quarta-feira, 23 de março de 2011

Hoje eu percebi que Deus existe

Chegando do futebol. Suado, fedido, cansado, na bacia das almas. E com fome. Minha mente, apesar do ronco no estômago, quer apenas banho e cama. Lembro que estou sem comida de matar a fome. Não tem nada salgado em casa. Há três dias mato a fome da madrugada com Trakinas de chocolate e apenas não quero vê-las na minha frente. Como de praxe, me enrolei no computador vendo as gatas e não notei a aceleração vertiginosa da fome. De repente, doeu a barriga e, sem pestanejar, fui pro banho.

Sai do banho me sentindo o James Franco na centésima hora preso na pedra. Meu corpo desfalecia e comecei a procurar comida salgada. No fundo do armário, escondido entre os copos, atrás do estoque de catchup, um saquinho roxo meio fino. Peguei pra ver e apenas nunca tinha passado os olhos por algo parecido.

De olho na embalagem, meus olhos brilham e penso "é mantimento". Tá escrito "mandioquinha com salsicha". Que porra é essa?, pensei. Aquela imagem inédita era processada e logo entendi. Era pó de miojo de sopa. Mas quem comprou isso? Mandioquinha com salsicha, se foder, eu nunca compraria esse sabor. Como algo assim foi parar no meu armário? Pq, em outras noites, no desespero da fome, faturei um pacote de Trakinas? Pq, em outras noites, no desespero da fome, tentei dormir pq não tinha comida em casa? Daonde surgiu essa Sopa Knorr pra renovar minha esperança de vida?

Só pode ser Deus.

(vo ve se deus coloco mais)

Let's Rock! >>> Morrissey - Dear God, Please Help Me

terça-feira, 15 de março de 2011

Meu dia de Luis Chevrolet Pereira

Acabo de encontrar o twitter do Luis Pereira, o saudoso Chevrolet, maior zagueiro da história do Palmeiras. Mais um fake na internet ou não, lembrei de um episódio curioso dos tempos que treinava no juvenil do Atlético-PR.

Logo no primeiro treino, o técnico (um ex-jogador do Atlético-PR que infelizmente não lembro o nome) olhou pro zagueiro magrelão de 1,90m e perguntou quais eram minhas características de jogo e em qual zagueiro eu me espelhava. Sem pestanejar, lembrei de Luis Pereira: "Eu jogo duro mas não gosto de dar pontapé. Gosto de sair jogando sem chutão e subir pro ataque às vezes." Lembro perfeitamente da resposta seca: "O Chevrolet, né? Jogou muito."

Dias depois, num jogo treino contra o Tubarão/SC fui o dono da camisa 3 e, no começo da partida, subi com a bola dominada até o meio-campo e lancei pro ponta-direita. Foi bonito. Lógico que, alguns minutos depois, estricnado de empolgação, tentei uma jogada parecida, mas o lançamento foi bizarro. E no começo do segundo tempo fiz umas firulas e avancei, mas perdi a bola e no contra-ataque o adversário quase marcou um gol.

Vi que o nosso técnico gesticulava em minha direção tresloucadamente. Não conseguia ouvir e me aproximei pra saber qual a orientação: "vtnc, marcelo! baralho! vc não é o Luis Pereira, poha!"

Perco o amigo, o técnico, a carreira como jogador, mas não perco a palestrinidade.

Let's Rock! >>> Marcos Kleine - Hino do Palmeiras