terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O pequeno prazer de Amarante e Moretti

Enquanto Marcelo Camelo, perdido no próprio ego, tenta ser Dorival Caymmi, Rodrigo Amarante aproveitou bem o tempo longe do Los Hermanos para se dedicar às novas experiências: primeiro fez parte do combo de samba Orquestra Imperial e, depois, foi para os EUA gravar com Devendra Banhart. Fabrizio Moretti, baterista da nova-iorquina The Strokes, seguiu o exemplo de Nikolai Fraiture e Albert Hammond Jr, seus companheiros da banda principal, e resolveu também se aventurar num projeto paralelo. Os dois músicos cariocas afinaram as forças em Los Angeles para formar, ao lado da namorada de Fab, a tecladista americana Binki Shapiro, o Little Joy.

Fabrizio tá a minha cara, né, não?

Não há dúvida que o repentino sucesso - o hype - do trio deve-se à devoção dos fãs às bandas de Amarante e Moretti, mas a mescla entre os sons de Los Hermanos e Strokes somada à delicadeza de Binki Shapiro e à maresia de LA, deixa o disco encantadoramente praiano e descompromissado.

As duas primeiras, The Next Time Around e Brand New Start, trazem dedilhados praianos, mas são claramente cognatas do jeito Strokes de fazer música. Play The Part, a terceira, é pura fase Buarque wannabe do Los Hermanos. Em No One's Better Sake, talvez a melhor do disco, rola até tecladinho jovem guarda. A quinta faixa traz Binki Shapiro no vocal da doce e melancólica Unattainable. Shoulder To Shoulder lembra Tom Waits na construção inicial e possui bons backings na parte final. Sétima, With Strangers é Los Hermanos em inglês com backings gospel. Keep Me In Mind é uma trombada do Is This It com o Ventura. How To Hang A Warhol tem letra divertidinha sobre despretensão. Em Don't Watch Me Dancing, Binki lembra Nico nas baladas do Velvet Underground. A última do disco, Evaporar, só pode ser sobra do 4.

Sempre soft e lo-fi, às vezes hippie e sixty, o álbum soa agradável e tão bonitinho que, é bom alertar, pode passar despercebido.

Assista ao belo clipe de No One's Better Sake, a melhor do disco, com participação de Devendra Banhart na percussão:



Agora é só esperar pelo show do Little Joy desta quarta-feira, em Curitiba.

4 comentários:

Fernando Souza disse...

no meio da música, o teclado parece que vai começar a tocar "Starman"!

juju disse...

eu tenho uma palavra pra essa banda: sacal.
e a shapinha não vai ditar moda com aquele cabelo de espanador.. tenho dito.

juju disse...

mas o texto tá bem bom, meu bem:*

Arte em Geral disse...

Concordo com Juju...o texto tá bom,hein!!!Não fugiu das aulinhas de redação...
E na hora que pensei em comentar da semelhança do Moretti contigo (rs...):putz..já tinhas colocado na legenda!!!!