quinta-feira, 27 de novembro de 2008

1001 Singles: ‘Hoppípolla’, Sigur Rós.

É a terceira faixa do álbum Takk, o quarto da banda islandesa de post-rock Sigur Rós, lançado em 2005 e cantado em língua genuinamente islandesa – sem interferência lexical do inglês.


Apesar da evidente barreira lingüística, Hoppípolla impressiona por se construir num crescendo contínuo e elevar o ouvinte à uma atmosfera lúdica/poética que transcende limitações físicas e ataca a impossibilidade da sintonia perfeita entre verso e intelecto. Em resumo: alucinação pura.


Eu fui obrigado a colocar essa música como o som do meu despertador. É de um lirismo incomensurável. Acordo sorrindo. Aproveite o videoclipe abaixo, é o exemplo perfeito da simbiose entre som e imagem.



Outras músicas por Sigur Rós: Milano, Glósóli, Saeglopur.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fui fisgado por (mais) um filme...


Já deve ter acontecido com você... tá lá deitadão no sofá, olhar macambúzio, roupa de usar APENAS em casa, quando de repente percebe que tem um filme começando e resolve ver uns minutinhos, enquanto não encontra algo melhor ou o sono não chega, mas... é fisgado de tal maneira que não consegue parar de ver.

Aconteceu comigo neste último sábado, com o dramalhão O Som do Coração - a tradução melosa que inventaram para o filme August Rush, dirigido por Kirsten Sheridan. Já aviso: não se engane, o filme é ruim. Porém, há pontos positivos que realmente apanham a atenção do telespectador.


No começo, parece um clipe do Sigur Rós. Perfeita harmonia entre imagem e som. Aí surge aquele menininho de Em Busca da Terra do Nunca na tela, o prodígio Freddie Highmore, pirando com todos os tipos de barulhinhos. Em seguida, descobrimos que o moleque está num orfanato e é taxado de esquisito por ter a audição extremamente aguçada e acreditar que pode reencontrar os pais biológicos através da música.

Paralelamente à história do bastardo, há a vida de dois jovens músicos, um guitarrista e uma violoncelista (interpretados por Jonathan Rhys Meyers e pela insossa Keri Russell), que passaram uma noite juntos no topo de um prédio, atraídos pelo som de uma gaita, mas foram separados pelo pai da moça. Essa parte da trama é fantasticamente mal resolvida, chega a ser engraçado como o diretor tratou do romance apenas para deixar o filme previsível.

O personagem principal, nascido Evan Taylor e assim que chega à Nova York - onde todo o tipo de som é propagado para todos os lados - é transformado em August Rush pelo tutor Wizard (Robin Williams vestido de Bono Vox) e começa a desenvolver o dom da música até que vai parar em Jilliard, a mais conceituada escola de música dos EUA. O moleque, logo de cara, mostra requintes de Mozart e escreve uma sinfonia a fim de fazer sua música chegar aos ouvidos dos pais.

E você, claro, já sacou há tempos o quê vai acontecer.

Esse é o grande problema do filme. Apesar do elenco estrelado e da boa trilha sonora (concorreu ao Oscar de melhor canção original), fica evidente que a história poderia ser muito, muitíssimo melhor explorada, mas perdeu-se em detrimento de um roteiro previsível e acessível. Porém, para um espectador descontraído ou tolerante, a previsibilidade permite um filme absolutamente encantador.

É uma sessão da tarde, um cinema em casa, pronto pra te fazer chorar. Então dê um jeito de arrumar um lenço antes de assistir. Ou enxugue as lágrimas na almofada.


Let’s Rock! >>> Jonathan Rhys Meyers - Moondance

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

R.E.M.

Até hoje eu fico puto quando penso que perdi o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana. Não dá pra acreditar que um cara de 20 e poucos anos, dito roqueiro, não vá assistir aos Rolling Stones no Brasil. Perdi também Strokes e Wilco, numa mesma noite de Tim Festival, em São Paulo. São apenas dois exemplos de shows que eu não acredito que perdi, não entendo o porquê resolvi economizar. Deveria ter feito um empréstimo, parcelado em trezentas vezes, ficado sem beber nos três meses seguintes, mas nunca perder shows desse náipe.

Tô com a mesma sensação hoje. Às 22h, o R.E.M. toca no Estádio do São José, em Porto Alegre. No sábado, o show é no Rio de Janeiro. E segunda e terça em São Paulo. Vai ser lindjo!


Fico decepcionado comigo mesmo, às vezes. Eu deveria pegar um avião e apenas estar em Porto Alegre até às 22h.



Let’s Rock! >>> R.E.M. - Orange Crush / Losing My Religion / Man On The Moon / Bad Day / Fall On Me / Daysleeper /The One I Love / Everybody Hurts

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obamania: The Change We Need. What?

Estou cagando e andando pra política. Desde que Madre Teresa de Calcutá morreu, não acredito que alguém vivo possa colocar o interesse público à frente do pessoal. Por isso não dou a mínima para prefeitos, governadores ou presidentes. São todos corruptíveis. Absolutamente todos.


Não há ideologia que sobreviva ao dinheiro, às ameaças e até à sedução de um bola-gato (ball-cat). Então não faço questão alguma de votar, só chego chegando numa urna eletrônica quando não consigo inventar uma desculpa ou quando o candidato favorito é muito mais cafajeste que os outros - aí voto no segundo colocado das pesquisas, como protesto. Isto posto, meu nobre, é evidente que ignorei por completo a reeleição de Beto Richa (nem votei, preferi torcer pelo Palmeiras) e observei de longe à disputa McCain e Obama.


A cada dia ficava mais nítido que o candidato democrata sairia vencedor. Da suposta aversão da sociedade estadunidense à etnia e aos sobrenomes que lembram inimigos norte-americanos, o havaiano Barack Hussein Obama, virou, de repente, esperança mundial, ícone pop e aglutinador de ideais patrióticos, o quê levou 66% dos eleitores americanos às urnas, a maior taxa desde 1908 – mesmo com a imensa maioria desconhecendo por completo as idéias de governo de qualquer um dos candidatos.


Para o mundo todo, o rosto jovial de Obama tornou-se o oposto do religioso e bélico governo Bush. Além disso, artistas de prestígio aderiram à campanha. Eu, por exemplo, apenas atentei e nutri simpatia por Barack Obama após a primeira manifestação do Jeff Tweedy (influência inevitável, pô), porém, se eu fosse norte-americano, Obama não me faria sair de casa para votar.


Agora eleito, Obama é a esperança. Porém, fica a pergunta: qual esperança, cara pálida? Ninguém sabe. Ninguém, nem os estadunidenses, muito menos europeus ou asiáticos. Até porque os especialistas não esperam grandes modificações entre o governo Bush e o futuro. Essa história de esperança vencer o medo, nós brasileiros conhecemos bem e não representa bosta nenhuma. Inclusive, du-vi-do que o ponto mais importante para o mundo, a política econômica externa norte-americana, sofra mudanças significativas.


Let’s Rock! >>> Bruce Springsteen - This Land Is Your Land

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Especial GP Brasil: Hamilton x Massa, parte final.

Só comparo minha paixão pelo futebol ao sentimento pelo automobilismo. Sou fã de esporte e qualquer competição de merda tô assistindo, seja segunda divisão do futebol paulista ou campeonato amazonense de kart.


Gosto mesmo, desde criança. Meu pai conta que eu era bebê de dois ou três anos e deitava com ele no tapete pra assistir aos domingos esportivos da TV Bandeirantes. Minha mais antiga memória é de 1989 e não é sobre Palmeiras, é com Alain Prost sendo campeão ao colidir com Ayrton Senna e erguendo aquela plaquetinha fdp.


Tudo isso pra falar sobre o quê vi ontem. Nunca na minha vida havia transitado entre conformidade-êxtase-decepção de forma tão abrupta. Emoção assim, tão volúvel, tão céu- inferno, nem nos tempos de Senna, nem nos títulos do Palmeiras.


Adoro corridas. E vou contar aos meus filhos sobre Alonso, Vettel, Raikkonen, Glock, Hamilton, Massa e a maior decisão da história da Fórmula 1!


Let’s Rock! >>> The Polyphonic Spree - The Championship