quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Agridoce

Um homem perdera o amor pela vida ao presenciar o ápice de uma festa. O prédio no centro da cidade gerou luz, tamanha graciosidade no instante. E este rapaz somente saíra do quarto duas vezes na vida após o ocorrido.

A vergonha de reconhecer sua própria impotência corrói sua mente e perturba seu sono, além de provocar mudanças profundas de comportamento. O homem nunca comentara a visão que causou sua reclusão.

O único amigo, e agora também psicólogo, incentivava o homem moço a livrar-se do cárcere privado e a enfrentar as novas nuances do cotidiano.

Após longas conversas, enfim, o homem decidiu ceder à pressão e ultrapassou a porta de casa. Há anos não sentia o sol e caminhava pela rua.

Logo, os passos pelo pequeno bairro forçaram-no à avistar a mulher que trazia sentido à sua vida. Desfaleceu, sucumbiu à emoção, não suportou além de um breve suspiro.

A inspiração causou-lhe a morte. A motivação causou-lhe a morte. Tudo que havia de belo na vida deste homem causou sua própria morte.

Até hoje, somente amigo e amada sabem a verdade sobre os reais motivos do auto-encarceramento. E estão casados, morando em Notting Hill.

(texto originalmente publicado no estranho caminho)

Let's Rock! Terminal Guadalupe - Entre a Vontade de Fugir e o Medo de Ficar

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