sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Mirtão e o cachorrinho: amor no barracão da uva

Estávamos na época de colheita da uva itália. Então meu pai resolveu construir um galpão para que a fruta não fosse embalada sob o sol escaldante da região de Urânia. E, apesar de construí-lo em madeira, recorreu aos serviços de Mirtão, talvez o mais conhecido pedreiro da cidade.

Eu, apenas um moleque que corria pra lá e pra cá no aguardo dos cachos suculentos, rodeava meu pai e Mirtão durante a construção, atrapalhando-os a quase todo instante.

Depois de um dia inteiro de labuta ferrenha, meu pai e Mirtão, realizados, resolveram saborear uma cachacinha e um aperitivo qualquer para inaugurar o 'barracão da uva'.

Eis que aparece um cachorrinho sabe-deus-de-onde enquanto saboreávamos os quitutes. O Mirtão, por culpa de sua ligeira embriaguez, redescobre a afeição por cães esquecida na infância. E começa a acariciar o perebento.

De repente, não mais que de repente, Mirtão começa a rir tresloucadamente, aponta para seu pé e diz:

- Óia lá, Ninão! Óia lá, Marcelo! O cachorrim tá metendo nos meus dedos!

Isso mesmo que você está pensando, amigos.

Mirtão fornicava com o cachorro friccionando os dedos dos pés!
O cãozinho estava em alfa. Meu pai e eu, apesar de atônitos, gargalhávamos.

Ê, mundão véio sem portêra!, diria Inesita Barroso.

(texto originalmente publicado no Estranho Caminho 1.0)

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