segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Autopsicografia

Minha cabeça está em ebulição. Penso em homenagens, busco momentos, conselhos, conversas, risadas. Choro sozinho, sorrio sozinho. A verdade é que nesses dias, disparado os mais intensos da minha vida, meu pai está nos meus pensamentos em absolutamente todos os instantes. E eu tenho uma vontade absurda de escrever. De pensar em meu pai e apenas nele, sem perder a concentração por um instante. Tentar encontrar as melhores palavras pra entender bem o quê está aqui dentro. Quem escreve há tantos anos deve entender a necessidade de digitar o raciocínio e aprofundar-se na introspecção a ponto de esquecer do mundo por minutos, às vezes por horas, e concentrar-se num silêncio - ora na lembrança, ora no devaneio - capaz de trazer meu pai aqui pra perto. "Prá aliviar minha alma que chora / Só tenho agora minha inspiração". E o quê eu mais quero é sentir meu pai por perto.

Só não escrevo tudo que passa na minha cabeça porquê, primeiro, óbvio, não há léxico no mundo pra traduzir a mente humana e, segundo, porquê meu pai queria apenas silêncio e discrição. E respeitarei isso eternamente.

"Com a saudade no ponto mais alto (...) Refugiei minha grande saudade / Na simplicidade de uma lembrança / Voei nas asas da imaginação / Fui ver meu sertão quando eu era criança. / Os tempos risonhos dos meus lindos sonhos / Cheio de esperança. (...) Daquele tempo feliz que passou / Saudade ficou no meu coração / Prá aliviar minha alma que chora / Só tenho agora minha inspiração / Esta nostalgia dentro da poesia."

(trecho da música "Nostalgia", autoria de José Ferreira de Urânia)