segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ressurreição

É bem provável que tenha sido influência do feriado de Páscoa somada à insônia do final de domingo assistindo Alcatraz (seriado sobre os presos da famosa prisão que reaparecem em 2012), mas eu estava dormindo num apartamento gigante que não tinha porta entre a escadaria do prédio e os cômodos, então eu ouvia barulhos das pessoas descendo e subindo as escadas e tinha dificuldade pra dormir. 

Já bem no meio da noite quando finalmente consegui pegar no sono, ouço barulho de máquina de escrever e acordo um tanto amedrontado. Ainda com os olhos fechados, tento descobrir de onde vem o barulho. Era da sala e a Juju foi verificar o quê era. Ela voltou pro quarto como se atendesse ao pedido de alguém. Achei estranho, mas ela deitou tranquila e voltou a dormir. Em seguida, ouvi outro barulho na sala, mas não vinha da máquina de escrever. Levantei pra checar. Cheguei na sala e meu pai estava deitado no sofá com a mão direita sobre a testa, na  posição clássica pra ‘assistir’ Globo Esporte e acordar no final do Jornal Hoje.

Incrédulo, pasmo, emocionado, trêmulo e entusiasmado, perguntei “o quê é isso?!”, “como você está aqui?!”. E meu pai não sabia responder e apenas nos abraçávamos e chorávamos, com força e saudade. Repeti as perguntas, perguntei se aquilo estava realmente acontecendo, “mas vc ñ tinha morrido?!”, “nesse meio tempo você estava lá meio que dormindo?!” e meu pai, também sem entender bulhufas do quê estava acontecendo ou como tinha chegado ali, mantinha-se deitado no sofá, limpando os olhos como se acabasse de acordar.

“Espera que vou avisar a Juju e chamar a mamãe e o Michel”. Entrei no quarto dizendo pra Juju ficar susse que não era ladrão, era meu pai. Ela respondeu ok sem abrir os olhos, totalmente sonolenta, e virou pro outro lado da cama.

Cheguei no quarto da mamãe e do Michel, mas não consegui acordar o Michel que dormia feito pedra. Acordei minha mãe e a levei pra sala, tentando acalmá-la no meio do caminho, dizendo pra ela não se assustar, que estava tudo bem, que era tudo de verdade. Quando ela viu o quê estava acontecendo, olhou pra mim assustadíssima, correu em direção ao meu pai e ajoelhou-se perto do sofá com o braço na barriga do meu pai e, tentando encontrar alguma pista que deflagrasse uma pegadinha, revirou uns papéis ao alcance das mãos como se houvesse a inscrição “isto não é real” em algum lugar. Não achou nada e, meio estabanada, olhou pro meu pai e disse “marido, você tá aqui de verdade?!” e começou a chorar copiosamente dizendo que tinha gasto pouco telefone nesse tempo todo.

Aí escutei um barulho no banheiro. Fui ver o quê era e o Michel - com fisionomia de 10 anos de idade - tinha caído de sono enquanto estava sentado no vaso sanitário. Ajudei-o levantar, lavar as mãos e fomos pra sala. Os quatro ali sem entender nada, absolutamente nada, naquela felicidade imensurável, rindo da situação e perguntando-se “como assim?!”.

De repente, eu me mexi na cama acho que meio forte demais e acordei do melhor sonho em anos. Dei um sorriso, lamentei profundamente não ficar naquele estado de sono pelo menos mais um pouquinho e corri aqui pra sala pra escrever antes de esquecer os detalhes.

De vez em quando eu sonho com meu pai, de vez em quando eu choro dirigindo, de vez em quando eu rezo, mas hoje foi especial.

pra completar, o céu agora de manhã.

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