terça-feira, 16 de agosto de 2016

5 anos do dia 16 de agosto de 2011

Interessante como o passar dos anos nos torna reféns de uma postura difícil de sustentar. Não demonstro fraqueza perto de mamãe e irmãozinho, por exemplo. Ou pelo menos evito ao máximo. Quando na verdade eu queria mandar deus tomar no cu, não o faço porque, né, quero protegê-los dos meus devaneios impuros, das minhas vulnerabilidades. De certa forma eles precisam do meu abrigo, mesmo que eu não me veja como um abrigo sólido o suficiente para proteger tamanha preciosidade.

E é nesse ponto que me dói. É esse ponto que só a poesia explica. É aí que meu choro contido aparece, entre uma música e outra. É quando eu tenho pesadelos e acordo com medo e não reclamo, não choro, só procuro no escuro a força dele que ficou em mim. O passado é cheio de lembranças com medos, choros, reclamações, como desculpas para um abraço, palavras de consolo, um abrigo.


Interessante como amor emoldura lembranças que o tempo tenta desbotar enquanto eu luto para mantê-las intactas. Dessa forma cada vez mais atribuo bons preceitos ao meu pai, mas não tenho mais certeza que todos são provenientes dele. Tudo (ou grande parte) que vejo de bom em mim, associo a ele. Nos defeitos, claro, fujo da comparação. Por exemplo, procurar a própria parcela de culpa em qualquer problema para assumir responsabilidades afim de aprender ao invés de procurar justificativas e desculpas, era uma característica do meu pai? Não dá mais pra ter certeza. 

E é nesse ponto que me dói. É esse ponto que só a poesia explica. É aí que de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua, que vai ficando num caminho iluminado pela beleza do que aconteceu até cinco anos atrás.

Os 16 de agosto são meus dias miúdos.

(texto com vários trechos da belíssima canção “Poema”, letra de Cazuza e música de Frejat na voz de Ney Matogrosso, uma dessas que evito ouvir)


meu sogro e meu pai em momento de descontração (junho de 2011)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aquela vez que encontramos o Wilco

Quinta-feira pré-feriado e a gente no aeroporto pra ficar 3 dias na Flórida. Na sexta-feira de manhã, 1º de maio de 2015, aportávamos em Miami, bitches, e ainda tínhamos ~apenas~ 500km de carro até chegar a St Augustine, cidadezinha de 13mil habitantes próxima a capital Jacksonville, no norte do estado, onde aconteceria a abertura do tradicional festival de folk Gamble Rogers Music com show da turnê dos 20 anos do Wilco.

Pegar um carro, dirigir por Miami e toda a costa leste da Flórida - com minha mina ao lado e curtindo uns rock maroto rsrs - já seria suficiente pra ir embora. Em quatro horas de viagem, eu já estava satisfeito, no lucro, essa é a verdade. Minha experiência nas famosas estradas americanas mostrou exatamente o quê todo mundo diz: incrivelmente largas, com muitas faixas, sem buracos, super bem sinalizadas, os motoristas se respeitando. Incrível pra quem gosta de dirigir. Coloquei no piloto automático e fiquei tomando café e comendo bolinho enquanto dirigia. E o melhor ainda estava por vir.




Se a Interstate 95 Highway não fosse deveras impressionante, ao chegar no hotel em St Augustine veio a grande surpresa: convites para conhecer os Wilco! Eu havia mandado algumas mensagens aos produtores e membros do Wilco contando a saga para ver o show e - os caras são muito gente boa! - resolveram nos presentear com dois after show passes para conhecermos os integrantes da banda, conversar um pouco, pegar uns autógrafos e tirar umas fotos. Quando recebi a notificação do Wilco na minha rede social preferida (te amo, twitter!) não tive outra reação além de um sonoro “puta que o pariu!”.

A intenção inicial era sair rápido do hotel pra conhecer um pouco da cidade antes do show. St Augustine tem um enorme potencial turístico e é conhecida por ser o mais-antigo-povoado-continuamente-ocupado dos Estados Unidos. Fundada por espanhóis em 1565, há castelos, fortes e prédios clássicos pela cidade, às margens do Atlântico. Fera demais. Porém, arrebatados pela mensagem do Wilco, passamos rapidinho pelo centro histórico sem descer do carro e fomos direto para o local do show.


Já no anfiteatro, os portões estavam fechados e cinco pessoas estavam na fila. Adentramos ao recinto pouco tempo depois de garantir nossos estimados after passesNuma espécie de praça antes das arquibancadas, fomos recepcionados por algumas lojinhas, bancas com comida, torneiras de vários estilos de chopp e uma jovem banda de bluegrass. Obviamente tomei um chopp mais que depressa, afim de dar tempo ao corpo para digerir o álcool e eu poder dirigir sóbrio quando o show acabar. Medo da polícia norte-americana, sim, nós temos!




Devidamente posicionados em nossas cadeiras, deu vontade de ter comprado o ingresso pra ver o show perto do palco. Estávamos beeeem longe, mas quando compramos o ingresso não havia local melhor disponível. Porém, convenhamos, estar ali já era PHODA (desses phodas com ph!). Antes do Wilco, quem tocou foi a banda de metal Royal Thunder. Não consegui curtir. Esperamos o tempo passar com selfies rsrsrs


O show

(em detalhes, muitos detalhes)


Depois de passarem por Texas, Louisiana e outras cidades na Flórida, chegou a vez do Wilco subir ao palco do incrível anfiteatro municipal de St Augustine. Estranhamente, poucas cadeiras estavam ocupadas enquanto o público bem a vontade continuava ao redor dos bares e lojinhas. A banda, ainda mais a vontade que a platéia, percebe os quase 4000 lugares sendo preenchidos sem pressa durante a primeira música - Via Chicago.




Os menores de quarenta anos eram exceção e a maioria trajava garbosos chinelos e inseparáveis frascos de draft beer. Público e banda prazerosos por desfrutar o sol que insistiu para ver Handshake Drugs, I Am Trying To Break Your Heart - uma das minhas preferidas, desde sempre - e One Wing, antes do entardecer apresentar Hummingbird, quando Jeff Tweedy solta o violão para cantar que um “cheap sunset” pode nos perturbar, mas não deveria (coincidência, sim ou não?). Confesso que eu ainda estava meio perturbado com tudo aquilo acontecendo.

Somente as luzes do palco mostravam Jeff cantando Panthers, raríssima ao vivo. A ótima Pot Kettle Black em versão sem violões, mais suingada. Antes de Cars Can’t Escape, Jeff Tweedy repete várias vezes “good to be back” e explica que vão tocar a música mais pedida em alguma votação online que, infelizmente, nem fiquei sabendo e não participamos. O público delira.




Na música seguinte eis o motivo da banda se sentir tão a vontade com a cidade. Jeff dedica Secret Of Sea a Stetson Kennedy - escritor, ativista e folklorista amigo de Woody Guthrie -, casado com uma moradora de St Augustine (Sandra Parks). Pra terem uma ideia do ativismo de Stetson Kennedy, ele se infiltrou na Ku Klux Kan nos anos 40 pra repassar informações às autoridades. O público aplaudiu demais. Tweedy e John Stirrat sorriam com os aplausos do público à citação. Ficamos meio boiando, mas a homenagem foi bonita.

Após o momento de comoção para os locais, duas canções para cantar junto e soltar uns pulinhos. Eu e Juju havíamos mudado de lugar nas arquibancadas algumas vezes, buscando um ponto bom para ver o palco e livres para eventuais dancinhas. Calhou que nesse momento encontramos o local ideal e, sim, “unlock my body and move myself to dance” em Heavy Metal Drummer e I’m The Man Who Loves You, dois super clássicos do disco preferido aqui de casa, o incrível Yankee Hotel Foxtrot.

Pra gente recuperar o fôlego, veio (Was I) In Your Dreams e algumas palavras desconexas de Jeff enquanto arrumava as guitarras para uma versão mais jazzy-soul de Jesus Etc, bem mais lenta que a original, com o público atento aos detalhes de harmonia. Apenas foda. Born Alone veio bem fiel ao disco, com o final anárquico, guitarrado, reverb alto, Glenn Kotche destroçando a bateria com direito a Pat Sansone emular por alguns segundos o movimento clássico de Pete Townshend. Finado este alvoroço, tocaram outra raríssima ao vivo, Dark Neon - um b-side de 2009.

E aí surgiu o momento que a banda engata a terceira marcha e não para mais de acelerar. Ou quando o time vai pro abafa no segundo tempo (posso fazer várias analogias rsrs). Daí pra frente soltamos a franga em dancinhas descoordenadas, movimentos estranhos, caras e bocas, air guitars, aquela sensação de TÔ VENDO O WILCO, JESUZAMADO.

Impossible Germany, por anos essa música foi o toque do meu celular, por anos imaginei esse solo ao vivo. E de repente estávamos lá. A banda, ciente que a canção é 100% Nels Cline, vira-se para o guitarrista e toca toda a música num tom mais abaixo, com destaque total para a guitarra. Foi o maior air guitar coletivo que já vi. Absolutamente todos a minha volta estavam tocando guitarra imaginária. Eu não sabia se fechava olhos pra tocar ‘minha’ guitarra ou mantinha-os bem abertos pra ver Nels Cline. De arrepiar.



trecho de Nels Cline e Wilco em St Augustine tocando Impossible Germany

Na sequência tocaram Poor Places e seu final estrondoso, depois a dançante Art Of Almost começa com “I can't be so far away from my wasteland”, sendo que dias antes Curitiba foi devastada pelo governador mandando a polícia bater em professores. Tocaram Airline To Heaven, Box Full Of Letters e Camera em sequência. Pra mim, a melhor sequência de três músicas de todo o show. Eu sempre quis cantar o refrão de Box Full..., usei como subtítulo dese blog por muito tempo: "I just can't find the time / 
To write my mind / The way I want it to read". Antes de Camera, Tweedy agradece ao público com um singelo “I don’t need a teleprompter, I need you, I got you, I’m learning to read your lips”. Com o público alucinado, começam uma versão hard rock para a música, descrita por um local que interagiu comigo diante da minha empolgação como high energy. Eu concordei totalmente. O nível de detalhes da minha memória pra estes momentos é esse mesmo, eu lembro da fala das pessoas. hahaha

Dawned On Me (a música do clipe do Popeye) veio em seguida com um reverb super alto enquanto Jeff entoava os versos iniciais, só depois vieram os acordes normais. No meu ouvido era a mais pura sinfonia. “I've been taken by the sound”. O reverb contínuo deu início de A Shot in the Arm até entrar o ritmo mais dançante. Apesar da letra tensa, a vibe continuava animadíssima e praticamente todos a nossa volta estavam dançando. A música tem bastante teclado e Mikael Jorgensen teve certo destaque no final catártico junto da guitarra de Nels Cline, enquanto a banda se despedia do palco.

Bateu um desespero, na dúvida se havia terminado ou não, mas acreditávamos que o show não terminaria antes da banda voltar ao palco pelo menos uma vez e ficamos uns três minutos gritando wilcowilcowilco. Voltaram descansados e o que já estava muito animado e dançante alcançou os ~píncaros da glória~ com a bateria forte e marcada do começo de Monday. A entrada da guitarra após o one-two-three-pow me fez acionar o air guitar novamente. Música de cantar gritando, nós e o Jeff, com muitos “Yeah, Alright”. Emendaram Hoodoo Voodoo e o roadie maluco da banda saca um sino e começa a dançar no palco, requebrando, sem camisa, suado, uma zoera haha Todo o público se anima ainda mais. O solo se estende muito, típico de final de show. Incrível, ambiente fantástico.

A banda sai do palco de novo e o público fica aplaudindo por uns três ou quatro minutos, naquele mesmo questionamento, sem saber o quê fazer. Alguns começam a abandonar as cadeiras e então eu e Juju, esperançosos, nos aproximamos ainda mais do palco. E eles voltam, para nóóóóóssa alegria. Quase três horas de show e os caras ainda animados.

No palco, a banda se posiciona de forma diferente, alguns sentados. Percebo somente instrumentos acústicos. Pat está com um bandolim (não um ukelele). Mikael com escaleta, Nels com uma steel guitar. John e Jeff, com violões, no mesmo microfone. Prevejo música caipira (country, folk ou como você quiser chamar). Estávamos bem próximos do palco. E começam California Stars. Apesar de estarmos na Flórida, tentei olhar pras estrelas rsrsrs Essa música é bem sentimental, é daquele disco com o Billy Bragg, é bem mais Stirrat que Tweedy. Acho fantástica.




trecho de California Stars ao vivo em St Augustine

Jeff introduziu as próximas duas músicas dizendo que tinham sido tocadas por ele e John Stirrat no último show do Uncle Tupelo, banda anterior ao Wilco, exatamente 21 anos atrás, ou seja, 1 de maio de 1994. E o show que era especial pra Juju e eu, tornava-se especial para a banda também. Tocaram We’ve Been Had (do próprio Uncle Tupelo) e Give Back The Key To My Heart, cover de Doug Sahm gravada pelo Uncle Tupelo. Começaram Misunderstood antes dos aplausos diminuírem, com voz e bandolim dedilhado até o instrumental crescer dentro da música. E a banda esticou o final instrumental, com toda cara que acabaria de vez o show. Juju e eu nos olhávamos, estricnados de alegria, contentamento, aquela sensação de meter 4x0 no Curintia em final de campeonato. Puta que o pariu. Meu caralho. É pra externar momentos assim que existem os palavrões.

Dificilmente verei um show melhor na minha vida.


OBS: como curiosidade, músicas do show por álbum: Yankee Hotel Foxtrot (6), Mermaid Avenue (4), Being There (3), The Whole Love (3), Australian EP (2), Summerteeth (2), A Ghost Is Born (2), A.M. (1), Wilco The Album (1), Sky Blue Sky (1), Outros (7).


After Show



Após quase três horas do show da vida, a adrenalina deveria baixar, mas os AFTER SHOW PASSES no meu bolso eram a porta de entrada para fortes emoções. Grudamos felizes os adesivos na roupa pra nos deixarem entrar no reservado e lá fomos nós.

Ficamos alguns minutos à frente do portão que dá acesso aos camarins. Naquela expectativa. Alguns com o adesivo do after show e vários sem o adesivo. Aglomeração típica. Uma senhora veio me perguntar como consegui e resumi dizendo “twitter”, pra parecer que houvera algum sorteio, pois não iria perder tempo explicando toda a saga. Ela fez uma cara triste de quem não usava twitter. Sorry! Eu e Juju com caras de VIP, nos sentindo VIP, sendo VIP. hahaha. Eis que o portão abriu e os seguranças só permitiram a entrada de umas quinze pessoas. E ~nóis~ no meio.

No começo foi phoda, entramos numa sala grande com bebidas, quitutes, geladeiras. E ficamos completamente deslocados sem saber como agir, pois, logo de cara, estava ali DE BOUAS, John Stirrat. Foda, véi. O cara ali, de bonézinho "Falcão" (Stallone, caminhoneiro que fazia queda de braço, lembra?), tomando um drink qualquer, conversando com umas pessoas. Porém, eu e Juju ainda ficamos, pelo menos, uns 5min parados num canto exalando timidez, rindo e pensando 'precisamos dar um jeito de falar com eles'.



deslocado, será? / shyness :D

O quê nos deixou um pouco mais a vontade é que os convidados estavam todos super civilizados, sem histerismo, sem idolatria exacerbada. E os Wilco, como já esperado, sem estrelismo, pessoas normais num bate-papo informal, como se estivéssemos no bar perto da minha casa.

Obviamente, nesses 5 minutos sem entrosamentos, notamos a falta de Jeff Tweedy no recinto. O líder da banda não costuma frequentar os after show e, convenhamos, é fácil entender o motivo. Eu mesmo não sei como lidaria com Tweedão na minha frente. E eu sou trintão, um cara sereno. Agora, imagine quantas pessoas bizarras devem aporrinhá-lo. É normal estar de saco meio cheio disso.

Enfim, estávamos com o pôster - que compramos na chegada - em mãos, porém sem canetas para pedir autógrafo. Até que um outro cara descolou uma caneta para o pôster dele e eu fiquei andando atrás. Quando ele fazia o approach, eu ia no embalo. Chegamos primeiro no Nels Cline. Achei engraçado que ao falar que éramos do Brasil, ele meio que abandonou o cara da caneta e ficou falando com a gente! Disse que esteve no Brasil, num show dentro de um hotel, etc. E eu disse que fiquei sabendo do show, acompanhei a repercussão, mas que não morava em São Paulo e não consegui ir vê-lo tocar. Dae já emendei que o Wilco não vem ao Brasil há quase 10 anos. E ele respondeu "Foi no Tim Festival né?" hahaha Sensacional ele lembrar. Quando mostrei o cartão “Is Wilco Coming To Brazil?” (alô, Mariana Neri!), perguntei se ele já tinha visto e ele respondeu entusiasmado “meu deus, é claro que sim. vocês trabalham tão duro... isso é tão especial". Um dos grandes guitarristas de todos os tempos (segundo a revista Rolling Stone, não sou só eu que acho) ali, sendo gentil, super simpático com a gente. Eu fiquei realmente boquiaberto com a recepção. Depois dessa rápida conversa pedi pra ele autografar nosso poster.




Nels é puro tamanho e gentileza. / Nels: height and kindness

O próximo Wilco que nosso amigo dono da caneta se aproximou foi o baterista Glenn Kotche. E o Glenn é aquela coisa, o Wilco galã. Juju, por exemplo, sempre confundiu Glenn e Pat (o multi-intrumentista, falaremos dele depois), nunca lembrava qual era qual, mas desde esse dia do show ela sabe que o baterista é o "bonito" (hahaha fazer o que, né). Quando falei que éramos do Brasil, Glenn apenas me abraçou. HAHA Agradeci por eles terem nos recebido e ele disse algo do tipo "vocês são incríveis por viajarem até aqui". Quando falei sobre shows no Brasil ele, super amigável, mandou “é claro que queremos, muito, mas ¯\_(ツ)_/¯” (Ele fez essa cara e gestos, de verdade). Na sequência falei mais algumas baboseiras que não me lembro e pedi pra ele autografar nosso poster.




glenn!

Depois fui pra perto do John Stirrat porque eu queria falar com ele. Ele é o John Stirrat, oras! Super ativo no twitter e eu tinha certeza que ele era um dos responsáveis por nossos after passes. Não lembro direito o quê conversamos porque... conversamos muito! Sério! Ele falou um monte de coisa! Juju veio me elogiar porque eu super conversei, consegui entender e responder, mas na verdade eu entendi no máximo uns 40% do que ele falou hehe mas como estava eufórico demais, conseguia dar sequência na conversa, emendei vários assuntos e a conversa foi fluindo. Lembro que ao falar que éramos brasileiros ele respondeu “você é o cara brasileiro!? lembro das suas mensagens”. Depois ele perguntou, por exemplo, quantos dias iríamos ficar nos EUA, se já tínhamos ido pros EUA outras vezes, disse que precisávamos conhecer St Augustine com calma porque a cidade é fantástica, falou que o downtown é incrível, que a cidade é antiga e etc. Ele é natural de New Orleans, não muito longe de St Augustine, e tem um carinho especial pela cidade. Percebi que ele fez questão de explicar que o turismo ali poderia ser bom pra gente. Quando eu disse que não teríamos tempo porque a viagem era curta e programamos visitas aos parques de Orlando, notei uma certa decepção, mas na sequência ele ficou falando pra aproveitarmos os after passes, beber um pouco com eles. Queria falar que eu não poderia beber porque estava dirigindo, que eu gostava muito do A.M, que eu gosto do Autumm Defense, mas fiquei receoso do meu inglês não dar conta. E a conversa já tinha sido épica, melhor parar por ali.


John Stirrat sendo meu amigo / John being my friend

Logo depois, o tour manager, o grande Eric Frankhouser (grande mesmo, ele é maior que eu), veio falar comigo "Você é o cara brasileiro? Tenho um poster autografado por toda banda pra você" (!!!!!!!!!!!) Chocado, eu agradeci com grande entusiasmo, meio sem entender, olhando pra Juju com aquela cara de PUTA QUE O PARIU!

Depois desse épico com John e o poster de presente, fomos falar com Mikael Jorgensen (tecladista). Foi muito rápido, basicamente tiramos foto. Ele é bem mais calado que os demais
. Achei legal que todos perguntaram qual era nossa cidade no Brasil. Não sei se é um padrão, uma forma de puxar conversa com um estranho, mas curti o interesse, expliquei tudo abusando do meu inglês arcaico.



mikael!

Aí chegou a vez de falar com o Pat Sansone (guitarra, baixo, teclado… enfim, multi-instrumentista) e foi um caso a parte! A irmã dele estava lá. E mais alguns familiares. Eles são da região, de New Orleans também, ou de St Augustine mesmo, não tenho certeza. Dias antes, Pat postou várias fotos no instagram com "good to be back" e etc. Ele deve conhecer a cidade de outros tempos, certeza. Um dos primos dele ficou falando com a gente um tempão! Disse que quando aposentar vai viajar só com uma faca e um cartão de crédito e que gostaria muito de conhecer o Brasil e a Costa Rica. Bizarro! hahaha Eu não entendia muito o quê ele falava, tinha um sotaque estranho, Juju entendeu bem e me contou depois, mas fiz cara de quem entendia e respondi algumas coisas hahaha Pat olhava com cara de quem não curtia muito aquele primo e depois também perguntou de onde éramos, falamos dos quase dez anos do show no Brasil e ele disse que tem toda a vontade de vir pra cá. Ele adorou ver o cartão do “Is Wilco Coming…” com a foto dele, foi todo pimpão mostrar pra irmã! Felizaço mesmo, gargalhando. A irmã surtou de rir, achou incrível. Ele quis tirar foto com o cartão! Figuraça.



Depois do êxtase de conversarmos com os caras dos meus discos favoritos, percebemos o nível de cansaço que estávamos e, ainda super deslocados, começamos a pensar em ir embora pro hotel. Fui lá me despedir do Wilco mais próximo, Glenn Kotche. A confiança na fluência do meu inglês estava altíssima e cheguei agradecendo de novo pela recepção, pedi pra ele agradecer o Tony Margherita (o managerzão que conseguiu tudo. Thank you, Mr Margherita!) por ter enviado os after passes. Falei mais algumas coisas que soaram como completamente desconexas, fiquei com vergonha, foi um pouco embaraçoso porque tenho certeza que soltei uma frase sem sentido, usando palavras erradas, mas enfim, pedi desculpas, falei tchau e fomos descansar.

No caminho, um veado (aqueles do trenó do papai noel), atravessou a rodovia saltando na frente do carro e quase morremos de susto. Imaginem um acidente na madrugada, em terra estrangeira, com um veado? Sorte que consegui frear, o bicho se assustou e correu pro mato.

Um final emocionante para um dia inesquecível.


Agradecimentos / Thanks:

(Mariana Neri - a @nananeri -, fica aqui registrado o meu mais sincero OBRIGADO por suas preciosas dicas. Sem tua ajuda esse after não teria acontecido. E o reconhecimento dos Wilco ao teu empenho é notório. Wilco is coming!)


(Tony Margherita, Eric Frankhouser, Nels, Glenn, John, Pat, Mikael and Jeffthanks a lot for your enthusiasm, kindness, simpathy, attention and patience. And records, of course.)

(Juju Perrella, é só você que me fascina, é só você que me ilumina, é só você que me faz delirar. S2)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Meu pai e a rivalidade Brasil vs Argentina

Na próxima segunda-feira meu pai completaria 63 anos de vida e o Argentina vs Brasil de hoje me fez lembrar do último superclássico que assistimos juntos, em 2009, também válido pelas Eliminatórias. Eu estava em Urânia para um feriado e foi uma das poucas vezes que vi meu pai vibrar de verdade com a seleção brasileira.

Meu pai sempre teve uma relação de amor e ódio com a seleção. Amor nos 30 segundos vibrando com os gols, ódio em todos os outros momentos. Sabem como é o futebol. E naquele jogo de 2009 era impossível não odiar a seleção: Julio César; Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luis Fabiano; treinador era o Dunga. PQP! Para pensar o quanto esse time era detestável, tirando os insípidos Luisão e Gilberto Silva, os outros jogadores eu odeio até hoje (tenho certeza que meu pai ainda odiaria todos).

Resumindo o clima do jogo de 2009, se o Brasil vencesse estaria classificado pra Copa de 2010 e a Argentina ficaria em situação complicada, quase fora. O jogo não seria no Monumental de Nuñez, seria em Rosario, estádio menor, torcida próxima do campo pra criar mais pressão, aquela velha história da catimba argentina.

Quando o jogo começou, em 30 minutos estava 2x0 pro Brasil. Tranquilos, nem lembrávamos do ódio em nossos corações. E aí a Argentina começou a pressionar muito, catimbando, Maradona de treinador sendo filmado de 5 em 5 minutos, torcida não parava de apoiar, todo aquele cenário de um time desesperado tentando
 a virada. No começo do segundo tempo os argentinos fizeram um gol, golaço, petardo de fora da área e o estádio praticamente veio abaixo. Uma loucura nas arquibancadas. 2x1.

Nos olhamos como quem diz “agora ferrou”. E o ódio voltou: “esse Dunga é retranqueiro”, “Brasil jogando como time pequeno”, “agora a Argentina vai massacrar” e alguns xingamentos. Mas aí, em menos de 5 minutos, o porra do Kaká (um dos jogadores mais odiados de todos os tempos) meteu uma bola em profundidade, daquelas impossíveis, nas costas do zagueiro, pro Luis Fabiano (outro que detestamos ad eternum) ganhar na velocidade e encobrir o goleiro. Quando a bola saiu dos pés do Kaká a gente já sabia. Levantamos do sofá, naquela expectativa típica, e o toque magistral do Luis Fabiano nos fez explodir em gritos, gestos e risadas. Golaço-aço-aço! Brasil classificado.

A vibração daquele gol demorou mais que os 30 segundos habituais e se tornou ainda mais especial depois de agosto de 2011. :(


clique no play pra ver o golaço

Tibagi e Miltinho - O Relógio (porque não paras relógio / detém o tempo eu te peço)

domingo, 16 de agosto de 2015

Quatro Invernos

Contando os agostos, insensível ao frio e buscando paisagens para fotos incompreensíveis.

Em um rosto de rugas aos vento, meus olhos miram montanhas nuas, céu azul e sol forte, sem lágrimas.

Como um rio em estiagem, perdido entre a amargura da terra seca e a solidez da recordação de águas fartas.

Como a margem de um rio permanece, as rugas jamais desaparecem.

A saudade é o alimento da memória.
♪♫ The Staves - Motherlode

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Urânia na Copa, parte 1 de 2.

(1 ano! saudade, copa!)

como sou um tanto quanto retardado quando o assunto é futebol, me senti na obrigação moral de assistir in loco ao menos uma partida da COPA DAS COPAS. no final das contas, assisti dois jogos: holanda vs austrália e rússia vs argélia.

parte 1: holanda versus austrália (porto alegre, 18 de junho de 2014)

a primeira experiência na COPA foi em porto alegre diante de holandeses vs australianos. confesso que estava tomado pela ansiedade. conheço vários jogadores holandeses históricos e realmente vejo em ROBIN VAN PERSIE o melhor centroavante desde que ronaldo fenômeno passou dos 85kg.

antes da partida, já em terras gaúchas, acolhi em meu peito uma grata surpresa: a doentia alegria dos torcedores que viajam para ver COPAS. holandeses, australianos e adoradores do futebol em geral entram apenas em TRANSE no antes, durante e depois do jogo. é lindo de se ver a paixão pelo futebol, o amor pela maior invenção do homem.

antes do jogo, na companhia do inestimável anfitrião Toninho, fui ao centro histórico de porto alegre (mercado público/largo glênio peres) conferir de perto a fantástica ORANGE SQUARE para caminhar junto ao comboio de holandeses (com muitos australianos e alguns brasileiros) bebendo e pulando atrás de um trio elétrico com músicas holandesas por 4km até o Gigante da Beira-Rio (o jornal gaúcho zero hora fez uma boa matéria explicando a orange square, com várias fotos e vídeos. para ler, só clicar aqui).


     
  
clima de carnaval ludopédico!

até o álcool fazer efeito eu apenas sorria. depois comecei a interagir e já perto do estádio saltava ao som de KEDENG KEDENG, a canção que aparenta ser um clássico holandês, tamanha euforia do uníssono (obviamente perguntamos como escrever kedeng).

como gosto de futebol mais que o normal, conheço jogadores holandeses do time atual e das clássicas seleções de 74, 78 e 88 e, COMO NÃO PODERIA SER DIFERENTE, desenhei um campo de futebol numa camiseta laranja com a seleção holandesa de todos os tempos e fui efusivamente saudado por vários neerlandeses trôpegos.

como de curioso todo mundo tem um pouco, conversamos com alguns europeus e a imensa maioria já esteve em outras copas. a frequência entre frança-98 e brasil-14 é de PRATICAMENTE 100%, sendo que alguns evitaram a aventura africana de 2010. incrível! invejei bonito.

na chegada ao estádio, a multidão se dispersou, cada um pra sua bilheteria. toninho tinha que trabalhar, nos encontraríamos após às 18h. então fui procurar mais entretenimento nos stands dos patrocinadores antes de procurar meu lugar pra ver o jogo. CLIMA DE COPA, meus amigos.


quando entrei no estádio, lindíssimo, já estava pirando por ter a chance de ver, além de van persie, o monstro arjen robben, mas aí a austrália resolveu jogar bem e tornou a partida um PANDEMÔNIO de gols e grandes jogadas.


 

na primeira metade da etapa inicial, robben provou diante de meus olhos porque é um dos jogadores mais caros do mundo. saiu correndo do meio-campo, driblou uns quatro caras e fez um golaço-aço-aço pra inaugurar o placar. a numerosa torcida australiana apenas MURCHOU por completo.

porém, 1 minuto depois, a vingança veio a galope e explodiu o estádio num dos três gols mais bonitos da copa, o sem-pulo acachapante do atacante australiano TIM CAHILL. o cara não acerta outro chute daquele nem na próxima encarnação. apenas agradeci apontando pro céu por presenciar tal momento. de verdade, eu fiz isso. teve australiano perto de mim que chorou.

o grande momento do esporte
o segundo tempo começou com a austrália virando o jogo, de penalti. os australianos pareciam VIVER UM SONHO. surpresa total, quem acreditaria que a austrália poderia vencer a então vice-campeã mundial que havia destruído a espanha por 5x1 poucos dias antes?

mas o sonho soccero (apelido da seleção australiana) durou cerca de cinco minutos. a fera letal, o monstro sagrado robin van persie – que estava apagado – recebeu livre dentro da área e fuzilou. gol de típico de CENTROAVANTE MATADOR. recebeu, preparou, chutou. golaço! jogo frenético, emocionante, público e jogadores ensandecidos.

aí, dez minutos depois do empate o goleiro australiano ENTREGOU O OURO em chute fácil de memphis depay. a holanda havia normalizado o placar. e a partir daí dominou, com alguns poucos lampejos dos socceros.

no pós-jogo houve tempo para a multidão que saiu do beira rio invadir a FIFA FAN FEST e assistir a vitória do chile sobre a espanha. outra experiência fabulosa. com milhares de australianos, holandeses e sulamericanos em geral visitando porto alegre, a diversão não tinha hora pra terminar.

todos, eu disse todos, foram ao centro boêmio de porto alegre, na famosa esquina da república com lima e silva, conhecida como CIDADE BAIXA. o carnaval ludopédido continuava, com direito a fanfarra holandesa tocando beatles no meio da rua. apenas inesquecível.


carnaval ludopédico na cidade baixa
obs: outros detalhes da partida no Globo Esporte

♪♫ OOOOEEEEEAAAAAA ♪♫

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Nova York e a vida secreta das referências musicais

Em qualquer viagem saindo aqui de casa, a cultura pop não nos deixa passear em paz e domina nosso turismo. É a vida secreta das referências, como Rufatto intitula um de seus discos. E numa cidade como Nova York, é impossível ficar distante da música, da literatura, das artes visuais ou do cinema. Então seremos obrigados a pagar tributo e caminhar diante de alguns ícones - ou por onde alguns ícones caminharam.

Entre vários nomes importantes, a música nova-iorquina passa indiscutivelmente por Bob Dylan e Velvet Underground. Sim, eu sei que - cronologicamente - Billie Holiday, Miles Davis, Patti Smith, Ramones, Talking Heads, Sonic Youth e Strokes (e vários outros) também são vitais para a música da cidade (e do mundo), mas ficaremos poucos dias e é preciso fazer escolhas, então vamos exaltar quem a gente gosta e conhece mais. Portanto, limitaremos nosso turismo às obras de Bob Dylan e Lou Reed. O próximo a ser explorado nessa lista seria o Talking Heads de David Byrne (só pra constar).


GREENWICH VILLAGE, 1960-65, Bob Dylan

É certo que vamos passar pelo Greenwich Village (região entre os bairros West Village, Soho/Noho e Chelsea, lado West da Washington Square e Universidade de Nova York) e observar o quê resta da trajetória do monstro sagrado Bob Dylan.

Nesta região de Manhattan, surgiu no final dos anos 50 uma grande influência para Dylan, o movimento beat, um fenômeno (contra)cultural do pós-guerra que tinha como elementos principais a rejeição às normas recebidas e ao materialismo, além do interesse em alucinógenos, inovações de estilo, religião e libertação sexual. Em resumo, foi quando a liberdade que você tem hoje começou a pedir passagem.

Neste cenário, o folk de Bob Dylan, inspirado em Woody Guthrie, começou a ganhar certa reputação no primeiro álbum (1962), mas foi no segundo lançamento - o clássico The Freewhelin’ Bob Dylan (1963) - que ele começou a fazer o nome como cantor e compositor. Em meio a algumas canções líricas sobre o relacionamento com a namorada, várias músicas de protesto fizeram a fama do álbum, com destaque absoluto para o hino dos direitos civis, Blowin' in the Wind, uma das músicas mais bonitas de todos os tempos. Importante citar que neste bairro Bob Dylan posou com a namorada para a superclássica capa do The Freewhelin’, que pretendemos bancar os jacus e reproduzir (haha).


Dylan e Suze Rotolo no Greenwich Village


Em 1964, Dylan ainda lançou The Times They Are a-Chagin’ e Another Side Of Bob Dylan - neste último, as músicas de protesto perderam lugar para os relacionamentos -, até que em 1965, houve a famosa ruptura com o folk e a iniciação com o rock em Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited (influência da Invasão Britânica, sim ou com certeza?).

Eis alguns pontos turísticos da música no Greenwich Village:

- capa do The Freewheelin’ Bob Dylan (West 4th Street com Jones Street)
local da famosa foto onde Bob Dylan caminha abraçado com a namorada Suze Rotolo.


- Chelsea Hotel (222 W 23rd St)
local de hospedagem para figuras como Andy Warhol, Robert Crumb e Frida Kahlo (artes visuais), Leonard Cohen, Charles Bukowski e Jean-Paul Sartre (literatura), Stanley Kubrick, Ethan Hawke e Uma Thurman (cinema), Tom Waits, Dylan, Patti Smith, Iggy Pop, Edith Piaf, Jimi Hendrix, Sid Vicious, Ryan Adams e Madonna (música). E essa lista poderia ser muito maior! Pra citar referências brasileiras, até Raul Seixas esteve por lá durante o exílio. Outra referência famosa, foi no Chelsea que Nancy (mulher de Sid Vicious) foi encontrada morta.



- Washington Square Park (final da 5th Ave)
espaço público que pertence à área da Universidade de Nova York, é famoso por ter sido ponto de encontro dos cantores folk e beatnicks no pós-guerra, até que a prefeitura resolveu intervir com a exigência de licença para aglomerações. Depois de um tempo sem nunca conseguir tais liberações, resolveram protestar e houve confusão, mas hoje o local é um dos grandes centros de atividades culturais na cidade.


- The Gaslight Cafe, Cafe Wha? e The Kettle of Fish (MacDougal St altura da Minetta Lane)
apenas três dos vários cafés/bares localizados na MacDougal Street, ponto de encontro da boêmia nos anos 60 e palco dos primeiros shows de Bob Dylan. O Cafe Wha? foi o primeiro, no exato dia da chegada de Dylan em Nova York.



- The White Horse Tavern (567 Hudson St com W 11th St)
outro famoso ponto de encontro dos poetas beatnicks; onde o jovem Robert Zimmerman conheceu Dylan Thomas (o dono do bar) e tomou o nome que o tornou famoso. Até Jim Morrison já foi dono do bar.

- Friends Apartment Building (90 Bedford St at Grove St)
Prédio usado como fachada para o apartamento no seriado Friends (esse não é sobre música, mas como não ir? haha)


EAST VILLAGE, 1965-70, The Velvet Underground

Pois bem, continuando nossa tour centrada na cultura pop (na música, né), bem próximo do Greenwich Village, no outro lado da Washington Square/Universidade de Nova York, está o East Village, onde na segunda metade dos anos 60, durante a Invasão Britânica aos EUA (Beatles, The Who, Rolling Stones, David Bowie, Eric Clapton...), surgiu a banda mais influente da história da música americana (controvérsias?), o Velvet Underground.

Fruto da mente absolutamente vanguardista de Lou Reed (letras e melodias), John Cale (melodias) e Andy Warhol (financiador/produtor), o Velvet é um marco do rock, pois rompeu com toda a estética melódica da época e inovou ao tratar de assuntos controversos como sadomasoquismo, drogas, prostituição e até ocultismo em canções garageiras, sem roupagem popular. O álbum de estréia foi um fracasso comercial na época, mas a capa da banana é um clássico e o som e as letras são inspirações diretas para todas as bandas de rock a partir deste lançamento.



fextinha mutcho loka na The Factory de Warhol com Lou Reed e cia


Eis alguns pontos turísticos da música no East Village:

- The Factory (231 East 47th Street e 33 Union Square West)
foi um estúdio de arte fundado pelo artista Andy Warhol e, entre 1962 e 78, teve dois endereços nesta região. Warhol reunia estrelas pornô, toxicodependentes, travestis, músicos e pensadores livres para desenvolver fotos, filmes, músicas e criar um ambiente que fez do espaço uma lenda. Um reduto da arte e da loucura nova-iorquina.

- Max’s Kansas City (213 Park Avenue South)
um dos locais preferidos de Andy Warhol, berço do glam rock e um dos pilares para a explosão do punk rock, foi o primeiro local para shows do Velvet Underground. David Bowie, The Stooges (Iggy Pop), Patti Smith, Debbie Herry, Ramones fizeram fama com shows no primeiro endereço do bar, entre 1963 e 74
.


- CBGB (315 Bowery St)
o bar de rock mais famoso de Nova York. Aberto em 1973, está fechado hoje em dia. No começo só tocavam bandas de Country, Bluegrass e Blues, depois foi aberto ao punk rock e new wave. É conhecido como berço do punk nos EUA, com Ramones, Television, Patti Smith sendo considerados vanguardistas do gênero. Praticamente todas as bandas punk (e de gêneros derivados) do mundo inteiro tocaram no CGBG.



- Bowery Ballroom (6 Delancey St)
local famoso por ser palco da cena indie alt-rock atual, fruto do garage rock revival dos anos 2000, com Strokes, White Stripes, The Walkmen que, por sua vez, são frutos diretos do Velvet Underground.


Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Music_of_New_York_City
http://www.vulture.com/2014/03/100-years-of-new-york-music.html 
http://en.wikipedia.org/wiki/Greenwich_Village
http://screamyell.com.br/site/2010/11/09/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1/
http://www.interferenza.com/bcs/villagesights.htm
http://www.popspotsnyc.com/lou_reed_velvet_underground

♪♫ The Velvet Underground - Rock'n Roll (Despite all the amputations you know you could just go out / And dance to the rock 'n' roll station / It was alright) ♪♫

sábado, 27 de setembro de 2014

Eu, jogador de futebol (parte 2)

Do colegial em Jales, do ‘quase’ no Atlético-PR às quadras de futebol society.

(para ler "Eu, jogador de futebol (parte 1)", clique aqui)


Em 1997, já no colegial, fui estudar em Jales, na Cooperjales Objetivo, onde eu realmente teria que estudar. Deixei de lado o futebol de campo em Urânia e o ginásio da nova escola ainda não estava pronto. Foi um primeiro semestre de pouco futebol. Apenas um campeonato rápido na reinauguração do campinho do Clube dos Cem, em Urânia. E só. Lembro que joguei no gol e ficamos em terceiro. Nas semi-finais fechei o gol, lembro bem dessa partida. Perdemos de 1 a 0 numa bola que desviou no zagueiro quando eu defendia o gol perto da quadra.

Em 1998, o ginásio com quadra poliesportiva da escola já estava pronto. As tabelas de acrílico provocaram boas partidas de basquete. O campinho, ao lado do ginásio, também ficou pronto. E então as atividades esportivas ganharam destaque na escola. Logo rolou uma competição interclasses no fenomenal gramado do campinho. 1º Colegial A, 1º Colegial B, 2º Colegial A e 2º Colegial B. Cada time jogava duas vezes, com adversários sorteados, pra definir as semi-finais. A direção do colégio Objetivo instituiu um ranking para definir as salas. Apesar de não ter notas exemplares, ainda entrei no 2º colegial A, a sala com melhores notas e por consequência piores jogadores hahaha. Eu era o camisa 10 do time. No gol, o outro jogador do time com alguma qualidade técnica, o Fernando Gaúcho. O time era Gaúcho, eu, Carretero, Claytão (esses dois, justiça seja feita, também jogavam direitinho), Dárcio, Zupão e mais alguns que não me lembro eram suplentes.

(Campo bem conservado até hoje. No fundo, o ginásio)

Enfrentamos o favorito ao título logo de cara, o temido 2º B. O time deles tinha Bala, Thiaguinho, Cirim, Paulinho, entre outras feras que eu não lembro agora. Eram amplamente favoritos. Jogamos retrancados, pra evitar perder de goleada. No segundo tempo, o Clayton bateu uma falta com força, que explodiu na trave, a bola foi pras alturas e o goleiro, caído, tentou se levantar, mas eu pulei mais alto que os adversários (1,90m né!) e meti pra dentro de cabeça. Vibrei como nunca. Os nerds vencendo os boleiros. Saímos de campo sob aplausos. Com certeza momento top 5 da minha curta carreira haha. No jogo seguinte, jogamos contra o 1ºA, só lembro do Diego ‘Jason’, de Urânia, e do goleiro Léo no time adversário. Perdemos de 2 x 1 porquê o o Léo fechou o gol. Lembro de chutar umas três bolas difíceis e o Léo defender. Além disso, o nosso goleiro Gaúcho, apesar das frquentes grandes atuações, foi enganado pelo quique da bola e frangueou.

Na semi-final encontramos o 1ºB - lembro do palmeirense Viqueira e do Guilherminho que jogavam bem -, o único time que, achávamos, poderia fazer frente aos favoritos. E motivados por duas boas atuações, nosso time endureceu o jogo, o Gaúcho fechou o gol de novo e levamos a decisão pras penalidades após um empate sem gols. Lembro que atuei no sacrifício, havia levado um tombo feio em Urânia e estava com o pulso imobilizado. Meu pai só permitiu que eu jogasse porque o médico disse "deixa o moleque jogar, Ninão!". Nos penaltis, fui o primeiro a bater. Bola prum lado, goleiro pro outro e eu pro chão. Escorreguei na hora do chute e coloquei o peso do corpo no pulso machucado. Quase chorei de dor, mas vibrei com o gol. Os penaltis seguiram empatados até o Zupão bater e meter na trave. Perdemos felizes.

Na outra semi-final, o 1ºA surpreendeu, venceu o favorito 2ºB e foi pra final. Surpresa geral. Os dois 1ºs colegiais na final e os dois 2ºs na disputa pelo terceiro. Jogamos contra os reservas do 2ºB, porque a maioria dos titulares do ex-favorito abandonou o campeonato. Vencemos por 3 x 1 e ficamos em terceiro no campeonato, mas essa parte deve ter sido deletada do meu HD. Quem me contou foi o goleiro Fernando Gaúcho, não lembro de nada. Lembro que o Paulinho ganhou o prêmio de melhor jogador do torneio. O campeão foi o time do Viqueira e do Guilherminho.

Já em 1999, o ano do vestibular e da mudança pra Curitiba, houve um campeonato interclasses de futsal. Com a mesma base do ano anterior, não resistimos e perdemos todos os jogos, infelizmente. O primeiro jogo do campeonato foi entre o 3ºB (Bala, Cirim, Thiaguinho, Paulinho) contra o 2ºA - que era 1ºA em 98 - e por muito pouco não saiu briga, rivalidade forte entre os dois melhores times.

(ginásio da Cooperativa em evento recente)

No jogo seguinte, enfrentamos o 2ºA com o time do 3ºB torcendo pra gente. Pressão total, jogo nervoso, e até jogamos bem, mas no final levamos um gol de contra-ataque quando tentávamos empatar. Nesse jogo fiz a jogada mais bonita da minha vida futebolística. Recebi uma bola pingando do goleiro Gaúcho e dei de chaleira pra tentar driblar o adversário e sem querer a bola veio pra minha cabeça e ia querendo fugir, indo pra frente. Acompanhei a bola com a cabeça e corri pela lateral da quadra até o lado adversário, meio que equilibrando a pelota com mini-cabeçadas. Anos depois um jogador do Cruzeiro ganhou o apelido de Kérlon Foquinha por IMITAR minha jogada.

Ainda em 1999, entre novembro e dezembro, montamos uma seleçãozinha da Cooperjales Objetivo pra jogar o intercolégios da cidade no campão, tamanho oficial, grama natural, aquela coisa bonita. O time era Bala, Cirim, Thiaguinho, Paulinho, Viqueira, Guilherminho, eu, goleiros Gaúcho e Léo, entre outros que o tempo não me deixa lembrar.

Perdemos o primeiro jogo por 1x0, foi no campo do Paraíso, perto do colégio. Quem jogou no gol foi o Léo porque o Gaúcho estava se recuperando de uma luxação na mão. Meu companheiro de zaga era o Viqueira. Nosso time era de respeito, mas o adversário também. Lembro que no finalzinho do jogo o Thiaguinho cobrou uma falta na minha direção, eu estava totalmente livre e poderíamos empatar, mas a bola foi um pouco alta e não alcancei por pura falta de tempo de bola, uma pena.

No segundo jogo eu não fui, não lembro porque, Gaúcho voltou pro time e vencemos por 1x0. Portanto teríamos chances de classificação no último jogo do grupo, que seria no estádio municipal de Jales. A promessa era de jogaço, todo mundo empolgado durante a semana, mas era muito no final do ano, véspera de vestibulares para alguns, quase natal, e no sábado, dia do jogo, todos os caras de Urânia não foram jogar. Inclusive eu. Lembro que não fui porque meus tios de Curitiba chegaram naquele dia. Também lembro que o saudoso Nicão jogou no meu lugar (ele faleceu meses depois). Lembranças dos últimos tempos de colégio.

EM CURITIBA

Bom, menos de 15 dias depois eu estava de mudança para Curitiba. E no primeiro semestre de 2000, descobri uma peneira do Coritiba no campo do Capão Raso, um time amador. Eu estava com 17 anos e fui pra lá com meu pai. Recém chegados na cidade, lembro que nos perdemos pra encontrar o estádio no bairro Novo Mundo.

Chegamos lá e havia no mínimo 500 moleques. A imensa maioria das escolinhas de futebol da cidade, com treinadores e pais ao lado, aparentemente bem preparados. E eu lá, magrelão, 1,90m, vindo do interior com fome de bola, com meu pai do lado e explodindo de vontade de jogar no Palmeiras.


(campo do Capão Raso no Novo Mundo)

Apresentei RG, disse meu nome de jogo (Marcelo Urânia, claro) e minha posição de zagueiro central. Eu acreditava que jogar de zagueiro seria mais fácil pra VINGAR. E aí, aos poucos, todos foram chamados pra jogar. Várias partidas! Umas 15, pelo menos. Achei bem profissional, os treinadores pareciam atentos ao jogo e se o desempenho de algum moleque fosse abaixo do esperado, já o sacavam impiedosamente com 10 min de jogo e colocavam outro. Ao final de cada partida, escolhiam uns 3 ou 4 para continuar. Os outros apenas iam pra casa.

Acho que, principalmente pelo meu tamanho, atraí a atenção. Joguei uma partida e fiquei. Joguei mais umas 3 ou 4 e fui ficando. Na última partida do dia, quase 18h, eu estava morto de cansaço, mas com o peito estufado e empolgado pelo brilho orgulhoso no olhar do meu pai.

Lembro bem desse último jogo. Nem começou e o lateral-direito adversário avançou pela ponta do gramado para cruzar até a área. Quando o levantamento aconteceu, já me posicionei, pulei como um jogador de basquete e dei uma puta cabeçada na bola, no melhor estilo zagueirão, alçando a pelota para fora da área. Foi a glória, aquela sensação de AGORA VAI! Dei uma olhada rápida para o meu pai, que estava naquela vibração contida, encantado com o desempenho do pimpolho.

Eu estava cansado, exausto, exaurido, mas cheio de garra. No minuto seguinte à espetacular cabeçada, um contra-ataque do adversário. O mesmo filho da puta do lateral-direito pequenino e ligeiro, driblou o nosso lateral e avançou para a área, fiz a cobertura até do quarto-zagueiro (que tinha ficado no meio-campo, andando) e avancei para a marcação daquele peste ligeiro de 1,60m, no máximo.

Do mesmo jeito que cheguei para a marcação, fiquei. Levei um drible da vaca tão humilhante que, somado ao meu desgaste físico, não permitiu reação. O lazarento, após o drible, fingiu que ia cruzar e chutou para o gol, enganando ao goleiro. 1 à 0. Perdemos. Foda. E no final escolheram dois jogadores que, eu acho, foram chamados para um período de testes no CT do Coxa.

Depois disso, em 2001, treinei quase um ano numa escolinha pré-juniores do Atlético-PR, na parte de campo da Top Sports, que hoje virou um condomínio de prédios. Nesse período cheguei a pensar que talvez pudesse virar jogador profissional. Todos os jogadores pagavam uma mensalidade, mas eu não, fui chamado pra treinar porque me viram jogar society com meu primo Omar. E o treinador explicou logo no primeiro treino que, no final daquele ano, o olheiro (que aparecia de vez em quando pra analisar os treinos) chamaria pelo menos uns 6 jogadores para um treino no CT do Caju, onde treinam os profissionais, para observarem de perto e saber quem seria convocado para um período de testes.


(antiga entrada da Top Sports, quando havia campo oficial)

Esse olheiro, o Magrão, várias vezes veio perguntar coisas pra mim, num nível qual a profissão dos pais, onde estudei, time do coração etc. Eu estava achando que poderia pelo menos ser selecionado para o treino no CT principal. Mas a porra do Atlético-PR resolveu ser campeão brasileiro justamente naquele ano e o 'super teste' não aconteceu porque o elenco profissional estava em concentração total para as finais. Uma pena. Depois disso não havia mais chances de nada, já estava pra completar 19 anos e resolvi me dedicar integralmente a faculdade. haha

FUTEBOL PARA SEMPRE

Depois dessa ducha de água fria, me converti ao amadorismo por completo. Fiquei um bom tempo procurando camaradas pra brincar de futebol nas inúmeras quadras de society em Curitiba. Joguei por um bom tempo com os amigos do meu primo Omar, joguei também com um grupo do IRC (a primeira rede social?) e com o pessoal da Induscril, empresa que eu trabalhei.

E, depois de um tempão sem jogar, o Wilco (sim, a banda) me aproximou dos amigos Felipe e Edu, e assim começamos a jogar juntos com Nagueva, Alê, Sauro e outras feras. Esse grupo do society, chamado Futebol dos Broders, joga junto desde 2008, pouco depois do lançamento do Sky Blue Sky (disco do Wilco). Já faz tempo...

Hoje em dia, além de jogar no Futebol dos Broders religiosamente toda terça, disputo anualmente
a Copa CCPR, um campeonato do Clube de Criação do Paraná para integração dos designers. Não sou publicitário, mas entro como fornecedor pela empresa.
Magulitos, Copa CCPR 2012.

Aos 32, durante o sono ainda me vejo jogando no Palestra Itália.

Futebol, gosto de repetir, é a maior invenção do homem.

♪♫ OOOOEEEEEAAAAAA ♪♫

sábado, 23 de agosto de 2014

Especial Palmeiras 100 anos: seleção do centenário

Como é sabido por todos os mortais minimamente interessados em esporte, o Palmeiras completa 100 anos em 26 de agosto próximo.

Nada mais normal, portanto, que uma seleção dos melhores jogadores que já passaram pelo clube neste tempo todo. Ou duas seleções, a melhor e a segunda melhor. Bom, como a data é festiva, vou fazer três, a terceira seleção é de 1990 pra cá, apenas com jogadores que vi jogar (nasci em 1983).

Os critérios utilizados são qualidade técnica, importância histórica e, óbvio, meu gosto pessoal.

O MELHOR PALMEIRAS 1914-2014

São Marcos (92-2012);
Djalma Santos (59-68), Luis Pereira (68-75 e 81-84), Waldemar Fiúme (41-58) e Roberto Carlos (93-96);
Dudu (64-76), César Sampaio (91-94 e 99-2000) e Ademir da Guia (61-77);
Rivaldo (94-96), Julinho Botelho (58-67) e Evair (91-94 e 99).
Téc Osvaldo Brandão (45, 47-48, 58-60, 71-75 e 80)

monstros sagrados

O SEGUNDO MELHOR PALMEIRAS 1914-2014

Oberdan (41-54);
Arce (98-2002), Djalma Dias (63-67), Waldemar Carabina (54-66) e Geraldo Scotto (58-68);
Jair Rosa Pinto (49-55), Jorge Mendonça (76-80) e Alex (97-2000 e 2002);
Edmundo (93-95 e 2006-07), Leivinha (71-75) e César Maluco (67-75).
Téc Luiz Felipe Scolari (97-2000 e 2010-12)

O MELHOR PALMEIRAS 1990-2014


São Marcos;
Arce, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos;
Galeano, César Sampaio e Alex;
Rivaldo, Edmundo e Evair.
Téc Luiz Felipe Scolari

Dúvidas:

1 Luiz Felipe Scolari ou Osvaldo Brandão?
2 Jair Rosa Pinto ou César Sampaio?
3 César Maluco ou Heitor?
4 Leivinha, Edmundo ou Mazzola?
5 Djalma Dias, Waldemar Carabina ou Junqueira?
6 Onde colocar Leão, Djalminha, Zinho, Clébão, Edu Bala?

♪♫ Marcos Kleine - Hino do Palmeiras (instrumental) ♪♫

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Especial Palmeiras 100 anos: gols com memória afetiva

Começando o Especial Palmeiras 100 anos, segue abaixo os dez gols com maior vibração, com explosão de alegria suficiente para lembrar para sempre.

O amante do futebol conhece bem a sensação de um gol, e basta um gol do Palmeiras pra eu explodir em genuína e espontânea felicidade, aquela condição de perfeita satisfação em poucos segundos de vibração. Em casa sempre foi assim, aprendi desde pequeno a gostar de esportes, a torcer pelo Palmeiras.

10 César Sampaio, contra São Paulo, segunda fase do Brasileirão 1993
No final do jogo César Sampaio roubou a bola e arrancou desde o campo de defesa e passou por um, dois e a gente levantava um pouco do sofá a cada drible. Passou pelo goleiro e fez o golaço pra gente vibrar. Palmeiras classificado pra final do Brasileirão!


Léo Lima, contra São Paulo, semi-final Paulistão 2008
Estava na Chácara em uma confraternização com amigos do meu sogro e comecei a ver o jogo muito apreensivo porque as meninas do Morumbi vinham de certa hegemonia no Brasileirão enquanto o Palmeiras estava iniciando a parceria com a Traffic. O jogo poderia servir para recuperar a autoestima, a autoconfiança. E o chutaço do Léo Lima abriu o placar logo no começo da partida! Urrei de tal maneira que todos na cozinha vieram constatar se estava tudo bem.


Muñoz, contra São Caetano, oitavas de final da Libertadores 2001
Palmeiras precisava vencer pra levar pros penaltis e no finalzinho do jogo o colombiano Muñoz driblou três e chutou cruzado. Explosão absurda de berros, gestos e xingamentos. Michel era pequeno e chorou de medo com minha vibração. hahaha


Oséas, contra Cruzeiro, final da Copa do Brasil 1998
O chamado “gol espírita”. Inesquecível pelo chute inesperado no último minuto de jogo. Antes de pararmos de gritar o juiz apitou o final do jogo e saímos pelas ruas de Urânia pra festejar.

Rivaldo, contra Corinthians, primeira final Campeonato Brasileiro 1994
Quando Rivaldo (maravilha mandando um gol) roubou a bola do lateral Branco e partiu pra fazer o segundo gol da primeira partida, veio a certeza do título. O Palmeiras seria bi-campeão no próximo jogo de qualquer jeito. Vibração louca em casa com os primos assistindo ao jogo!


5 Cleiton Xavier, contra Colo Colo, fase de classificação Libertadores 2009
Assisti ao jogo no quarto pra não assustar os convidados da minha roommate que estavam na sala. O golaço-aço-aço aos 48 do segundo tempo me fez explodir socando a cama e pulando e gritando por vários e vários minutos. Quando saí do quarto festejando as pessoas estavam MUITO assustadas. Fui dormir às 3h da madrugada tamanha adrenalina.

Euller, contra Flamengo, quartas-de-final Copa do Brasil 1999
Um dos jogos mais emocionantes de todos os tempos de todos os esportes no universo. Os torcedores no estádio choraram, eu chorei, os jogadores choraram e até meu pai chorou!

Oséas, contra Deportivo Cali, final Libertadores 1999
Pai, eu e Michel estavámos assistindo ao jogo já meio desanimados com o gol de empate dos colombianos (Michel era pequeno, será que já estava dormindo?), até que o Oséas recebe aquele cruzamento do Júnior e mete pro gol. Urramos tanto e nos abraçamos tão forte que eu tenho a cena gravada na memória ad eternum.

Evair, contra Corinthians, final Campeonato Paulista 1993
Nunca tinha visto o Palmeiras campeão e na hora do gol de penalti, já na prorrogação, a certeza do título era total e saí correndo da sala, pulei o muro e fiquei rolando no gramado ao lado de casa. Eu tinha dez anos e jamais esqueci minha explosão de alegria.



Betinho, contra Coritiba, final da Copa do Brasil 2012
Eu estava no estádio, com meu irmão e amigos. Muito provavelmente com meu pai também. O gol do Betinho foi a certeza do título. Chorei como se fosse criança com o título, com a saudade, por ver o Palmeiras campeão in loco. Agradeço até hoje por viver aquele momento. Clique aqui para ler o quê escrevi na época.


♪♫ Moacyr Franco - O Amor é Verde! ♪♫