segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meu Diário de Rorschach.

Meu Diário de Rorschach: 12 de Abril de 2009.

22h23. Dois meses de cultivo. Hora de aparar a barba. Preciso de uma sacola plástica. Dejetos capilares na pia entupirão a merda do encanamento. Não quero problemas. Barbeador Phillips e Gillette Senso Excel Azul. Azul. Onipresença do Dr. Manhattan, filho da puta imberbe.

22h34. Sociedade leviana, afeitar barba diante do caos. Há larápios nas ruas. E eu aqui nesse banheiro. O barbeador deveria ser um aparador. Falhei na compra. [Nico no shuffle do meu iTunes. Que seja com classe.] Começo a tosar os pêlos da lateral, ao redor das bochechas. Eu, um poodle. Meus pêlos, felpa. É assim que me sinto, um ridículo poodle. E ainda uso máscara. Não deveria aparar a barba nunca.

22h47. Obrigado, mãe, por um dia esquecer o pente vermelho. Está sendo útil, enfim. [Shuffle na Feist. Ao menos é mais animado.] Lembro do Tico Santa Cruz, aquele que raspou todos os pêlos do corpo. Vergonha alheia. Ignoro as três lâminas do aparelho de barbear. Por enquanto, só barbeador elétrico.

23h12. Parte lateral finalizada. Hora de alinhavar o queixo. [Shuffle em George Michael não dá. No aleatório, The Goog, The Bad and The Queen.] Bigode intacto. De relance, pareço o Eugene Hütz, do Gogol Bordello. Segue intocada a parte inferior da barba, abaixo do queixo, no pescoço. Agora, vejo Devendra Banhart no espelho. Preciso acabar com esses cabelos no rosto.

23h19. Sacola plástica repleta de cabelo. Bizarro, mas prestimoso. [Aleatório caprichado, Chemical Brothers, naquela música na trilha de Vanilla Sky.]

23h25. Queixo acertado. Preguiça forte, sono latente. Falta exterminar o bigode e as semelhanças com o Devendra. Procuro o creme de barbear. Achei. Vencido em novembro de 2008. Foda-se. Retirei o excesso do bigode com o Gillette Sensor Excell Azul. Tudo certo acima do osso que demarca as linhas do rosto. [Ben Folds no player. Contemplo meu próprio gosto musical.]

23h38. Chegou a parte chata. Raspar a barba abaixo do queixo sem machucar o pescoço. É nessa parte que uso o creme de barbear. [‘Say It Aint So’, quase não a reconheci.] Não agüento mais. Laka me aguarda, o sono também, ladrões também. Não acerto os pêlos na sacola. Raiva. Muito pêlo. Raiva.

23h47. Espinhocídio. Pescoço arde. Muita raiva. O sangue ‘brotha’ do meu pescoço. Brotha é o Desmond, em Lost. Sou viciado em Lost.

23h56. [Morrissey, pra relaxar.] Papel higiênico, pra estancar os sangramentos. Penso no amanhã, no sangue que escorrerá de minhas mãos em cada meliante esmurrado. Prazer. Hora de limpar e guardar tudo.

23h59. Um minuto para a guerra entre o Laka e eu.

24h00. Na cama, risada das alusões ao Lula sindicalista, ao Devendra, ao Bin Laden. Voltei a ter uma barba decente. A máscara não provocorá coceiras. [Bob Dylan's 49th Beard.] O combate ao crime clama meu aceno. Não antes do sono dos justos.

Let's Rock! Billie Holiday - You’re My Thril

4 comentários:

juju disse...

AHUahUAHUhaUAHaahhuHAUhauhAUaHuhauHAU

Michel Fonseca Ferreira disse...

hahahaha, muito besta!muito mesmo!auhuauahua

é de familia, definitivamente!

Marcelo Urânia disse...

haha moleque tonto!

vc tem q ler whatchmen. vou te emprestar. daí vc tb vai querer escrever igual ao rorschach! huauhauha

Meliza disse...

Viagem alucinante em um simples barbear!