quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cavaquinho, chocalho, pandeiro, cuíca and me...

Encho o peito pra dizer que detesto o carnaval da tv, rechaço qualquer convite pra seguir trio elétrico e fico orgulhoso ao constatar que a imensa maioria dos curitibanos ignora o carnaval. O carnaval, essa festa de exportação, apenas não me empolga.

Mas entro fácil no clima de folia e arrisco até balançar os ombros se houver o elixir da farra - a cerveja! - e uma boa coletânea de sambinhas.

Cartola, Zé Keti, Antarctica, Adoniran, Brahma Extra, Buarque, Jorge Ben, Original, Noriel Vilela, Monsueto Menezes... meu mais sincero agradecimento.


Let's Samba! >>> Zé Keti - A Voz do Morro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CSI Curitiba

O almoço foi deveras agradável e a garoa fina e fria pedia um café sem açucar, mas a vizinhança estava agitada. Na calçada, o caminhoneiro, a velha chata e uma senhora de guarda-chuvas estavam de olhos esbugalhados, observando atentamente um dos sobrados em frente à empresa. Aos gritos, anunciavam o perigo.

- Um cara entrou nessa casa! Arrombou o portão, subiu no muro, pulou pra sacada, estourou o vidro e entrou.

Entre perguntas e piadas, soubemos que a polícia estava a caminho. Alguns vizinhos deram a volta na rua para cercar o assaltante, outro segurava um taco de baseball. Em menos de cinco minutos, a Polícia chega castigando os pneus. Quase os convidei pro Go Kart. O caminhoneiro diz à PM, esbanjando intimidade com a Tribuna do Paraná:

- O indivíduo está lá dentro!

De arma em punho, policiais correm para trás da casa. Eu corro atrás do poste, rindo. Outros tentam entrar pela frente. Mais duas viaturas também chegam. E o meliante tenta fugir pelo lado, pulando os muros da redondeza. Alguém vê e avisa. A polícia corre. Nós também.

Os policiais observam por todos os lados, mas o rapaz desapareceu. Não fugiu pro riacho, nem para a escola, nem pro vizinho seguinte. Sumiu. No terreno onde estão dois policiais, há duas casas de madeira, com aquele espaço entre o tablado e o chão. Um policial se abaixa. E o indivíduo estava lá, escondido e quieto.

- Saia daí, filho duma puta! Saia logo e pare com essa merda!

Ouve-se um disparo. Todo mundo assusta, até o meliante, que é retirado da parte debaixo da casa, leva uns cinco chutes nas costas e na cabeça e outros quatro ponta-pés antes de ser algemado.

Os vizinhos relacionam todos os crimes na região ocorridos nos últimos dez anos ao polaco manco que era jogado no porta-malas da viatura. O rapaz ostentava um cachimbinho de crack pendurado no pescoço, um olhar chapadão, um relógio Chopard (!) com a pulseira detonada e o PS2 que acabou de roubar.

Sempre bom um pouco de emoção, mas eu ainda quero meu café.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mileides

Às vezes, reluto para acreditar que o tempo avançou de tal forma. O casório do mileide Celso Jr., vulgo Juninho, rendeu momentos de profunda reflexão. Um momento tão marcante pra uma pessoa tão próxima provoca flashbacks e traz a infância aqui pra perto. Sem perceber, me deixei leve, jovial e feliz por umas sete horas no último sábado.

E é interessante relacionar acontecimentos tão distintos e atemporais por, superficialmente, não existir razão alguma em unir o casamento às molecagens, mas a total consciência de que o homem de hoje é reflexo de uma vida inteira fez com que eu partilhasse aquelas horas com meu primo querido e sua esposa à mercê do que eu gosto de chamar de felicidade plena.

Desejo do fundo do meu coração que o Celsão e a Juliana sejam felizes para sempre. Pois eu acredito em matrimônio feliz sim, desde que o casal seja inteligente o suficiente para adaptar-se à vida em casal por amor. E, sem dúvida, eles são.

É isso, foi um post-homenagem ao querido Mileide.

Celsão, eu e Zelu: os Mileides.

Primos no casório.

Let's Rock! >>> The Smiths - There Is A Light That Never Goes Out

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Estatísticas

Entre 01 de janeiro de 2008 e 01 de janeiro de 2009, 3.967 visitantes entraram 10.439 vezes no Estranho Caminho 2.0. No dia 03 de dezembro, o pico de 70 pessoas num só dia. Tá muito longe dos números de vários blogs que conheço, mas mesmo assim é muita gente perdendo tempo com o quê eu escrevo.

Interessante que são visitas de 41 países - destaque para Argentina, Portugal e Estados Unidos - e mais de 400 cidades: Curitiba, São Paulo, Ribeirão Preto (!), Araraquara (!), Belo Horizonte e Rio de Janeiro lideram as estatísticas, onde cidades pequenas ainda não são identificadas.

Meu texto sobre baixar filmes via torrent é, disparado, o mais acessado no período. Em seguida, um dos meus preferidos, aquele que ensino como fazer um filho gostar de ler.

A parte mais bizarra das análises estatísticas são as palavras-chave. Esse quesito me espantou por não conter várias bobagens, mas uma única bobagem em grande escala. Apesar de "como fazer para filhos gostar de estudar" ser o quê mais traz pessoas até aqui, "baixar filmes tranny" vem em seguida - não sabe o quê é tranny? Digite no google. Bizarríssimo. E eu nunca escrevi palavras de baixo calão como buceta, viado ou pinto aqui no blog - ao menos até agora (haha). De fato não entendi esse tranny. Depois aparece o óbvio, pessoas digitam "marcelo urânia" e chegam aqui. Em quarto, um orgulho roqueiro, várias pessoas digitaram "joy division transmission" e chegaram no Estranho Caminho.

Nada mais que curiosidades e um obrigado por motivar meu gosto pela escrita.

Let's Rock! Fábio Góes - Estatística

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O pequeno prazer de Amarante e Moretti

Enquanto Marcelo Camelo, perdido no próprio ego, tenta ser Dorival Caymmi, Rodrigo Amarante aproveitou bem o tempo longe do Los Hermanos para se dedicar às novas experiências: primeiro fez parte do combo de samba Orquestra Imperial e, depois, foi para os EUA gravar com Devendra Banhart. Fabrizio Moretti, baterista da nova-iorquina The Strokes, seguiu o exemplo de Nikolai Fraiture e Albert Hammond Jr, seus companheiros da banda principal, e resolveu também se aventurar num projeto paralelo. Os dois músicos cariocas afinaram as forças em Los Angeles para formar, ao lado da namorada de Fab, a tecladista americana Binki Shapiro, o Little Joy.

Fabrizio tá a minha cara, né, não?

Não há dúvida que o repentino sucesso - o hype - do trio deve-se à devoção dos fãs às bandas de Amarante e Moretti, mas a mescla entre os sons de Los Hermanos e Strokes somada à delicadeza de Binki Shapiro e à maresia de LA, deixa o disco encantadoramente praiano e descompromissado.

As duas primeiras, The Next Time Around e Brand New Start, trazem dedilhados praianos, mas são claramente cognatas do jeito Strokes de fazer música. Play The Part, a terceira, é pura fase Buarque wannabe do Los Hermanos. Em No One's Better Sake, talvez a melhor do disco, rola até tecladinho jovem guarda. A quinta faixa traz Binki Shapiro no vocal da doce e melancólica Unattainable. Shoulder To Shoulder lembra Tom Waits na construção inicial e possui bons backings na parte final. Sétima, With Strangers é Los Hermanos em inglês com backings gospel. Keep Me In Mind é uma trombada do Is This It com o Ventura. How To Hang A Warhol tem letra divertidinha sobre despretensão. Em Don't Watch Me Dancing, Binki lembra Nico nas baladas do Velvet Underground. A última do disco, Evaporar, só pode ser sobra do 4.

Sempre soft e lo-fi, às vezes hippie e sixty, o álbum soa agradável e tão bonitinho que, é bom alertar, pode passar despercebido.

Assista ao belo clipe de No One's Better Sake, a melhor do disco, com participação de Devendra Banhart na percussão:



Agora é só esperar pelo show do Little Joy desta quarta-feira, em Curitiba.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lost: um roteiro e uma bússola

S04E11 (exibido em 08 maio de 2008) : Em 1961, Richard Alpert vai à casa de John Locke, então com 5 anos, e mostra alguns objetos, entre eles uma bússola, e pergunta: Qual desses objetos já lhe pertence? (veja a cena aqui). Ninguém entende porra nenhuma.


S05E01 e E02 (exibido em 21 de janeiro de 2009): Em 2004 John Locke volta no tempo, aparece em meados de 1970, recebe uma bússola de Richard e ouve que na próxima vez que se encontrarem, não seria reconhecido, e que o objeto serviria como uma espécie de senha para reconhecimento entre os dois. Aí a ilha tem outro "clarão" e...


S05E03 (exibido em 28 de janeiro de 2009): ... John Locke está em 1954, dois anos antes do seu nascimento, e vai ao encontro de Richard Alpert, que não o reconhece. Locke entrega a mesma bússola à Richard, como prova de que já se conheciam. Richard não entende bulhufas, por ainda não saber nada sobre viagens no tempo, mas não desdenha, pois Locke diz ser enviado por Jacob. Locke sugere então que Alpert o visite em 7 anos.


Quem assiste novela não aguenta Lost.

Let's Rock! Paul Westerberg - Things