sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A Viagem das Nossas Vidas

(Quando voltarmos da viagem, publico na íntegra o roteiro super detalhado que produzimos e vamos levar para tentar seguir. Além de impressões sobre cada cidade. De repente pode ser útil pra quem for viajar e estiver pesquisando pela internet. Até porque roteiros de outros malucos foram de grande valia pra gente. Então, por enquanto, uma prévia da nosso epopéia!)

KD DIA 20?!?

Em janeiro deste ano decidimos enfrentar uma grande aventura. A idéia é (muito) antiga, mas para transformar desejos em realidade é preciso coragem. E a verdade é que demoramos pra criar coragem, mas pouco antes do carnaval nos demos um ultimato e conversamos seriamente sobre “ir pra europa em dezembro”. Afinal de contas, quanto mais velho, mais dificuldade e menos inconsequência. E daqui a pouco pode aparecer um pimpolho, nunca se sabe, então o fator agora-ou-nunca foi representativo na decisão.

será que vamos ver uns artista famoso?
E aí a história ficou séria de vez e fomos numa agência pesquisar um roteiro financeiramente cabível. Para isso, teríamos que seguir algumas premissas básicas: fazer valer a longa viagem (ou seja, passear por no mínimo 15 dias) e conhecer pelo menos Paris e parte da Itália.

Chegamos na agência de turismo e o cenário pareceu positivo, porquê a antecedência absurda que planejamos possibilitou um parcelamento em várias vezes. E o manual-do-turista-consciente diz, a gente sempre soube, é fundamental sair de viagem com passagens e hospedagem já quitadas.

Eis que partimos, portanto, para a definição do roteiro. É aí que mora o perigo, muito fácil cair em tentação. A vontade é conhecer tudo e viajar três meses inteiros (hahaha), mas a gente precisa fazer concessões se não quiser morrer de fome.

Bom, como a viagem seria para dezembro (férias), enfrentaríamos inverno, luz do dia até 17h30, neve e - olha que chique - o sacrifício de passar nossos aniversários e reveillon lá na zooropa. Viludo demais. Porém, neve e avião não combinam. E optamos por viajar apenas no sul da Europa (menos frio) e de trem (pra evitar vôos), mas, lógico, dar um jeito de ver Paris.

Então chegamos no primeiro roteiro (que, óbvio, sofreu mudanças): Madrid, Barcelona, Paris, Nice/Marseille/Cannes/Mônaco, Roma, Firenze, Veneza, Verona e Milão. Caímos na realidade logo e percebemos que o belíssimo sul da França (Nice/Marseille/Cannes/Mônaco) não cabia no bolso.

E poucos dias depois chegamos no roteiro final e poderíamos começar a pagar as parcelas: Madrid, Toledo, Barcelona, Paris, Roma, Firenze, Veneza, Verona e Milão. A viagem seria só em dezembro, mas a partir de junho já começamos a viajar pelo Google Street View afim de pesquisar o melhor roteiro em cada cidade.

Eis abaixo, cidade por cidade, os pontos onde vamos passar, os principais motivos das escolhas e um breve histórico de cada local ou monumento. 

Madrid: o quê interessa aqui é o estádio do Real Madrid. E um tal Museu do Prado, dizem. :) Vamos visitar outros lugares, lógico. E aproveitar a crise espanhola pra ver se tem umas roupas baratas.

Park Guell viludíssimo
Barcelona: o quê interessa aqui é o Gaudi. Achou que eu falaria do Messi, né? Mas, acredite, a cidade é tão maravilhosa e cheia de belíssimos locais pra conhecer que eu, um lunático por futebol, deixei o Barça de lado e vamos atrás da Casa Milà, Park Guell e Barri Gòtic, além da grande ansiedade para ver a Sagrada Familia.

Paris: aqui o quê interessa é... a cidade em si. Estar em Paris é o quê vale. E aproveitaremos o ensejo pra ver a Torre Eiffel, Museu do Louvre, Arco do Triunfo e outros lugarzin má-ô-meno. Paris é sem noção de tão bonita, dizem. A conferir.

Papa JP em olhar malandrão
Roma: aqui o quê interessa é História. Com H maiúsculo. Roma é o berço da civilização, um museu a céu aberto. E todos aqueles clichês. Coliseu e toda parte antiga deve ser de cair o queixo. E vamos dar uma passadinha no Vaticano e, senão tiver muita fila, entraremos na Capela Sistina.

Firenze: aqui é a terra dos tartarugas ninja. Ou do renascentismo, como preferir. Michelangelo, Donatello, Raphael e Leonardo, entre outros, foram sustentados por uma família rica de Firenze (os Medici, só pra constar), e as principais obras desses artistas estão espalhadas pela cidade.

Veneza: essa cidade parece um filme. Uma infinidade de ilhas e canais de uma beleza inigualável. Como se não bastasse, em Veneza fica a grande homenagem ao maior jogador da história do Palmeiras: a Basílica de São Marcos.

Julieta-ta-ta tá me chamando
Verona: aqui é puro romantismo, pois uma parte da história de Romeu e Julieta (aquela q o SBT refez com a Hebe de Julieta e o Golias de Romeu HAHAHA) se passa em Verona e a vila que é descrita por Shakespeare como moradia da Julieta é conservada até hoje.

Milão: aqui não há muito além da segunda maior igreja da Europa (Duomo) e o original da Ultima Ceia (pintado na parede de uma igrejinha bizarra). Aproveitaremos pra visitar o estádio que o Milan e a Inter dividem antes de vazar pro aeroporto e voltar pro Brasil.

Let's Rock!  Kraftwerk - Trans Europe Express / Suede - Europe Is Our Playground

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

(Então vamos chorar, já tô avisando). Havia um círculo em volta do meu pai, muita gente orando e chorando - eu inclusive - e o padre terminando a prece quando criei coragem pra falar o quê estava pensando...

“...aproveitando que o padre falou em família... meu pai gostava de repetir uma frase famosa que muitos devem conhecer e que sempre norteou nossa família: ‘tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas’...”

E não fui capaz de empostar a voz pra continuar como meu pai gostaria, mas me surpreendi por conseguir simplesmente falar. Então tentei não ouvir quem segurava o choro pra explicar o significado da frase em nosso dia-a-dia e não perder o raciocínio daquele discurso. Continuei com mais algumas palavras provavelmente desconexas (porque, não havia maneira, ouvi muita gente chorando e me emocionei também) e quase certeza que não consegui explicar bosta nenhuma.

Até que, sabe-deus-como, consegui trazer a “narrativa” àquilo que escrevi anos atrás e fez meu pai me telefonar pra agradecer. Então estendi as mãos nos ombros do Michel e da minha mãe pra dizer:

“Meu ídolo, nosso ídolo; meu espelho, nosso espelho; meu confidente e conselheiro, nosso confidente e conselheiro; meu amigo, nosso amigo; meu Deus, nosso Deus; meu pai, nosso pai...”

Não sabia o quê fazer, como terminar o quê havia começado, perdido naquele discurso improvisado e emocionado. Ele já havia ficado muito-muito-muito emocionado e orgulhoso com essas palavras há uns três ou quatro anos. Decidi repeti-las naquele momento, pra quem pudesse ouvir, pra que de alguma maneira meu pai pudesse ouvir pra ficar orgulhoso do sentimento que consegui (ou quase) externar em nome da nossa família. Então encostei a mão esquerda no ombro direito dele, como se pedisse ajuda pra ele me salvar pq eu não sabia mais o quê fazer com aquele monte de gente me olhando, e soltei um “descanse em paz, pai...”


Hoje meu pai faria 60 anos. Meu Deus do céu.

"Éramos seis" com Vovó Melcina.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

All you need is love

00h46. Mãe, pai e Michel, há 1 ano, os momentos mais difíceis das nossas vidas. E uma certeza pra amenizar a dor de toda a família: o amor nos mantém juntos.

Ontem, hoje e sempre.

Chácara Sossego, Urânia, em 2007.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As minhas músicas preferidas dele

Sempre que eu penso em algumas músicas minhas que meu pai gostava, as primeiras que logo vem a cabeça são "O Pouco Que Sobrou", do Los Hermanos, e "Caras Como Eu", do Titãs. Meu pai sempre fez questão de ignorar músicas em língua estrangeira porque não entendia as letras e essas duas músicas dizem muito sobre o estado de espírito dele em uma determinada época da nossa vida.

"Caras Como Eu" é do Titãs pós-megasucesso do Acústico MTV. A gente morava não havia muito em Curitiba e ele aceitava ouvir as músicas do Titãs que eu gravava em fita k7. Então se interessou pelo Acústico 2 na época do lançamento e percebeu essa música. Ele ouvia como se a música fosse sobre ele.

"O Pouco Que Sobrou" dizia tudo que meu pensava mas não tinha coragem de dizer, quando voltaram de Curitiba para Jales/Urânia com a autoestima nos calcanhares. Quando eu mostrava as minhas músicas e ele ignorava a imensa maioria, essa fez ele pedir pra repetir. Nada mais sincero e lírico.

Sinto saudade pra caraleo e não sei o quê dizer.

'chácara sossego'


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Eu, meu irmão, meu pai e o Palmeiras!

Não queria escrever sobre isso porque eu penso e choro. Mas o Palmeiras é campeão, porra. Deixa eu me emocionar.

Paixão por um time de futebol tende a ser de pai pra filho. E meu pai sempre gostou muito de esporte, sempre gostou de futebol e sempre foi palmeirense. Diz a lenda que meus primos Zélu e Juninho (hoje chamados de Ferrari e Celsão) são palmeirenses por conta dele. Por óbvio, eu e o Michel também não escapamos: somos torcedores do Palmeiras.

Minha mãe sempre lembra das tardes de domingo vendo esportes na TV Bandeirantes. Eu lá com meus poucos anos deitado no tapete da sala com meu pai vendo qualquer coisa esportiva. Cresci vendo Palmeiras ao lado dele. Michel nasceu logo que eu fiz 9 anos e passamos a ser três homens defronte à TV com minha mãe vindo checar o motivo dos gritos. A gente grita gol bem alto. Cresci assim. Aprendi a gostar de futebol assim. 

E meu pai nunca foi muito fanático. O Michel é super parecido com ele nesse sentido. Os dois gostam muito do Palmeiras, choram, vibram, xingam, mas sem saber o nome, idade e procedência de todos os jogadores. Eu sou mais bizarro, mas longe de ser fanático como vários entre os 15 milhões de torcedores do Palmeiras.

Lembro perfeitamente de ostentarmos nosso palestrismo nas carreatas por Urânia em 93 e 94. 96! 98! Em 1999 choramos juntos, o Michel nem lembra, era novinho. Até hoje eu acho que perdemos a Libertadores 2000 porque assistimos ao último jogo separados (já morávamos em Curitiba e meu pai tinha viajado pra Urânia). Em 2001 o Muñoz fez um gol numa Libertadores e eu berrei tanto que o Michel chorou de medo, o suficiente para lembrarmos disso pelo resto da vida. E depois disso a vida nos levou para casas separadas (os filhos crescem, acontece) e o Palmeiras - coincidência ou não - não fez muito além de uma série B, um Paulistinha e poucos grandes jogos, como aquele petardo do Cleiton Xavier na Libertadores de 2009 - a gente comentou muito sobre, mesmo morando longe.


E eis que ontem o Palmeiras foi campeão, o primeiro título após meu pai falecer. Eu e o Michel choramos muito no gol e no apito final. Chorei umas cinco vezes durante a partida, entre orações pro Palmeiras ganhar e pedindo pra meu pai dar uma força e torcer também. Como se ele pudesse me ouvir, como se ele estivesse ali conosco. Talvez estivesse mesmo, quero acreditar.

Vou parar porquê já perdi as contas de quantas vezes chorei. 

Ganhamos, pai. Ganhamos!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Box Full Of Letters

“I just can't find the time
to write my mind
the way I want it to read.”
- Jeff Tweedy

Box Full Of Letters, A.M., Wilco.


domingo, 27 de maio de 2012

London, day 1: “all the umbrellas in London couldn't stop this rain”

Acordei atrasadaço e com a cabeça pesada depois de tomar todas aos pés da Catedral de Colônia em meu último dia na Alemanha. Corri pro aeroporto de Dusseldorf com medo de perder o avião. Cheguei em Londres depois de um vôo, digamos, conturbado (rsrs), sinais de uma ressaca forte que perdurou nas primeiras horas em território inglês.

Aportei no aeroporto de Gatwich, 50km ao sul de Londres, perto das 10h. Uma fila gigante na imigração, onde fui questionado ferozmente por quase 10 minutos e temi pelo pior, mas consegui passar. Então era preciso pegar um trem para Victoria Station, já no centro de Londres e nas proximidades do Palácio de Buckingham. Peguei minhas malas e me perdi um pouco até encontrar onde comprava o ticket do Gatwich Express. O trajeto é num trem meio high-tech demais e demora uns 20 minutos numa paisagem que varia entre campos encharcados e casinhas Wallace & Gromit

Chegando em Londres tive a impressão de rapidamente ver o Big Ben, mas não posso afirmar com certeza. Desci do trem e finalmente me dei conta de onde o filho do Nino e da Márcia estava: caralho, cheguei em Londres! Dois mil anos de civilização nessa porra! London! Lon-don, cêis tão ligado?!?



Victoria Station
Fiquei uns bons dez minutos olhando pra todos os lados da Victoria Station naquela vibe jacuzão na capitar. Comprei e carreguei um Oyster Card (cartão pro transporte público), comprei um card da Vodafone (internet pro meu google maps!), tomei uma Fanta (bem menos laranja que a brasileira) e comi um McDonalds qualquer. E só então decidi sair pra enfrentar a cidade e tentar encontrar o ponto de ônibus que me levaria pra próximo do hostel. Que cidade linda, meuzamigo. Impressionante. Na porta da Victoria Station já vi o teatro do Billy Elliot (foto aqui) hahaha. E obviamente demorei pra encontrar o ponto de embarque olhando tudo e todos, mas o busão de dois andares estava me esperando. Entrei e subi pra primeira poltrona do segundo andar, pra ver Londres de camarote.


All Souls Church
Meus mapas estavam certos e quando o ônibus C2 passou pelo monumento All Souls Church eu sabia que estava chegando no hostel. Então o busão saiu da Portland St e desci no ponto seguinte para ir ao YHA London Central.

Aqui cabe uma nota: Obrigado, Bala! A dica do meu grande amigo foi realmente sensacional. O hostel é barato, seguro, extremamente amigável e super bem localizado (perto dos pontos turísticos e dos botecos!). Fica a dica pra quem pretende viajar gastando pouco.

Continuando, rasguei meu inglês na recepção até descobrir que a moça era uruguaia e falava português. Daê eu tava em casa. Fiz umas piadas e fui pro quarto deixar as malas e tomar banho. Nesse ponto, meu cronograma já estava mais ou menos três horas atrasado. Uma beleza. Pra ajudar, demorei pra entender como esquentava a água do chuveiro. Bom, de banho tomado, era hora de explorar a cidade.


Turista? Sim ou com certeza?
Vazei em direção à Piccadily Circus, Trafalgar Square e à National Gallery. Aluguei uma bike pública por 1 libra e desci a Portland St no meio dos carros naquele trânsito invertido. E os motoristas - pasmem - respeitam os ciclistas! Cabe dizer que os ciclistas – pasmem – também respeitam as leis de trânsito! Passei pelo All Souls Church e a avenida se transformou em Regent St (mapas certos, uhu!). Antes de chegar na Trafalgar Square, começou a garoar e coloquei a bicicleta na estação perto da Piccadilly Circus praa comprar uma capa e chuva e então dei os primeiros passos realmente turísticos. Com a chuva, o vento e o frio aumentaram bastante. E eu com ressaca ainda. Comprei uma capa de chuva ri-dí-cu-la e as pessoas ficavam rindo desse turistão que vos fala. Descobri que estava na direção errada após caminhar três quarteirões e a garoa, pra ajudar, virou chuva forte. Aí, na mais pura sorte, encontrei o Café Brazil. Comprei uma Guaraná Antarctica, recarreguei as energias, a chuva parou e perguntei pra que lado era a porra da Trafalgar Square.

No caminho entrei na National Portrait Gallery achando que era a National Gallery. Perdi uns 20 minutos. Saí de lá meio puto e finalmente achei a bendita Trafalgar Square. Véi, que bonito. Tirei um bilhão de fotos. Na ponta da praça, de frente pro monumento ao Almirante Nelson com a National Gallery de fundo, viro pra esquerda e vejo um portal fudidaço, lindo pra caraleo, chamado Admiralty Arch que, reparando bem, era o início do The Mall, e lá no fundo dava pra ver o Palácio de Buckingham. Que cidade linda! As pessoas ali pareciam não ter noção do privilégio de viver diante de tanta história. Virando mais um pouco pra esquerda, de costas pra Trafalgar Square, pra completar a embasbaquez, lá estava ele, impetuoso, o Big Ben! Sério, muito, muito legal. Pensei em entrar na National Gallery mas queria o audioguide em português pra entender melhor as obras, e naquela quinta-feira não estava disponível por algum motivo que não dei conta de entender hahaha então deixei pra ver noutro dia.



O Big Ben à esquerda, o Admiralty Arch e a Trafalgar Square com a National Gallery ao fundo.
Já estava ficando tarde, meu cronograma do primeiro dia já estava totalmente impossível de cumprir e não sabia o quê fazer. Aí resolvi atravessar o Admiralty Arch pra ver qualé. Fiquei com preguiça de caminhar até o Palácio de Buckingham (na verdade foi a força da ressaca e a vontade de ver logo o Big Ben) e virei à esquerda pra ver onde é realizada a Horse Guards Parade – a troca da guarda da rainha (não vi a troca, só vi onde é haha). Desci ladeando o belíssimo St James Park e cheguei perto de uns esquilos hahah até finalmente dar de cara com o Big Ben e todo o Palácio de Westminster. Tirei um quadrilhão de fotos imaginando a exploração praquilo ser construído hehe. Algumas partes da rua defronte ao Parlamento estavam fechadas e fui perguntar pro guarda o porquê. E a rainha - aquela da música do Sex Pistols! - tinha estado lá há poucas horas!!! Porra, nem pra véia me avisar. Então andei na frente de todo o palácio. Arquitetura absurda. E depois fui ver de perto a Abadia de Westminster - que fica do outro lado da rua -, onde casaram-se Willian e Kate e, mais legal ainda, onde estão enterrados Willian Shakespeare, Issac Newton e Charles Darwin (uia!). Cheguei lá bem no horário de saída da Evensong, uma missa com o coral da igreja. Estiquei o pescoço e consegui ver um pouco da parte de dentro. E eis que, de repente, 18h - o Big Ben badalou pra eu escutar. De arrepiar. Muita coisa passou pela minha cabeça. Um momento tão simples e com vários significados.


Westminster Abbey

Já estava na hora de começar o caminho de volta pro hotel e o frio apertava ainda mais. Caminhei às margens do Tâmisa um pouquinho, vi a London Eye e peregrinei em direção à Oxford Street, a rua das compras. Me perdi bonito enquanto olhava pros prédios, pras pessoas, pros Porsches, pra tudo. Meu chip da Vodafone e o Google Maps me ajudaram demais. Consegui achar a Oxford St e entrei numas duzentas lojas. Fui de uma ponta à outra. Olhei discos, calçados, roupas e comprei umas bugigangas. Já perto das 20h, num frio de rachar, depois de tomar chuva, vento, com os pés destruídos após quilômetros andando de allstarzinho, avistei uma Pizza Hut. Era no subsolo, bizarro. Desci uns quatro lances de escada até o restaurante. Grande e lotadaço. Comi descalço com um pé massageando o outro. Hahaha. Peguei um busão e voltei pro hotel afim de um banho. A night em Camden Town me aguardava.

No hostel perguntei sobre uma balada róque em Candem Town que o Jonas tinha me indicado. Uma festa estranha com gente esquisita no Proud Camden. Tomei um banho e coloquei o celular pra carregar enquanto descansava os pés. Conversei um pouco com o brasileiro (!) e dois senhores ingleses que estavam no mesmo quarto. E o cansaço bateu forte, o sono veio violento e não tive forças pra cair na náite. Uma lástima, praticamente um crime. Realmente não dava. Pelo menos eu estaria descansado pro segundo dia.


Olha o Big Ben escondido atrás da árvore.
 Let's Rock!  Sex Pistols - Never Mind The Bollocks (o álbum inteiro)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ressurreição

É bem provável que tenha sido influência do feriado de Páscoa somada à insônia do final de domingo assistindo Alcatraz (seriado sobre os presos da famosa prisão que reaparecem em 2012), mas eu estava dormindo num apartamento gigante que não tinha porta entre a escadaria do prédio e os cômodos, então eu ouvia barulhos das pessoas descendo e subindo as escadas e tinha dificuldade pra dormir. 

Já bem no meio da noite quando finalmente consegui pegar no sono, ouço barulho de máquina de escrever e acordo um tanto amedrontado. Ainda com os olhos fechados, tento descobrir de onde vem o barulho. Era da sala e a Juju foi verificar o quê era. Ela voltou pro quarto como se atendesse ao pedido de alguém. Achei estranho, mas ela deitou tranquila e voltou a dormir. Em seguida, ouvi outro barulho na sala, mas não vinha da máquina de escrever. Levantei pra checar. Cheguei na sala e meu pai estava deitado no sofá com a mão direita sobre a testa, na  posição clássica pra ‘assistir’ Globo Esporte e acordar no final do Jornal Hoje.

Incrédulo, pasmo, emocionado, trêmulo e entusiasmado, perguntei “o quê é isso?!”, “como você está aqui?!”. E meu pai não sabia responder e apenas nos abraçávamos e chorávamos, com força e saudade. Repeti as perguntas, perguntei se aquilo estava realmente acontecendo, “mas vc ñ tinha morrido?!”, “nesse meio tempo você estava lá meio que dormindo?!” e meu pai, também sem entender bulhufas do quê estava acontecendo ou como tinha chegado ali, mantinha-se deitado no sofá, limpando os olhos como se acabasse de acordar.

“Espera que vou avisar a Juju e chamar a mamãe e o Michel”. Entrei no quarto dizendo pra Juju ficar susse que não era ladrão, era meu pai. Ela respondeu ok sem abrir os olhos, totalmente sonolenta, e virou pro outro lado da cama.

Cheguei no quarto da mamãe e do Michel, mas não consegui acordar o Michel que dormia feito pedra. Acordei minha mãe e a levei pra sala, tentando acalmá-la no meio do caminho, dizendo pra ela não se assustar, que estava tudo bem, que era tudo de verdade. Quando ela viu o quê estava acontecendo, olhou pra mim assustadíssima, correu em direção ao meu pai e ajoelhou-se perto do sofá com o braço na barriga do meu pai e, tentando encontrar alguma pista que deflagrasse uma pegadinha, revirou uns papéis ao alcance das mãos como se houvesse a inscrição “isto não é real” em algum lugar. Não achou nada e, meio estabanada, olhou pro meu pai e disse “marido, você tá aqui de verdade?!” e começou a chorar copiosamente dizendo que tinha gasto pouco telefone nesse tempo todo.

Aí escutei um barulho no banheiro. Fui ver o quê era e o Michel - com fisionomia de 10 anos de idade - tinha caído de sono enquanto estava sentado no vaso sanitário. Ajudei-o levantar, lavar as mãos e fomos pra sala. Os quatro ali sem entender nada, absolutamente nada, naquela felicidade imensurável, rindo da situação e perguntando-se “como assim?!”.

De repente, eu me mexi na cama acho que meio forte demais e acordei do melhor sonho em anos. Dei um sorriso, lamentei profundamente não ficar naquele estado de sono pelo menos mais um pouquinho e corri aqui pra sala pra escrever antes de esquecer os detalhes.

De vez em quando eu sonho com meu pai, de vez em quando eu choro dirigindo, de vez em quando eu rezo, mas hoje foi especial.

pra completar, o céu agora de manhã.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cicinho x Arthur depende de Juninho

A briga na lateral-direita do Palmeiras não é tão simples quanto parece. O antes titular absoluto Cicinho está perdendo espaço para o recém-contratado Arthur. Porém, se Cicinho não perdeu rendimento e Arthur não é o novo Djalma Santos, então porquê Felipão trocou o lateral-ddireito?

Arthur x Cicinho ou Cicinho x Juninho?

Na verdade, Cicinho perdeu espaço com a ascensão do surpreendente lateral-esquerdo Juninho.

Entenda: Ano passado, tínhamos um lateral-esquerdo cone (G Silva, Gerley ou Rivaldo), então a única opção, na hora do ataque, era segurar o lateral esquerdo como terceiro zagueiro e liberar o Luan como ala avançado. Assim, Cicinho tinha liberdade para ser ala avançado na direita pois o zagueiro central cobria sua posição (Daniel Alves no Barcelona é exemplo, Piquet faz a cobertura).

Hoje, com a chegada do Juninho, está invertido.

João Vitor ou Patrik (no futuro talvez Wesley), são as opções para o papel de Luan pela direita e Juninho ganha liberdade na esquerda, com Arthur ficando como terceiro zagueiro (Cicinho não tem essa vocação). Dá pra ver o desenho do esquema clicando aqui. O quê torna compreensível, portanto, Felipão usar muito o Rivaldo na lateral-esquerda, ano passado.

E, como conclusão, a briga do Cicinho não é diretamente com Arthur; ele precisa mostrar-se mais efetivo que Juninho. E também precisa torcer pro Luan voltar bem e colocar minhoca na cabeça do mestre Luiz Felipe Scolari.

Enfim, gosto de tática. E é bom entender que não é simplesmente trocar o jogador e que, hoje, temos muitas opções.

E vivas ao Felipão!

Let's Rock! >>> FIFA 12 Soundtrack

quinta-feira, 1 de março de 2012

Woody Allen da família

Eu já a comparei com Harvey Pekar e a acompanhei numa aventura ao entardecer, mas agora percebi também que Vovó Edwiges é uma espécie de Woody Allen. Vovó está para as maleficências mundanas tal qual Woody para os relacionamentos. Há uma porção de pérolas tão grandes que, não adianta anotar ou memorizar, sempre terei a impressão que esqueci a melhor parte.

vovó woody

Let's Rock! >>> The Hollies - Peculiar Situation

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Naquela mesa...

De autoria do compositor e jornalista Sérgio Bittencourt (1941-1979), "Naquela Mesa" é uma homenagem ao pai dele, o músico e compositor Jacob do Bandolim (1918-1969).

"Naquela Mesa" entrou para o rol de músicas que não consigo ouvir.

Abaixo, acompanhe a magnífica versão do pernambucano Otto para a letra de Sérgio Bittencourt:


Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor / Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que fez de manhã / E nos seus olhos era tanto brilho / Que mais que seu filho / Eu fiquei seu fã / Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída, não doía assim / Agora resta uma mesa na sala / E hoje ninguém mais fala do seu bandolim / Naquela mesa ta faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim / Naquela mesa ta faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Fé na saudade

Desde os tempos que a Vovó Melcina frequentava a Igreja Batista ali ao lado do Colégio Comercial de Urânia, eu desdenho as religiões e zombo igrejas. A partir desse início de adolescência, zoei o Vaticano e as orações em voz alta, dei risada de qualquer culto em torno de qualquer divindade, não entendi a conversão do Cat Stevens e ridicularizei até a fase gospel do Bob Dylan. Enfim, sempre tirei sarro e cansei de dizer que "a religião é o abrigo dos fracos" - tendo a condescendência de meu pai, inclusive.

Porém, hoje, após a vida me envelhecer trocentos anos nesses seis meses, confesso que preciso da fé. Careço acreditar que meu pai está em um bom lugar, aguardando-nos. Não sei onde, como, quando, porquê. Apenas tomei por verdade e, agora, acredito devotamente em algo que comumente é chamado "paraíso".

Uma crença, uma filosofia que, de certa maneira, é muito próxima ao quê desprezei por anos. E se isso faz de mim um fraco, como eu afirmava, então, paciência. Pois, se existe um lado bom no falecimento do meu querido Ninão é justamente admitir/aprender que, mesmo odiando as igrejas (manipuladores e etc), há de se respeitar o motivo das pessoas - e o meu é a saudade.

Há seis meses, em 15 de agosto, meu último dia com meu pai em vida.

"I go where true love goes"


And if a storm should come and if you face a wave, (E se uma tempestade vir e se você encarar uma onda)
That may be the chance for you to be safe (Essa pode ser a sua chance de estar seguro)
And if you make it through the trouble and the pain, (E se você passar pelo problema e pela dor)
That may be the time for you to know his name (Essa pode ser a hora para você saber o nome dele)
(...) The moment you fell inside my dreams (No momento que você entrou nos meus sonhos)
I realized all I had not seen, (Eu percebi tudo que eu não tinha visto)
(...) The moment you said "I will" (No momento em que você disse "eu irei")
I knew that this love was real, (Eu soube que esse amor era real)
And that my faith was seen - oh (E que minha fé foi vista)
(...) The moment I looked into your eyes (No momento em que eu olhei dentro dos seus olhos)
I knew that they told no lies, (Eu soube que eles não diziam mentiras)
There would be no good byes - Ah (Não haveria despedidas)
'cause Heaven must've programmed you (Porque o Céu deve ter te programado)
I go where True Love goes! (Eu vou onde o verdadeiro amor vai)
Let's Rock! >>> Los Hermanos - O Pouco Que Sobrou
"A vida vai seguir / Ninguém vai reparar / Aqui neste lugar / Eu acho que acabou / Mas vou cantar / Pra não cair / Fingindo ser alguém / Que vive assim de bem"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Impressiona

Impressionante como na hora de ir embora do trabalho penso em ligar pra casa em Urânia, antes do milisegundo que me traz à realidade. Absolutamente impressionante a nitidez ao lembrar das tardes tomando cerveja nas cadeiras da varanda "onde corre um vento gostoso". Impressionante como meu jeito de olhar no retrovisor interno do carro ou segurar o volante são idênticos aos do meu pai. Impressionante como minto pra mim mesmo que estou sendo forte e às vezes até acredito. Impressionante a vontade de voltar no tempo. Impressionante como penso muito, muitíssimo mais na minha família.

Impressionante como me aproximo do meu pai.

Hoje, 5 meses.
Let's Rock! >>> Cat Stevens - Father and Son
"(...) All the times that I've cried / Keeping all the things I knew inside / And it's hard, but it's harder / To ignore it (...)"

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ano Novo

Primeiro natal sem meu pai. Primeiro reveillon sem meu Pai. O costume nessas datas era chorarmos abraçados. Primeiro aniversário sem meu pai. O costume era, no mínimo, chorar ao telefone. No natal, chorei quieto na cama. No reveillon, chorei de soluçar, mas não chorei no aniversário, fiquei no quase. Talvez pq todo mundo ficava me olhando pra ver se eu estava triste - tenho mania de transparecer força, apesar de às vezes fraquejar (como nesse texto).

E impressionante como ainda parece mentira, brincadeira de mau gosto, um pesadelo forte demais.

Happy new year pra você também.

Let's Rock! >>> Pearl Jam - Release
"(...) Oh, dear dad can you see me now? / I am myself like you somehow (...)"