quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

The Jayhawks, a descoberta do ano

De repente, o A.M. passou para o Yankee Hotel Foxtrot que, por sua vez, levou-me aos projetos ligados ao Wilco. Deparei-me então com o Fine Another Day, do combo Golden Smog, que entre seus membros está Gary Louris, integrante do The Jayhawks. Pronto. Quando notei, estava em Minneapolis, Minnesota (EUA) e havia passado uma temporada inteira ouvindo uma das poucas bandas que encararam o grunge. No player, sem parar, Tomorrow The Green Grass, dos fabulosos The Jayhawks.

Defino os J-Hawks como uma mescla de Wilco, Neil Young e Ryan Adams com Harrison, McCartney e Big Star. Uma senhora salada, mas é pra sacar bem qualé o som. É a lapidação do alt-country do Uncle Tupelo, desbastando o punk e deixando o power pop. Pra usar um termo desses que jornalista tanto gosta, arrisco um alt-power-country (haha), se é que você me entende.


O início dos J-Hawks data de 1985. E, como qualquer banda, sofreram pacas até alcançarem certo sucesso comercial. O refresco no bolso veio em 1992 com o Hollywood Town Hall, a opção dos americanos roqueiros que não agüentavam mais o Soundgarden, o Mudhoney, o Nirvana e o Pearl Jam. No final de 1994 a banda retornou ao estúdio com o produtor George Drakoulias para, em fevereiro do próximo ano, sair com o clássico extremo e um dos grandes discos da minha vida, o Tomorrow The Green Grass.


O álbum é uma obra-prima. A harmonia nos vocais dos gênios Mark Olson e Gary Louris é o ponto alto do disco, os tecladinhos e a voz doce dos backings de Karen Grotberg somados à cozinha de Marc Perlman (baixo) e Don Heffington (bateria) completam o time, além de outras participações especiais como Benmont Tench (dos Heartbreakers de Tom Petty) e Nicky Hopkins (entre outros, participou das gravações do Exile On Main Street e do White Album).


É difícil escolher o destaque entre as treze músicas do disco. Bad Time foi a primeira que me conquistou, o chamariz pra ouvir tudo sobre a banda. É o riff mais George Harrison que o ex-beatle não fez. Ouvi dias e dias compulsivamente. Sublime. A próxima música do disco que ouvi no repeat foi Over My Shoulder, começa com violino e logo a guitarra toma conta, calminha, casando perfeitamente com os vocais e bateria. É pra cantar junto. Baladaça.


Blue, I´d Run Away e Miss William´s Guitar abrem o disco. Um dos melhores começos de disco de toda a história – exagerado, eu?. Destaque para o arranjo de cordas em Blue e para a junção violino-bateria no começo de I´d Run Away. Two Hearts, Nothing Left To Borrow e Ten Little Kids são outras pérolas.


Infelizmente, a genialidade de Olson e Louris geraram turbulências internas e Olson saiu da banda durante a turnê do Tomorrow... para lançar-se em carreira solo. Louris continua com os Jayhawks até hoje, porém, sem o mesmo vigor dos tempos da parceria. E Jayhawks sem os dois, pra mim, não é Jayhawks.


Baixe:

Hollywood Town Hall, 1992.

Tomorrow The Green Grass, 1995.

(links extraídos do excelente Wilco, etc.)


Let´s Rock! >>> The Jayhawks (todo o álbum Tomorrow The Green Grass)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Palestra à Europa.

O técnico Vanderlei Luxemburgo tem armado a equipe do Palmeiras neste início de Campeonato Paulista com três atacantes - Willian, Alex Matador Mineiro e Luiz Henrique -, seguindo uma tendência européia de esquema tático.

Por enquanto, não funcionou, é verdade, pois depender de Willian e Luiz Henrique nos flancos é teste pra cardíaco, amigos. Para surtir efeito, é necessário que um dos pontas tenha características de armação (como a tríade Tevez, Rooney e Cristiano Ronaldo, no Manchester United, onde este último pode jogar como meia-armador).


Percebemos então que Luxemburgo prepara o time para a chegada das novas contratações. Com Diego Souza e Lenny liberados para jogar, a equipe pode finalmente deslanchar. A tendência é Lenny no lugar de Willian, pela esquerda, e Diego Souza no lugar de Luiz Henrique, alternado com El Mago Valdívia a função de ponta-direita.

Além da linha de zagueiros (Granja, Gustavo, Dininho e Leandro), ficaríamos com Pierre e Martinez na marcação, como volantes, e o Diego Souza no meio. Um 4-3-3 vigoroso, com muita qualidade no meio. A grande vantagem dessa equipe é a possibilidade de alternar o esquema tático sem substituir jogadores.

Diego Souza pode tornar-se um terceiro volante pela direita, formando um losango com Martinez pela esquerda e Valdívia armando. Lenny e Alex Matador Mineiro formariam dupla de ataque, enquanto Granja e Leandro (ou Valmir) apoiariam com mais frequência. Um legítimo 4-4-2.

É possível jogar até com um 3-5-2, recuando um pouco o Pierre e liberando ainda mais o Granja e o Leandro (Valmir). Martinez e Diego Souza como volantes. Valdívia na armação. Porém, como o Luxa não gosta de três jogadores na defesa, vejo como pouco provável.

Enfim, o Palmeiras terá um time titular fortíssimo em breve, para padrões brasileiros. E com a possibilidade de mudar o esquema tático conforme o adversário ou de acordo com a proposta de jogo. Agora é questão de arrumar um pouco mais o banco de reservas. E aí gritaremos é campeão!


FORZA, PALESTRA!


Let´s Rock! Ian Brown - Illegal Attacks

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Fanfarra Indie

Meu primeiro contato com o Beirut não foi muito agradável. A sacola de referências do gurizão sanfoneiro Zach Condon me entusiasmou, mas após uma ou duas ouvidas no début Gulag Orkestar, de 2006, desisti da banda. Não me apeteceu. Achei um tanto modorrenta aquela porrada de instrumentos soando como se árabes, balcãs, franceses e ciganos tivessem formado uma fanfarra com um imitador do vocalista do Magnetic Fields.

Em 2007, Zach e seu Beirut reapareceram com mais uma capa espetacular no lançamento de The Flying Club Cup. Torci o nariz, claro. Li muitos elogios, mas resisti bravamente ao hype. Aí, no finalzinho de 2007, cedi à curiosidade. E downloadeei todo o novo álbum para ouvir Nantes, a tão elogiada segunda faixa.


Fodeu tudo, xonei total. Nantes me fez dançar no carro, clicar no repeat e esquecer da vida. Dançava com o sinaleiro no vermelho. The Penalty tem um instrumental fodido, de fazer nego barbado balançar os braços feito o cigano Igor. Não imaginei que sanfonas voltariam a me chacoalhar anos após as festas bêbadas da faculdade. A Sunday Smile, a faixa três, dá vontade de gritar junto com o refrão. O final de Un Dernier Verre (Pour La Route) pede um gole demorado de vinho, daqueles que escorrem pelo pescoço. Essa música me trouxe Como Se Fosse a Primavera, do Terminal Guadalupe, à mente. Duas canções com o instrumental final arrebatador.


Depois do The Flying Club Cup, voltei até com o Gulag Orkestar – por isso nunca deleto minhas músicas. Postcards From Italy, The Bunker e After The Curtain me pegaram. E ouço sem parar. Inclusive, acabo de gravar um cd para minha amada com a fanfarra de Zach Condon.


Beirut, meus amigos, é o som desse janeirão-véio-de-meu-Deus.


Let´s Rock! >>> Beirut - Cliquot

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Californication, a série

Elegância pura falar sobre Lost, Heroes, Smallville, Two and a Half Man, The Big Bang Theory, Californication ou qualquer outra série de TV. Nem parece que esses nomes posudos são novelas. Tá, o mais correto é chamar de seriado, mas parece novela. Uma novela mais bem produzida, mais ousada, sem tantas obrigações populares – talvez por isso o jeitão de filme -, mas ainda sim um baita novelão.

Com a TVA à disposição, e grátis, tenho trocentos canais bem à frente da cama e ao alcance do controle remoto. Uma mordomia. Alguns canais de esporte, outros de filme e a maioria de... seriados.

E assim, de repente, eu virei um noveleiro. Não perco a reprise de Lost na noite de domingo, nem as piadas nerds de The Big Bang Theory e Two And A Half Man, nas terças. E não perdia, por nada no mundo, o extraordinário Californication. Não perdia, agora eu perco. É que eu gostei tanto, mas tanto, que baixei toda a temporada do seriado e assisti em um dia. Fui dormir às 3h de um domingo só pra ver as peripécias de Hank Moody, personagem de David Duchovny – o agente Fox Mulder, no antigo Arquivo X.

Em Californication, Hank é um escritor famoso que teve seu livro adaptado para o cinema e odiou o resultado. Em pleno bloqueio criativo, o fanfarrão Hank bebe todas, fatura a mulherada e não tem papas na língua. Um Charles Bukowski galã, se este fosse one hit wonder. Pra ajudar, rompeu sua relação com Karen, a bela Natascha McElhone, por medo de casar e por querer comer todas as mulheres do mundo. Agora Hank busca retomar a relação, porém, sem deixar as outras mulheres fora de sua cama, inclusive a filha de 16 anos do atual namorado de sua ex. O canastrão e apaixonado Hank só disfarça (ou tenta disfarçar) a promiscuidade perto de uma pessoa: a filha de 13 anos, Becca (Madeleine Martin), fã de Death Cab For Cutie e Eagles Of Death Metal.

E a série é rock’n roll. Não exatamente no sentido musical, mas devido às inúmeras referências espalhadas por todos os episódios. Além das nada sutis cenas de sexo e drogas, Californication trata a história da música e do cinema com maestria. A citação mais clara é quando Hank conversa com Becca no final de um episódio e cita o clássico disco de 1975, Blood on the Tracks, de Bob Dylan, como uma tentativa de revigorar o coração partido de sua filha. Outra boa e engraçadíssima citação à música é a aparição de dois cachorros em um episódio, o Cat Stevens e o Yusuf Islam. Fabuloso.

A série é uma comédia adulta, não há dúvida. Sexo, muito sexo, diálogos ardilosos, substâncias ilícitas, relacionamentos intempestivos, rock´n roll e amor. Californication é transmitido no Brasil pela Warner, às 22h, toda terça-feira, mas você pode baixar toda a primeira temporada aqui.

Let´s Rock! >>> Bob Dylan - If You See Her, Say Hello

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Top 7 Scream & Yell

(...) o tradicional especial de Melhores do Ano do Scream & Yell está no ar. São 91 convidados entre músicos (Gabriel Thomaz, do Autoramas; Helio Flanders, do Vanguart; Dary Jr., do Terminal Guadalupe e mais), jornalistas da Folha de São Paulo, do Jornal do Brasil, da Rolling Stone Brasil, da Playboy, da VIP, da Rock Press, da MTV, da Bravo!, da Veja, do Zero Hora; cabeças pensantes de sites geniais como o Urbanaque, o Pilula Pop, a Revista O Grito!, o Coquetel Molotov, o Alto Falante, a Laboratório Pop, o Bacana, o Muzplay, o Whiplash! , o Sampaist, o Tinidos e muito mais. Além de sábios como Kid Vinil, Gastão Moreira e Wander Wildner.

Entre e confira.


Let´s Rock! >>> Bob Dylan - Most Of The Time (High Fidelity Soundtrack)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Bob Dylan in Brazil

O mestre Robert Allen Zimmerman, o Bob Dylan, lenda viva da música, ícone da contracultura, profeta folk e porta-voz de várias gerações, desembarca pela terceira vez para shows no Brasil na primeira quinzena de março, em São Paulo e no Rio de Janeiro, ainda sem locais definidos.

Cogita-se o Via Funchall ou Auditório Ibirapuera para a apresentação paulista e o Viva-Rio para a capital fluminense. Em Buenos Aires já está confirmado o local e a data da apresentação: 15 de março no estádio do Velez Sarsfield.

Apesar da voz nasalada como nunca, a nova mania de tocar piano em shows e o fato de estar cada dia mais parecido com a Dercy Gonçalves, a expectativa é enorme. Além de vários álbuns clássicos em cinqüenta anos de carreira, ninguém que esteja vivo é mais importante para a música que o Mr. Tambourine Man.

Caso o show do Wilco seja confirmado para maio (velas acesas e orações diárias!), será um primeiro semestre alucinante para os amantes da boa música e agonizante para o bolso.

ATUALIZAÇÃO: O quê interessa
já é oficial: a turnê Modern Times passa por São Paulo para dois shows no Via Funchal, dias 05 e 06 de março. No dia 08 é a vez do Rio de Janeiro, ainda em lugar incerto.

Let´s Rock! >>> Bob Dylan - On The Road Again

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Histórias de natal

eu estava próximo de completar cinco ou seis primaveras. a ceia de natal era na casa do tio zinho, aquela perto da facip, em jales. a média de idade entre os primos mais jovens beirava os oito anos de idade.

há quase vinte anos atrás (deus, quanto tempo!), as crianças com menos de dez anos ainda acreditavam em papai noel ou, no máximo, ameaçavam reconhecer o tio zé atrás da barba branca postiça.

e
ra quase meia-noite, meninos e meninas alucinados na espera pelos presentes. meus pais e alguns tios, então, foram até o portão de entrada olhar o céu pra avistar o trenó do papai noel e atrair a criançada, afim de despistar enquanto o tio zé vestia a roupa de bom velhinho.

no portão, o tio zinho berrava que o trenó passara por ali, lá, acolá. eu e meus primos, atentos às indicações, não conseguíamos ver. “ali perto das três marias!”, e nada. “agora ele foi pra perto do cruzeiro sul, acho que tá tentando pousar aqui!”. mesmo sem ver trenó algum, vibrávamos com a possibilidade do pouso. na seqüência, meu tio berrou, entusiasmado, que o trenó passava por perto da lua: “tão vendo? tão vendo?”


e eu, na pureza da resposta da criança: "TÔ VENDO! TÔ VENDO!
"

Let´s Rock! >>> Sufjan Stevens -
Put the Lights on the Tree

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

TOP 3: MELHORES DE 2007

Começo de ano é assim mesmo, cheio de listas. Elaborei minha lista de cinco melhores para o site paulistano Scream & Yell e coloco aqui uma pequena amostra. Até o final do mês o S&Y deve revelar os melhores do ano com o voto de 100 jornalistas, músicos e agitadores culturais.


melhor disco nacional
1. "Tribunal Surdo", Violins
2. "A Marcha dos Invisíveis", Terminal Guadalupe
3. "Charme Chulo", Charme Chulo

melhor disco internacional
1. "Sky Blue Sky", Wilco
2. "Easy Tiger", Ryan Adams
3. "She's Spanish, I'm American", Josh Rouse & Paz Suay

melhor música nacional
1. "Mazzaroppi Incriminado", Charme Chulo
2. "Pernambuco Chorou", Terminal Guadalupe
3. "Grupo de Extermínio de Aberrações", Violins

melhor música internacional (top 5 irresistível)
1. "Impossible Germany", Wilco
2. "1 2 3 4", Feist
3. "Answers", Josh Rouse & Paz Suay
4. "Halloweenhead", Ryan Adams
5. "Nantes", Beirut

melhor capa de disco nacional

1. "Hurtmold", Hurtmold
2. "Menino Canta Menina", Instiga
3. "La Récréation", Wandula

melhor capa de disco internacional
1. "No Promises", Carla Bruni
2. "Sky Blue Sky", Wilco
3. "Hvarf / Heim", Sigur Rós

melhor show nacional (top 9 irresistível)
1. Violins - "TG Apresenta", Jokers Pub
2. Terminal Guadalupe - "TG Apresenta", Jokers Pub
3. Mutantes – Curitiba Master Hall

4. Poléxia – Teatro do Sesc da Esquina

5. OAEOZ – Grande Garagem Que Grava

6. De Mefs – "Festival Tinidos", Jokers Pub

7. Mariatchis – "Festival Tinidos", Korova Bar

8. ruído/mm - "Ruido Corporation", Korova Bar

9. Charme Chulo – "Festival Tinidos", Jokers Pub


melhor show internacional

1. The Killers, Tim Festival (Curitiba)
2. Arctic Monkeys, Tim Festival (Curitiba)
3. Bjork, Tim Festival (Curitiba)


melhor filme nacional
1. "Tropa de Elite"
2. "Cartola"
3. "Não Por Acaso"


melhor filme internacional
1. "Paris, Te amo"
2. "Ratatouille"
3. "Piaf - Um Hino Ao Amor"

melhor site
1. Last.fm (lastfm.com)
2. Omelete (omelete.com.br)
3. Bacana (bacana.mus.br)

melhor blog
1. Rubens K, "Qualquer Merda Que Der Na Telha" (rkjazz.wordpress.com)
2. Adri Perin e Ivan Santos, "De Inverno Records" (deinverno.blogspot.com)
3. Marcelo Costa, "Calmantes com Champagne" (screamyell.com.br/blog)


melhor descoberta

1. "Tomorrow The Green Grass", The Jayhawks (álbum de 1995)

2. "Prairie Wind", Neil Young (álbum de 2005)

3. "Illinois", Sufjan Stevens (álbum de 2005)


melhor aquisição

1. DVD "Sunken Treasure - Live in the Pacific Northwest", Jeff Tweedy

2. DVD "Heart Of Gold", Neil Young

3. TV 21" Tela Plana Panasonic


melhor programa de tv

1. "Californication", Warner Channel

2. "Sports Center", ESPN Brasil

3. "Álbuns Clássicos", The History Channel


melhor fato

1. Morar sozinho

2. Corinthians na Segundona

3. Festival Tinidos na capa do Caderno G


melhor festa

1. Formatura do Stephan

2. Carnaval em Solymar

3. 2º GP Tinidos de Kart


melhor viagem

1. Palmeiras, em dezembro

2. Ilha do Mel, em março

3. Morretes, em novembro


Let´s Rock! >>> Beirut - Nantes