissão. Muito alto e íngrime, passível de vertigem. Era proibido se aproximar do vidro (meio perigoso cair né), mas não me contive e fui tirar uma foto lá pertinho. Interpelei um japa fotógrafo e fui me posicionar. Então me desequilibrei, quase cai e em seguida percebi que NÃO TINHA VIDRO ali onde eu estava e eu realmente poderia ter morrido (portanto, vale respeitar as placas de perigo).

 

No caminho pro museu os turistas passam pelo lado de fora do estádio, numa espécie de mirante. Cara, que cidade bonita. Vai se fuder. Um milhão de fotos depois, chegamos no museu. Disparado o museu mais legal de todos os estádios que visitei. Pena que a visita ao estádio não é guiada, seria fantástico. O museu é muito high-tech, cheio dos vídeos com touch-screen, painéis grandes, interatividade parece regra. E uma lista de todos os jogadores da história ordenados por país. Além, é claro, da exposição dos inúmeros troféus e das bolas de ouro de melhor jogador do mundo (as quatro do Messi, por exemplo, quando eu visitei ainda eram três). Sério, muito foda.



troféus (foto 1); touch-screens (foto 2);
romário-ronaldo-rivaldo (foto 3); bola de ouro do Messi (foto 4).

Pra sair, uma passarela que faz o acesso do estádio direto pra loja. Resisti bravamente, não comprei nada e fui embora pensando “será que aos 30 ainda dá pra ser jogador profissional?”.

Para conferir o Top 5 sobre estádios europeus, clique aqui.