quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Do dia que eu ganhei uma corrida

Era sábado e perto das 14h chegamos ao kartódromo. A pista estava bem molhada após horas de garoa e a temperatura não passava de 15ºC. Uns 20 minutos antes da largada, todo mundo pagou e vestiu as roupas pra chuva enquanto traziam os karts pros boxes. Aí, foi só acelerar. Segue abaixo meu depoimento à imprensa, logo após a corrida:



na classificação, eu tava com a nítida impressão que tava indo mal. a pista tava muito molhada. eu não conseguia dominar o kart no traçado de pista seca e, usando a pista por fora, me achava muito lento. e meu pé esquerdo não firmava pq o chassi tava molhado e ficava escorregando.


tava dando a alma, no limite, mas o pessoal que saiu pra fazer tempo na minha frente parecia que tinha se distanciado ainda mais. achei q tava uma bosta. na chamada pra formar o grid [invertido. o mais rápido larga em último], fui ficando, ficando, ficando... e aí abri um sorrisão.


a largada foi massa. o fernando e o wartin tentaram se fechar e aí fecharam o diogo. passei os três pq a pista ficou livre do meu lado. sorte pura. busquei tangência com calma pra ficar na frente deles. aí alguém rodou EXATAMENTE na minha frente e eu não bati forte por milímetros. tranquei o bóga de medo. mas passei ileso.


olhei pra trás e tinha formado uma muvuca. gente desviando devagarinho e coisa e tal. nessa hora, antes da segunda curva, sobraram uns cinco ou seis na minha frente. dois ou três rodaram no miolo e eu passei, com cuidado pra não rodar. na reta oposta eu era o terceiro e o segundo rodou na entrada do cotovelo. não consegui passar pq tava meio longe, mas saímos junto do cotovelo e eu tracionando melhor. passei o cara na freada do final da reta. aí fui buscar o outro cara q tava em primeiro q, senão me engano, rodou na segunda curva.


aí foi só rezar pra me manter sem rodar, pq o kart tava bom e eu tava guiando firme. ergui os braços várias vezes durante a corrida pra comemorar - se eu perdesse, ao menos já tinha comemorado. fui rodar na penúltima volta, quando ultrapassei o ricardo por fora na primeira curva. acho q empolguei demais e duas curvas depois, no miolo, rodei. morri de medo achando que alguém poderia me passar.


aí percebi q ninguém tava tão perto e segui tranqüilo. vi a bandeira branca e já comecei a pirar. ouvi a frase “traga a criança pra casa”. lembrei do senna. lembrei do senna mesmo, é sério. fiquei urrando no kart. e com os braços erguidos, fazendo sinal de metal. quando cruzei a linha de chegada, uma voz disse em alto e bom som “bem-vindo ao mundo das vitórias”.



Maiores informações: www.gokartcuritiba.blogspot.com


Let’s Rock! >>> R.E.M. - Accelerate

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ricardo Teixeira, Roberto Requião e Curitiba fora da Copa de 2014.

Politicagem e sujeira são praticamente sinônimos. E não fui eu quem criou essa fama. Depois que a FIFA anunciou a intenção de ter apenas 10 sedes na Copa de 2014 – e não 12, como pretende o governo brasileiro -, Curitiba pode dançar. Apesar da Kyocera Arena, o estádio do Atlético/PR, estar em reforma para ampliação, não é garantido que Curitiba seja uma das 10 sedes. Inclusive, é pouco provável.

São dois problemas políticos que podem colocar Cuiabá no lugar da capital paranaense. O primeiro, mais simples de ser resolvido, é colocar o prefeito Beto Richa, o governador Roberto Requião e a cúpula atleticana, sorridentes, na mesma foto. Com dinheiro tudo se ajeita.


A segunda questão, mais séria e nebulosa, remete à treta entre Requião e Ricardo Teixeira, o liso presidente da CBF. Os dois não se bicam, é público e notório. Por outro lado, pra completar, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, é amigão de Teixeira e promete dar a estrutura que a CBF quiser.


Ou seja, uma cidade com estádio quase pronto (Arena da Baixada), em uma região com futebol local forte (Atlético, Coritiba e Paraná), dá lugar para uma cidade sem estádio e sem tradição no futebol. Tudo em nome da politicagem e do superfaturamento. Sem contar que o estádio que poderá ser erguido em Cuiabá ficará às moscas depois da Copa...


Em tempo, as prováveis dez sedes da Copa do Mundo de 2014: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Se houver doze sedes, entra Curitiba. Para decidir a última vaga, uma briga entre Natal, Manaus e Florianópolis que a força da floresta deve levar fácil, fácil.




Let’s Rock! >>> Talking Heads - Don't Worry About The Government

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hábitos

Já perdi as contas de quantas vezes, ao passar pelo Viaduto do Capanema, usei o telefone. O resultado é que...

"Pizzaria Victorelli, boa noite."
"Boa noite. Queria uma pizza grande de calabresa."
"É o Marcelo?"



Let's Rock! MC5 - Teenage Lust

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quando as curvas têm nomes...

Eu sou daquele tipo que fica na expectativa pra ver uma corrida. É assim com o GP de Mônaco, suas ruas estreitas e as indefectíveis Gran Hotel Hair-pin, Rascasse, Sainte Devoute, Mirabeau e o Tunnel. Espero muito também por Interlagos, obviamente. O Laranjinha, a Junção, o Pinheirinho, Bico de Pato e, claro... o S do Senna.


Porém, nenhum se compara ao GP da Bélgica. São quase sete quilômetros de pista, numa região sem grande poder econômico, construído usando parte uma estrada que ligava as cidades de Malmedy, Stavelot e Francorchamps. Um dos últimos circuitos históricos da F1.

Em tempos de pistas gélidas como Cingapura, Kuala Lumpur e Bahrein, é admirável notar que o único motivo para Spa-Francorchamps resistir ao dinamismo das estruturas de mercado e se manter no calendário atual é... o magnetismo das curvas.

Não há preço ver os carros largarem para o grampo da La Source, prepararem-se para a fantástica Eau Rouge (até nos games é difícil ter coragem para contorná-la de pé embaixo) e, após uma sequência de curvas, abocanharem a Blanchimont. Pena que ceifaram a Bus Stop, mas o circuito não perdeu sua aura clássica.

Ah, uma pista em que as curvas têm nomes, sinal inequívoco que se trata de um traçado com tradição!

A Eau Rouge em 1965 (clique para ampliar)

Segue a programação para o GP da Bélgica de F1:
05/09 treino livre 1 (5h) treino livre 2 (9h)
06/09 treino livre 3 (6h) classificação (9h)
07/09 corrida (9h)

Let’s Rock! >>> George Harrison - Faster