sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Um Autêntico Barreado Morretense

O último 03 de Novembro foi o dia escolhido para me entregar ao mais tradicional costume paranaense: descer a Serra do Mar para saborear um BARREADO. Apesar do nome, não é bosta mole ou terra molhada, mas sim uma carne cozida por 20 horas debaixo da terra numa panela de barro vedada, ou embarreada (daí o nome).

O trajeto escolhido para enfrentarmos os 70 quilômetros até a cidade histórica de Morretes, litoral do Paraná e berço do Barreado, foi a bela e perigosa Estrada da Graciosa, cheia de flores, riachos, desfiladeiros e curvas fechadas (a Curva da Ferradura lembra muito o hairpin em Mônaco). Construída em 1854 e cravada no trecho de Mata Atlântica mais preservado do país, a rodovia teria uma vista panorâmica impressionante, senão fosse a merda da neblina.

Depois de menos de uma hora de viagem e muita conversa fiada, chegamos à Morretes. Às margens do Rio Nhundiaquara, a fome apertava. Enquanto Grazuíla, Binhanca e Jujubinha admiravam a arquitetura do município, Fernando e eu, quase desmaiando, fazíamos piadas para desbaratinar a fome.

Uma foto na ponte, alguns minutos pra decidir entre Madalozo e Casarão, mais algumas fotos, mais piadas toscas sobre fome e... entramos no restaurante Casarão. Uma beliscadinha na famosa Cachaça de Banana de Morretes, paciência para agüentar um garçom chato que se acha engraçado e sentamos à mesa.

Outro garçom nos ensina a preparar o Barreado como manda a tradição. E é bem simples. Em um prato fundo, coloque duas colheres de farinha de mandioca, adicione duas conchas de carne (sem muito caldo) e misture bem até formar uma meleca compacta que gruda no prato. Aí, meu amigo, é só mandar ver. Nem cachorro come (porque não sobra).

Nos restaurantes, normalmente existem duas opções: Barreado e Barreado com frutos do mar. Recomendo apenas o prato típico, apesar da vontade de devorar camarões ser grande em qualquer humano, o Barreado cresce na barriga e não deixa espaço pra nada além da bebida. Não se preocupe, camarão você come em outro lugar, aproveite o momento para degustar o Barreado e bebericar a Cachaça de Banana.

Aconselho voltar à Curitiba pela BR-277. Entenda bem, não aconselho voltar pela Graciosa. A volta é sempre a tardinha, horário do sono, da neblina ainda mais forte, de sentir o bucho cheio. Sem contar as duas doses de Cachaça de Banana que podem fazer efeito num bebedor inexperiente. De pileque, é pedir pra colocar uma cruzinha com o seu nome na beira da rodovia.

É uma graça de viagem.

Let´s Rock! >>> Ben Folds - All U Can Eat

Um comentário:

Anônimo disse...

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Mark