quinta-feira, 29 de novembro de 2007

História do Brasil, o título mundial do Palmeiras e a Pirassununga 51

Todos devem saber que falta pouco para a FIFA oficializar o Palmeiras como campeão mundial de 1951, inclusive o Jornal Nacional já anunciou como se Joseph Blatter e Cia Ltda já tivessem dado o veredicto final.

De qualquer modo, o resgate do orgulho brasileiro perdido na Copa do Mundo de 1950 e a comoção geral do mundo futebolístico perante a Copa Rio/Mundial Interclubes são fatos. Basta ler, ouvir ou assistir qualquer relato jornalístico e você saberá que o Palmeiras é campeão mundial de futebol.

O quê pouca gente conhece é a íntima relação entre o Palmeiras e a cachaça. Eis, então, um pouquinho de história.

Por ocasião da conquista do Mundial de 51, os Irmãos Piccolo, de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo, lançaram uma aguardente especial com o nome Palmeiras 51. Os Piccolo não produziam a caninha, mas compravam dos alambiques da região. O negócio deles era comprar no atacado e revender no varejo.

Neste caso, eles pegaram a aguardente dos melhores alambiques de Pirassununga (cidade vizinha de Santa Cruz das Palmeiras) e passaram a vender com a marca de Caninha Super Especial, que tornou-se um grande sucesso.

Em 1959, a engarrafadora dos Irmãos Piccolo acabou sendo comprada por Guilherme Muller Filho, que junto com alguns sócios fundou a Muller Franco Cia Ltda. A Muller mudou gradativamente o rótulo, transformando-a apenas em 51, e passou a revender a caninha em garrafas de vidro de 1 litro, uma novidade para a época. O resto é história e você conhece bem.

Hoje, a Cia Müller de Bebidas detém 50% do mercado paulista e um terço do mercado nacional graças a Cachaça Palmeiras 51 (ops!), graças a Pirassununga 51... que vende no mundo todo mais que a Vodka Smirnoff e o uísque Johnnie Walker (ranking mantido pela Revista Drinks International, da Inglaterra).

Texto original de Luciano Pasqualini, da Academia de História da Sociedade Esportiva Palmeiras, adaptado para este espaço.

Let´s Rock! >>> Vanguart - Cachaça

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O Novo Rock

Neste instante, enquanto escrevo essas mal traçadas linhas, a casa do deputado aqui na frente da empresa, que é dono do quarteirão inteiro, está vindo abaixo.

Dois moleques, de uns dez anos cada, no máximo - devem ser netos do deputado -, estão estraçalhando uma guitarra e dois baldes. sim, baldes.

O cabeludinho plugou a guitarra num amplificador, meteu uma distorção sabe deus como e está urrando. sim, URRANDO. E palavras desconexas, numa melodia suja, noise ao extremo, quase stoner. enquanto o outro, um gordinho pouca coisa mais alto, arrebenta os baldes.

Tô afim de entregar uma cópia do psychocandy pros prodígios.

O roquenrou está vivo, caros. Muito VIVO!

(texto originalmente publicado no Estranho Caminho)

Let´s Rock! >>> Jesus & Mary Chain - My Little Underground

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Mensagem subliminar de Jeff Tweedy

Caminhava no centro de Curitiba a passos largos, testa franzida e o raciocínio transitando entre importação, certificado digital e demais questões corporativas, quando um senhor muito parecido com o Jeff Tweedy esbarrou no meu braço.

Esbarrou a ponto de virarmos de lado! Eu olhei pro sujeito e, tomado pela impulsividade, mandei o cara tomar no meio do olho do cu, sem dirigir-lhe a palavra, tamanha a fúria no olhar. Nada saiu da minha boca, nem desculpa. Apenas segui em frente, puto.

Na volta à empresa, considerei como um repentino stress. E buscava subterfúgios para restabelecer a serenidade - afinal de contas, stress é frescura. E nada me acudia! Errei até o caminho.

Já no escritório, peguei uma água e sentei defronte o micro. Na tela, uma janela piscava: Download concluído! 100%!

Abri um sorriso tímido. Garanto que o download chegou ao final no exato momento do encontrão com o clone do mestre Jeff Tweedy. Evidente que foi um sinal, um recado com a força de 700MB. E eu nem percebi.


na próxima, espero um aviso via rádio.

Let´s Rock! >>> Loose Fur - Answers To Your Questions

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Do dia que eu quase morri de tanto fazer força.

18 anos. Já gostando de cerveja e bacon, treinava nas equipes de base do Atlético-PR. E orgulhoso da conquista, fui ao terceiro treino no Atlético preparado para enfrentar o temido TESTE FÍSICO. A tarefa não parecia complicada: correr 2,5 Km em volta do gramado em menos de 12 minutos.

Cabe dizer que não é correr 500m, caminhar outros 500m e ir intercalando. É correr mesmo.

E lá fui eu com meus companheiros. Nas primeiras voltas, acompanhei o pessoal na boa. Depois, fui ficando pra trás, pra trás, pra trás, pra trás... até que o primeiro cavalo, digo, jogador, terminou os 2,5Km em 9 minutos. Impressionante!

Eu já estava com dor nos braços, a perna não respondia ao cérebro e eu pensava 'cadê minha mãe?'. No final, o técnico vendo meu sofrimento, permitiu que eu caminhasse. Foi um alívio. Percorri 2,2Km em 12 minutos. O último dos jogadores.

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

21 anos. Deveras apreciador de cerveja e bacon. Esportes uma vez ao mês. Trabalhava na fantástica fábrica de tintas, a Induscril. Certa vez, houve a necessidade de carregar quase 5 toneladas de latas de tintas para Ponta Grossa, cidade à 100km de Curitiba.

Eu trabalhava no administrativo da empresa, portanto, uns 3 ou 4 eram selecionados na produção para carregar os caminhões após às 18h. Eu sempre ficava numa boa. Eis que os caras da produção se rebeleram e não quiseram trabalhar além do horário. Ou seja, eu e o Supervisor de Produção, o grande Cassiano, mais o motorista do caminhão, Cléverson, embarcamos toda a carga.

Começamos às 17h30 e terminamos por volta das 21h. Além de tudo, era um sexta-feira, quase enfartei pra terminar o quanto antes e ir pra casa. Sorte que recebi um telefone da minha querida e linda prima Vívian me convidando pra comer pizza. Recuperei as forças lá...

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

17 anos. No auge da forma física, não pensava em cerveja e dispensava bacon. Metido a jogador de futebol, peito estufado, magrão, 1,92m. Quase um Luís Pereira com a bola nos pés e o número 3 nas costas. Havia um teste pro time juvenil do Coritiba, estava há seis meses na capital paranaense e louco pra ficar rico jogando futebol.

Cerca de 500 moleques estavam no campo do Capão Raso, às 13h, num sol de rachar. Cada pupilo representando sua escola de futebol. E eu com meu pai, vindo do interior com fome de bola, sem escola e preparação alguma.

Eram jogos de 30 minutos. E todos os aspirantes a boleiro foram testados. A cada fim de partida, o treinador do Coritiba selecionava os destaques e o restante voltava pra casa. Ou seja, 13h30min já tinha moleque cabisbaixo voltando pra casa.

Fui selecionado no primeiro jogo. Grandão, senta no banco e espera o próximo jogo - disse o homem do boné e do apito. Também fui escolhido no segundo, no terceiro, no quarto... lá pelas 18h, ainda sob sol, aconteceu o último jogo, talvez o oitavo ou nono do dia. 22 selecionados entre os 500. E eu entre os 22! Não agüentava nem andar direito, mas estava lá com o peito estufado e empolgado pelo brilho orgulhoso no olhar do meu pai.

O jogo começou e o lateral-direito adversário avançou pela ponta do gramado para cruzar até a área. Quando o levantamento aconteceu, já me posicionei, pulei como um jogador de basquete e dei uma puta cabeçada na bola, no melhor estilo zagueirão, alçando a pelota para fora da área. Foi a glória! Dei uma olhada rápida para o meu pai, que vibrava timidamente, encantado com o desempenho do pimpolho.

Eu estava cansado, exausto, exaurido, mas cheio de garra. No minuto seguinte à espetacular cabeçada, um contra-ataque do adversário. O mesmo filho da puta do lateral-direito pequenino e ligeiro, driblou o nosso lateral e avançou para a área, fiz a cobertura até do quarto-zagueiro (que tinha ficado no meio-campo, andando) e avancei para a marcação daquele peste ligeiro de 1,60m, no máximo.

Do mesmo jeito que cheguei para a marcação, fiquei. Levei um drible da vaca tão humilhante que, somado ao meu desgaste físico, não permitiu reação. O lazarento, após o drible, fingiu que ia cruzar e chutou para o gol, enganando ao goleiro. 1 à 0. Perdemos. E eu, triste e cansado como nunca, só queria sombra e água fresca.

Sofri, mas...

...isso não foi nada perto do próximo episódio...

23 anos, apreciador pra caraleo de cerveja, bacon e ovomaltine. Esportes a cada três meses. Resolvi, subitamente, para manter a forma física, fazer natação. E fui para uma aula experimental na academia Amaral, a melhor em Curitiba. E a mais próxima de casa.

Piscina aquecida de 25 metros, 6 raias, mulheres de biquíni... expectativa de mergulhar na água só aumenta. Trajado com minha indefectível sunguinha anos 60, canela de fora, bico do peito eriçado pelo frio e carona de paspalho, caminho ao lado da piscina até o professor.

Gente boníssima, Luiz (o professor) saúda minha chegada e já me apresenta aos alunos dentro da piscina, aos berros: pessoal, este é o Marcelo! Um aceno tímido é a resposta para os nadadores.

Já sabendo que eu não morro afogado e consigo afundar a cabeça n´água, o simpático Luiz pede pra eu entrar na piscina. A água é realmente quentinha, mas a dúvida se o aquecimento é artificial ou a base de urina não é confortável. Recebo, então, touca e óculos próprios para o esporte.

Sempre aos berros, Luiz pede para os alunos nadarem crau. E lá vou eu mostrar serviço. Vou e volto na piscina tranqüilamente. O Luiz dá umas dicas pra melhorar rendimento sem me esforçar tanto e pede pra eu ir mais devagar. Nesta hora, já imagino o Alexander Popov entregando-me a medalha de ouro nos 100m livres em 2008. Ledo engano...

Depois, nado peito. Vamos e voltamos na piscina. E eu já sinto um certo cansaço. Afinal, são CEM metros nadados. Agora, com a conhecida pranchinha. Só trabalho as pernas. E, meu amigo, que sofrimento. A merda da tal pranchinha não funciona direito! E dá-lhe pernada pra conseguir chegar do outro lado. E o peste do professor ainda pediu pro pessoal voltar! Eu voltei andando da metade pra frente.

Começo a sentir dores no corpo todo. Até dor de cabeça, algo incomoda muito. Coloco a culpa na touca. E tiro a borracha da cabeça.

A próxima ida e vinda na piscina, que já parece ter quilômetros, é livre. Então nado costas pra descansar um pouco. Um senhor divide a raia comigo, Gilberto. Barrigudão no maior estilo Tio Zinho, o cara me pôs no chinelo. Nadou com muito mais facilidade. Ele dizia: Marcelão, não é força, é jeito... logo você aprende.

Na ida seguinte, vou caminhando e conversando com o professor. Ele dá dicas e pede, pela quarta ou quinta vez, pra eu não me esforçar. Peço pra tirar os óculos de mergulho, porque ainda estou com dor de cabeça.

Nas próximas duas ou três idas e vindas naquele piscinão gigantesco já estou quase desfalecido. Na ânsia de ter um ataque cardíaco, resolvo parar. Saio da piscina e fico sentado observando os 10 últimos minutos da aula.

Uma velhona nada durante toda a aula. No final, ela me olha com ar de superioridade. Quase que eu peço pra ela tentar me vencer em qualquer outro esporte. QUALQUER! haha

Depois do pessoal ir para o vestiário, permaneço sentado com o Luiz e o Gilberto ao meu lado. Estou pálido. E um tanto gelado, apesar dos 25ºC na área da piscina. Sinto-me mal mesmo. Luiz busca um copo de água com açúcar. Pessoas aparecem na sacada pra ver o manézão que não está bem.

Uma vomitadióla resolveria o problema. E não me sinto bem para evitar tal embaraço. Requisito o lixo que está mais próximo e gorfo. Feio, nojento e vergonhoso. Porém, revitalizado.

A cor volta e vou pro vestiário. Hora de agradecer ao Gilberto e ao Luiz pela enorme ajuda e ir pra casa dormir. No outro dia, ligaram da academia pra saber se eu estava bem. Profissionalismo total. Fiquei com vergonha, mas gostei tanto, mas tanto, que só não faço natação porque é caro.

Foi o dia que fiz mais força na vida, pelo menos por enquanto.

Let´s Rock! The Beatles - Ask Me Why

Narciso Nada, Violins e Terminal Guadalupe

Lançamento do projeto 'TG Apresenta'. Dia 09, no Jokers.

Há tempos não vibrava em shows de rock independente. A produção de boas músicas e bons discos brazucas continua em alta, diga-se. Porém, a questão era a falta de sintonia entre as três forças de um show: a música, o ambiente e o público.

Sempre surgia uma desculpa pra encostar-se ao balcão e conferir o show com tranqüilidade. Alguns poucos momentos de exaltação, em músicas específicas do Charme Chulo, OAEOZ, Poléxia ou do próprio TG. Nada, além disso. Faltava punch, dancinhas, bebedeira, punho cerrado durante todo o tempo. Faltava voz rouca no outro dia.

Até que resolvi ir ao Jokers na última sexta-feira.

Com uma puta chuvona lá fora, o horário já ajudou. Ficar em casa com o céu desabando dá uma preguiça dos diabos. E ainda com a super promoção chegue-cedo-que-sua-mulher-não-paga... perfeito. Antes das 22h já estava no Jokers pra menina mais linda do mundo não pagar entrada. E chegar muito antes do show força qualquer fanfarrão a beber um pouco mais. Às 22h10 já bebericava uma Brahma Extra geladinha, ô coisa boa. Deveria até ser lei, toda sexta-feira o ser humano merece cerveja e música de qualidade.

Infelizmente, perdi a noção do tempo e o Narciso Nada. Lugar cheio e animado é assim, prosa e cerveja demais. De repente, surge um apressado Dary Jr., vocalista do TG, avisando os integrantes do Violins que o show já está pra começar.

O Narciso Nada se despede e o Violins sobe ao palco, dois anos após a última visita à Curitiba, no Sesc da Esquina – melhor show com produção Tinidos, na minha opinião. E, rapidinho, tudo acertado pra apresentação começar.


O novo layout do Violins, por Leandro Gonçalves.

Beto Cupertino sem camisa e com partes das músicas pintadas no corpo, Pedro Saddi e seu teclado no meio do palco, Pierre Alcanfor a postos próximo das cortinas e Thiago Ricco ansioso pra se integrar ao baixo. Todos à frente do melhor palco de pequeno porte na cidade, umas 400 pessoas, ótimo público mesmo com a concorrência do Pato Fu.

Alternando músicas dos últimos três discos – Aurora Prisma (2003), Grandes Infiéis (2005) e Tribunal Surdo (2007) -, os goianos fizeram um show fabuloso, irrepreensível. Mesmo com a saída do guitarrista Léo Alcanfor, mostraram-se ainda mais pesados, de acordo com a intensidade e brutalidade que pedem os dois últimos discos. A melhor banda do Brasil, meus caros.

Voltei ao recinto dos shows a passos largos, fiquei de papo e perdi a noção do tempo de novo. O Terminal Guadalupe já estava tocando. Subi as escadas pra ter um segundo ângulo do show, do palco, das pessoas. O público, carente de apresentações da banda em sextas-feiras, compareceu em massa. E a banda, mais enérgica e profissional a cada dia, correspondeu.

Dary Jr. chamou Dudu Cirino, da Poléxia, para cantar ‘Sal de Fruta’. Um clássico. Em ‘De Turim A Acapulco’, foi a vez de Beto Cupertino se juntar à banda. Em ‘Pernambuco Chorou’, o ápice. Urros e danças desconexas junto do punch e do idealismo do Terminal Guadalupe. Em vários momentos, o público tomou o lugar de Dary para cantar. Notável o semblante de cada integrante do TG, estava na testa a sensação de dever cumprido, de show bem feito, de realização e reconhecimento.

Uma grande noite de ROCK.

Let´s Rock! >>> Violins - Gênio Incompreendido

Um Autêntico Barreado Morretense

O último 03 de Novembro foi o dia escolhido para me entregar ao mais tradicional costume paranaense: descer a Serra do Mar para saborear um BARREADO. Apesar do nome, não é bosta mole ou terra molhada, mas sim uma carne cozida por 20 horas debaixo da terra numa panela de barro vedada, ou embarreada (daí o nome).

O trajeto escolhido para enfrentarmos os 70 quilômetros até a cidade histórica de Morretes, litoral do Paraná e berço do Barreado, foi a bela e perigosa Estrada da Graciosa, cheia de flores, riachos, desfiladeiros e curvas fechadas (a Curva da Ferradura lembra muito o hairpin em Mônaco). Construída em 1854 e cravada no trecho de Mata Atlântica mais preservado do país, a rodovia teria uma vista panorâmica impressionante, senão fosse a merda da neblina.

Depois de menos de uma hora de viagem e muita conversa fiada, chegamos à Morretes. Às margens do Rio Nhundiaquara, a fome apertava. Enquanto Grazuíla, Binhanca e Jujubinha admiravam a arquitetura do município, Fernando e eu, quase desmaiando, fazíamos piadas para desbaratinar a fome.

Uma foto na ponte, alguns minutos pra decidir entre Madalozo e Casarão, mais algumas fotos, mais piadas toscas sobre fome e... entramos no restaurante Casarão. Uma beliscadinha na famosa Cachaça de Banana de Morretes, paciência para agüentar um garçom chato que se acha engraçado e sentamos à mesa.

Outro garçom nos ensina a preparar o Barreado como manda a tradição. E é bem simples. Em um prato fundo, coloque duas colheres de farinha de mandioca, adicione duas conchas de carne (sem muito caldo) e misture bem até formar uma meleca compacta que gruda no prato. Aí, meu amigo, é só mandar ver. Nem cachorro come (porque não sobra).

Nos restaurantes, normalmente existem duas opções: Barreado e Barreado com frutos do mar. Recomendo apenas o prato típico, apesar da vontade de devorar camarões ser grande em qualquer humano, o Barreado cresce na barriga e não deixa espaço pra nada além da bebida. Não se preocupe, camarão você come em outro lugar, aproveite o momento para degustar o Barreado e bebericar a Cachaça de Banana.

Aconselho voltar à Curitiba pela BR-277. Entenda bem, não aconselho voltar pela Graciosa. A volta é sempre a tardinha, horário do sono, da neblina ainda mais forte, de sentir o bucho cheio. Sem contar as duas doses de Cachaça de Banana que podem fazer efeito num bebedor inexperiente. De pileque, é pedir pra colocar uma cruzinha com o seu nome na beira da rodovia.

É uma graça de viagem.

Let´s Rock! >>> Ben Folds - All U Can Eat

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TIM FESTIVAL CURITIBA

Hot Chip, Björk, Arctic Monkeys, The Killers e 12 mil pessoas

Os shows começaram às 19h, horário ingrato para assalariados. E ainda esqueci os ingressos em casa, tive que voltar pra pegar e perdi o Hot Chip. Ouvi apenas o hit Over And Over, e lá de fora, mas dizem quem não perdi muito. Expectativa pro show da esquisitona Björk. E achei chato. Até sonolento, apesar da presença de palco da islandesa ser um espetáculo. Um show lindo, visualmente. Pra quem não conhece todas as músicas, o som é uma espécie de electro-bolero. Só consegui gostar de Joga e Army Of Me, o resto não me agradou nem um pouco.

E vieram os queridinhos da Inglaterra. Milhões de discos vendidos depois... Arctic Monkeys no palco. No começo, mas bem no comecinho, foi vibrante porque serviu pra espantar a sonolência do show da Björk - qualquer guitarra-baixo-bateria teria o mesmo efeito. E a segunda metade do show foi reservada à firmeza dos hits. O quê mascara toda frieza e falta de presença de palco. Entre esses dois momentos, aproveitei pra ir ao banheiro. E, muito bom, vi um gurizão curtindo com o pai do lado. No final das contas, o show foi distante, frio e pouco comunicativo, mas funcionou. A platéia indie/adolescente já sabia do comportamento da banda e aproveitou.

Aí, o grande momento. Público inquieto com a produção do show. Flores, luzes, penduricalhos e um painel com o nome Sam's Town. Em poucos minutos, The Killers no palco. O som não estava redondinho, mas o caminhão de hits do Hot Fuss e as muito boas músicas do último disco fez a Pedreira pular, foi foda. Somado à performance impressionante do Brandon Bigode Flowers... pronto, tá feito o rock. O público cantou urrando os mega-sucessos Somebody Told Me, Smile Like You Mean It , Mr. Brightside e Jenny Was A Friend Of Mine. No finalzinho, no coro em For Reasons Unknown e All These Things That I've Done gastei minhas últimas energias antes de ir pra casa. Showzaço! O show da noite.

E em um ano que vi poucos grandes shows, The Killers fez o show do ano.

Let´s Rock! >>> The Killers - Jenny Was A Friend Of Mine