sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Do dia que eu quase morri de tanto fazer força.

18 anos. Já gostando de cerveja e bacon, treinava nas equipes de base do Atlético-PR. E orgulhoso da conquista, fui ao terceiro treino no Atlético preparado para enfrentar o temido TESTE FÍSICO. A tarefa não parecia complicada: correr 2,5 Km em volta do gramado em menos de 12 minutos.

Cabe dizer que não é correr 500m, caminhar outros 500m e ir intercalando. É correr mesmo.

E lá fui eu com meus companheiros. Nas primeiras voltas, acompanhei o pessoal na boa. Depois, fui ficando pra trás, pra trás, pra trás, pra trás... até que o primeiro cavalo, digo, jogador, terminou os 2,5Km em 9 minutos. Impressionante!

Eu já estava com dor nos braços, a perna não respondia ao cérebro e eu pensava 'cadê minha mãe?'. No final, o técnico vendo meu sofrimento, permitiu que eu caminhasse. Foi um alívio. Percorri 2,2Km em 12 minutos. O último dos jogadores.

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

21 anos. Deveras apreciador de cerveja e bacon. Esportes uma vez ao mês. Trabalhava na fantástica fábrica de tintas, a Induscril. Certa vez, houve a necessidade de carregar quase 5 toneladas de latas de tintas para Ponta Grossa, cidade à 100km de Curitiba.

Eu trabalhava no administrativo da empresa, portanto, uns 3 ou 4 eram selecionados na produção para carregar os caminhões após às 18h. Eu sempre ficava numa boa. Eis que os caras da produção se rebeleram e não quiseram trabalhar além do horário. Ou seja, eu e o Supervisor de Produção, o grande Cassiano, mais o motorista do caminhão, Cléverson, embarcamos toda a carga.

Começamos às 17h30 e terminamos por volta das 21h. Além de tudo, era um sexta-feira, quase enfartei pra terminar o quanto antes e ir pra casa. Sorte que recebi um telefone da minha querida e linda prima Vívian me convidando pra comer pizza. Recuperei as forças lá...

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

17 anos. No auge da forma física, não pensava em cerveja e dispensava bacon. Metido a jogador de futebol, peito estufado, magrão, 1,92m. Quase um Luís Pereira com a bola nos pés e o número 3 nas costas. Havia um teste pro time juvenil do Coritiba, estava há seis meses na capital paranaense e louco pra ficar rico jogando futebol.

Cerca de 500 moleques estavam no campo do Capão Raso, às 13h, num sol de rachar. Cada pupilo representando sua escola de futebol. E eu com meu pai, vindo do interior com fome de bola, sem escola e preparação alguma.

Eram jogos de 30 minutos. E todos os aspirantes a boleiro foram testados. A cada fim de partida, o treinador do Coritiba selecionava os destaques e o restante voltava pra casa. Ou seja, 13h30min já tinha moleque cabisbaixo voltando pra casa.

Fui selecionado no primeiro jogo. Grandão, senta no banco e espera o próximo jogo - disse o homem do boné e do apito. Também fui escolhido no segundo, no terceiro, no quarto... lá pelas 18h, ainda sob sol, aconteceu o último jogo, talvez o oitavo ou nono do dia. 22 selecionados entre os 500. E eu entre os 22! Não agüentava nem andar direito, mas estava lá com o peito estufado e empolgado pelo brilho orgulhoso no olhar do meu pai.

O jogo começou e o lateral-direito adversário avançou pela ponta do gramado para cruzar até a área. Quando o levantamento aconteceu, já me posicionei, pulei como um jogador de basquete e dei uma puta cabeçada na bola, no melhor estilo zagueirão, alçando a pelota para fora da área. Foi a glória! Dei uma olhada rápida para o meu pai, que vibrava timidamente, encantado com o desempenho do pimpolho.

Eu estava cansado, exausto, exaurido, mas cheio de garra. No minuto seguinte à espetacular cabeçada, um contra-ataque do adversário. O mesmo filho da puta do lateral-direito pequenino e ligeiro, driblou o nosso lateral e avançou para a área, fiz a cobertura até do quarto-zagueiro (que tinha ficado no meio-campo, andando) e avancei para a marcação daquele peste ligeiro de 1,60m, no máximo.

Do mesmo jeito que cheguei para a marcação, fiquei. Levei um drible da vaca tão humilhante que, somado ao meu desgaste físico, não permitiu reação. O lazarento, após o drible, fingiu que ia cruzar e chutou para o gol, enganando ao goleiro. 1 à 0. Perdemos. E eu, triste e cansado como nunca, só queria sombra e água fresca.

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

23 anos, apreciador pra caraleo de cerveja, bacon e ovomaltine. Esportes a cada três meses. Resolvi, subitamente, para manter a forma física, fazer natação. E fui para uma aula experimental na academia Amaral, a melhor em Curitiba. E a mais próxima de casa.

Piscina aquecida de 25 metros, 6 raias, mulheres de biquíni... expectativa de mergulhar na água só aumenta. Trajado com minha indefectível sunguinha anos 60, canela de fora, bico do peito eriçado pelo frio e carona de paspalho, caminho ao lado da piscina até o professor.

Gente boníssima, Luiz (o professor) saúda minha chegada e já me apresenta aos alunos dentro da piscina, aos berros: pessoal, este é o Marcelo! Um aceno tímido é a resposta para os nadadores.

Já sabendo que eu não morro afogado e consigo afundar a cabeça n´água, o simpático Luiz pede pra eu entrar na piscina. A água é realmente quentinha, mas a dúvida se o aquecimento é artificial ou a base de urina não é confortável. Recebo, então, touca e óculos próprios para o esporte.

Sempre aos berros, Luiz pede para os alunos nadarem crau. E lá vou eu mostrar serviço. Vou e volto na piscina tranqüilamente. O Luiz dá umas dicas pra melhorar rendimento sem me esforçar tanto e pede pra eu ir mais devagar. Nesta hora, já imagino o Alexander Popov entregando-me a medalha de ouro nos 100m livres em 2008. Ledo engano...

Depois, nado peito. Vamos e voltamos na piscina. E eu já sinto um certo cansaço. Afinal, são CEM metros nadados. Agora, com a conhecida pranchinha. Só trabalho as pernas. E, meu amigo, que sofrimento. A merda da tal pranchinha não funciona direito! E dá-lhe pernada pra conseguir chegar do outro lado. E o peste do professor ainda pediu pro pessoal voltar! Eu voltei andando da metade pra frente.

Começo a sentir dores no corpo todo. Até dor de cabeça, algo incomoda muito. Coloco a culpa na touca. E tiro a borracha da cabeça.

A próxima ida e vinda na piscina, que já parece ter quilômetros, é livre. Então nado costas pra descansar um pouco. Um senhor divide a raia comigo, Gilberto. Barrigudão no maior estilo Tio Zinho, o cara me pôs no chinelo. Nadou com muito mais facilidade. Ele dizia: Marcelão, não é força, é jeito... logo você aprende.

Na ida seguinte, vou caminhando e conversando com o professor. Ele dá dicas e pede, pela quarta ou quinta vez, pra eu não me esforçar. Peço pra tirar os óculos de mergulho, porque ainda estou com dor de cabeça.

Nas próximas duas ou três idas e vindas naquele piscinão gigantesco já estou quase desfalecido. Na ânsia de ter um ataque cardíaco, resolvo parar. Saio da piscina e fico sentado observando os 10 últimos minutos da aula.

Uma velhona nada durante toda a aula. No final, ela me olha com ar de superioridade. Quase que eu peço pra ela tentar me vencer em qualquer outro esporte. QUALQUER! haha

Depois do pessoal ir para o vestiário, permaneço sentado com o Luiz e o Gilberto ao meu lado. Estou pálido. E um tanto gelado, apesar dos 25ºC na área da piscina. Sinto-me mal mesmo. Luiz busca um copo de água com açúcar. Pessoas aparecem na sacada pra ver o manézão que não está bem.

Uma vomitadióla resolveria o problema. E não me sinto bem para evitar tal embaraço. Requisito o lixo que está mais próximo e gorfo. Feio, nojento e vergonhoso. Porém, revitalizado.

A cor volta e vou pro vestiário. Hora de agradecer ao Gilberto e ao Luiz pela enorme ajuda e ir pra casa dormir. No outro dia, ligaram da academia pra saber se eu estava bem. Profissionalismo total. Fiquei com vergonha, mas gostei tanto, mas tanto, que só não faço natação porque é caro.

Foi o dia que fiz mais força na vida, pelo menos por enquanto.

Let´s Rock! The Beatles - Ask Me Why

3 comentários:

Mila disse...

Hahahahahaha (to rindo sozinha aqui). Pense num cara competitivo. =)

Marcelo Urânia disse...

competitivo ao extremo! hahaha

[::Gustavo Queiroz::] disse...

haahahhahahahahaha...cara, quase morri de rir aqui!!! Do caralho!! Queria ter visto isso, iria te zoar pelo resto da vida!