sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Narciso Nada, Violins e Terminal Guadalupe

Lançamento do projeto 'TG Apresenta'. Dia 09, no Jokers.

Há tempos não vibrava em shows de rock independente. A produção de boas músicas e bons discos brazucas continua em alta, diga-se. Porém, a questão era a falta de sintonia entre as três forças de um show: a música, o ambiente e o público.

Sempre surgia uma desculpa pra encostar-se ao balcão e conferir o show com tranqüilidade. Alguns poucos momentos de exaltação, em músicas específicas do Charme Chulo, OAEOZ, Poléxia ou do próprio TG. Nada, além disso. Faltava punch, dancinhas, bebedeira, punho cerrado durante todo o tempo. Faltava voz rouca no outro dia.

Até que resolvi ir ao Jokers na última sexta-feira.

Com uma puta chuvona lá fora, o horário já ajudou. Ficar em casa com o céu desabando dá uma preguiça dos diabos. E ainda com a super promoção chegue-cedo-que-sua-mulher-não-paga... perfeito. Antes das 22h já estava no Jokers pra menina mais linda do mundo não pagar entrada. E chegar muito antes do show força qualquer fanfarrão a beber um pouco mais. Às 22h10 já bebericava uma Brahma Extra geladinha, ô coisa boa. Deveria até ser lei, toda sexta-feira o ser humano merece cerveja e música de qualidade.

Infelizmente, perdi a noção do tempo e o Narciso Nada. Lugar cheio e animado é assim, prosa e cerveja demais. De repente, surge um apressado Dary Jr., vocalista do TG, avisando os integrantes do Violins que o show já está pra começar.

O Narciso Nada se despede e o Violins sobe ao palco, dois anos após a última visita à Curitiba, no Sesc da Esquina – melhor show com produção Tinidos, na minha opinião. E, rapidinho, tudo acertado pra apresentação começar.


O novo layout do Violins, por Leandro Gonçalves.

Beto Cupertino sem camisa e com partes das músicas pintadas no corpo, Pedro Saddi e seu teclado no meio do palco, Pierre Alcanfor a postos próximo das cortinas e Thiago Ricco ansioso pra se integrar ao baixo. Todos à frente do melhor palco de pequeno porte na cidade, umas 400 pessoas, ótimo público mesmo com a concorrência do Pato Fu.

Alternando músicas dos últimos três discos – Aurora Prisma (2003), Grandes Infiéis (2005) e Tribunal Surdo (2007) -, os goianos fizeram um show fabuloso, irrepreensível. Mesmo com a saída do guitarrista Léo Alcanfor, mostraram-se ainda mais pesados, de acordo com a intensidade e brutalidade que pedem os dois últimos discos. A melhor banda do Brasil, meus caros.

Voltei ao recinto dos shows a passos largos, fiquei de papo e perdi a noção do tempo de novo. O Terminal Guadalupe já estava tocando. Subi as escadas pra ter um segundo ângulo do show, do palco, das pessoas. O público, carente de apresentações da banda em sextas-feiras, compareceu em massa. E a banda, mais enérgica e profissional a cada dia, correspondeu.

Dary Jr. chamou Dudu Cirino, da Poléxia, para cantar ‘Sal de Fruta’. Um clássico. Em ‘De Turim A Acapulco’, foi a vez de Beto Cupertino se juntar à banda. Em ‘Pernambuco Chorou’, o ápice. Urros e danças desconexas junto do punch e do idealismo do Terminal Guadalupe. Em vários momentos, o público tomou o lugar de Dary para cantar. Notável o semblante de cada integrante do TG, estava na testa a sensação de dever cumprido, de show bem feito, de realização e reconhecimento.

Uma grande noite de ROCK.

Let´s Rock! >>> Violins - Gênio Incompreendido

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