quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Da TV para Interlagos, part 3: as Lotus de Emerson Fittipaldi

Ontem Emerson Fittipaldi pilotou o lendário Lotus 72 pelas ruas de São Paulo e, no domingo - para deleite total deste que vos escreve -, volta a acelerá-lo antes do GP Brasil para comemorar os 40 anos de sua primeira vitória na F-1.

O quê pouca gente sabe é que o modelo da primeira vitória de Emerson é o Lotus 72C (patrocínio Gold Leaf) e o carro que está no Brasil é o Lotus 72D (patrocínio John Player Special) que o brasileiro usou na conquista do primeiro título mundial em 1972.

(Veja bem, não estou reclamando. É espetacular que um carro tão importante para o automobilismo brasileiro esteja em ótimas condições e, principalmente, diante dos meus olhos. Mas ler em todos os sites esportivos uma meia-verdade me incomoda um pouco, ainda mais sabendo que os carros, apesar de modelos similares, possuem uma pintura totalmente diferente.)

P
ara
explicar direito, segue um parágrafo de história:

Em 1970, ano de estréia de Emerson na F1, o brasileiro pilotava o modelo secundário da equipe Lotus, o belo 49C, enquanto o piloto principal, o austríaco Jochen Rindt, guiava o modelo 72C - ambos com patrocínio vermelho e amarelo-ouro, da Gold Leaf. E Rindt venceu cinco etapas do campeonato para despontar como favorito ao título de 1970. Porém, uma tragédia muda a história do automobilismo brasileiro. Eis que nos treinos livres para o GP da Itália, na veloz pista de Monza, a Lotus coloca o jovem Fittipaldi para amaciar o motor do modelo 72C de Jochen Rindt. Correndo sem asas traseiras, Emerson perdeu o ponto de freada e bateu, danificando o bólido do companheiro por completo. Ao voltar aos boxes e informar o quê tinha acontecido a Colin Chapman (dono da equipe), este resolve dar o carro que pertencia a Fittipaldi para Rindt correr no dia seguinte. E nos treinos do outro dia... Rindt sofreu forte acidente na curva Parabolica - suspeita-se de problemas nos freios - e é encaminhado ao hospital, mas morre no caminho. A equipe Lotus, de luto, não disputa o GP da Itália e não envia seus carros para o GP do Canadá. E a partir do GP dos EUA, em Watkins Glen, Emerson Fittipaldi é o escolhido de Colin Chapman para assumir o cockpit do Lotus 72C de Jochen Rindt e liderar a equipe contra a pressão das Ferrari de Jacky Ickx e Clay Regazzoni na disputa pelo título. Emerson apenas vence a prova e assegura o único título póstumo da história da F1 para o ex-companheiro Jochen Rindt. No ano seguinte, somente a partir da terceira etapa a Lotus disponibiliza a Emerson o modelo 72D, mas ainda nas cores da Gold Leaf. Somente em 1972, ano do primeiro título, o Lotus 72D de Fittipaldi está preto nas cores da John Player Special. Só pra constar, Emerson ainda pilotou para a Lotus nos modelos 56B (uma corrida em 1971) e 72E (a partir da quarta etapa de 1973), antes de se transferir para McLaren.

1970: primeira vitória com o Lotus 72C, pintura vermelha Gold Leaf.

1972: primeiro título com o Lotus 72D, pintura preta John Player Special.

alguns momentos da primeira vitória brasileira na F1.

Lets Rock! >>> Rubens & The Barrichellos - Parabolica

2 comentários:

Rômulo disse...

Muito bacana! Parabéns pelo histórico! Eu acho esse carro preto da Lotus o mais bonito da F1 de todos os tempos!

Lello Cavalcanti disse...

Cool!!!